14 de janeiro de 2006




2ª MARCHA
( 14 E 15 DE Janeiro de 2006 )
Início da marcha
Explicaçom da situaçom geográfica
Início da ascensom à Cabrita
Alcançando a Cabrita

Foto artística. Sombra de um montanheiro na neve




Em frente a Serra do Eixo

Panorámica da Serra do Eixo. Abaixo, no val, está o Teixadal

No Couto, caminho de Pena Súrbia

Em frente, o nosso objectivo: Pena Súrbia (2.112 m)

Ao pé de Pena Súrbia. O tramo mais complicado, numha zona de umbria com placas de gelo

Ascensom a Pena Súrbia

Os quatro montanheiros que chegárom ao cume de Pena Súrbia (Pena Trevinca Norte)

Mar de nuvens no val do Teixadal

Descansando no refúgio da Fonte da Cova

Refúgio da Fonte da Cova

Escapada à Serra da Enzinha da Lastra (Parque Natural)

Aspecto invernal de Pena Trevinca Norte e o Teixadal

Bosque do Teixadal

Destruçom das exploraçons pizarreiras no Concelho de Carvalheda

Pizarreiras: expólio e grave impacto ambiental

VISOM DE CONJUNTO





A zona que imos visitar tém várias linhas educativas de interesse clara:


-Interessante morfologia glaciar.

-As peculiaridades desta zona dentro da Província de Ourense e as áreas montanhosas de Galiza: vegetaçom mediterránea e eurosiberiana.

-Albergar nas suas entranhas um magnífico bosque de Teixos, único em Europa: O Teixadal de Casaio, o bosque mais meridional de Europa de espécies de domínio eurosiberiano.

-O facto de contar com algumhas das maiores alturas do nosso País.

-Por tratar-se de um espaço enormemente conflitivo. Nesta zona confluem de jeito paradigmático: Um espaço de singular importança natural a proteger enfrentado ao município mais industrial de Galiza e num espaço de grande interesse económico. A indústria da pizarra, que ocupa os primeiros postos nas exportaçoes da Galiza.

-Os aspectos da memória histórica: As minas de Valborraz, cidade dos alemaes ou cidade da mina (cuja infraestrutura ainda se conserva bastante bem), onde os alemaes tinham a concesom da exploraçom do wolfram; a “cidade da selva” nos montes de Casaio, o quartel geral da Federaçom de Guerrilhas de Galiza entre os anos 1944-1946.

O Maciço de Pena Trevinca situa-se na Galiza Sul-oriental.

Convém deixar claro que o Maciço de Pena Trevinca abrange na sua totalidade territorio galego. Umha cousa é a Galiza “oficial” e/ou administrativa e outra bem distinta a Galiza real.
Atendo-nos à Galiza administrativa este maciço situaria-se na confluencia das províncias de Leom , Samora e Ourense.
Porém, a Cabreira e Seabra som histórica, étnica e geográficamente Galiza.

Factores como o chao, o clima, o hábitat, a economia, o idioma, a cultura em definitiva, incluem espaços que nom pertencem à actual Galiza administrativa.
A existencia de limites administrativos determina que a maioria dos autores reduçam os seus estudos ao espaço intrafronteiriço, algo que nom é factor chave para a geografia.
Neste caso, como em muitos outros, nom há umha correspondencia entre os limites administrativos e os geográficos.
Criterios topográficos utilizados no estabelecimento da linha divisional, seccionárom imaginariamente rios e cordilheiras com criterios chapuceiros como o de dividir os vales polo rio, quando este é o eixo da comarca constituída polas duas ribeiras do mesmo, ou no caso das montanhas, dividindo, com um incongruente albedrio fronteiriço, unidades geográficas indivisíveis.

No cume da Galiza, Pena Trevinca, junguem-se as comarcas da Cabreira e a Seabra, do Bolo e de Valdeorras numha irmandade natural e histórica de relaçoes sociais e económicas.
Várias serras de delimitaçom confusa (serra do Eixo, serra da Mina, serra Calva, serra da Cabreira e serra Segundeira) componhem este maciço que se ergue a mais de 1900 metros sobre as bisbarras galegas de Cabreira, Seabra e Valdeorras.
Na zona atopam-se algumhas das montanhas mais elevadas da Galiza: Pena Trevinca (2127 m), Pena Negra (2123 m) e Pena Súrvia ou Pena Trevinca Norte (2112 m).

Em quanto às altitudes é freqüente presençar um baile de números segundo que guia ou que carta geográfica se utilizar.
As indicadas aquí procedem da cartografia mais recente: mapas do I.G.N 1:25.000.

Na vertente norte de Pena Súrvia ou Pena Trevinca Norte, trepando polas peadas abas da margem esquerda do regato Penedo, está o magnífico bosque de Teixos, o Teixedal de Casaio.

O maciço de Pena Trevinca é umha grave asignatura pendente na política proteccionista dos nossos espaços naturais.
Organizaçoes e grupos ecologistas exigem a sua conversom em Parque Natural (30.000 hectares), e que ademais nom seja umha protecçom esvaziada de conteúdo. Na actualidade só o lago de Seabra e os seus arredores goçam deste reconhecimento (declarado parque natural já desde finais dos anos setenta).

Pena Trevinca (só umha pequena parte do Maciço situado em território administrativo galego) está incluída na proposta galega da Rede Natura 2000, como Lugar de importância Comunitária.
Quando finalmente for aprovado será umha “zona de especial protecçom dos valores naturais” e formará parte, portanto, da “Rede galega de Espaços Protegidos”.

Todo este desplegamento de palavras proteccionistas nom é mais que umha fermosa mentira que oculta umha desfeita imparável e permanente por parte, fundamentalmente, dos depredadores pizarreiros.

O atractivo biológico da zona reside fundamentalmente no grande desnível existente entre o nível de base, centrado na desembocadura do rio Casaio no Sil (350 m s.n.m) e as mais altas cotas altitudinais do Maciço de Pena Trevinca, com a conseguinte diversidade bioclimática que isto conleva.

Por outra parte a sua posiçom geográfica na Regiom Mediterránea, a escasa distância do limite meridional da Eurosiberiana, cujas influências chegam maioritariamente através da Cordilheira Cantábrica, permite a coabitaçom aquí de comunidades de ambas as duas procedências –ainda que som maioritárias as mediterráneas- o qual supoe umha diversidade e complexidade fitocenótica adicional.

Dacordo com as últimas propostas de divisom corológica da Península a área está situada na Regiom Mediterránea, sector Ourensano-Seabrense e subsectores ourensano e seabrense.
O subsector ourensano foi circunscrito ao piso mesomediterráneo ourensano.
Seguindo a indicaçom dalgum autor haveria que ampliar o subsector ourensano actual até o piso oromediterráneo.
Este subsector poderia ter o seu limite com o seabrense nos montes de Trevinca, cuja vertente noroeste amossa importantes diferências com o seabrense, devidas fundamentalmente à sua maior influência eurosiberiana.

Analisando a corologia das comunidades presentes nesta área pode-se concluir que: Um 40% tem umha distribuiçom maioritariamente mediterránea frente a um 23% de área fundamentalmente eurosiberiano, mentres que o 37% restante tem um comportamento indiferente.
Destacar ademais que as de area mediterráneo ocupam a maior parte parte da superfície deste território.
Por último sinalar que segundo alguns autores existe umha fronteira aberta entre as montanhas do sector laciano-ancarense e o ourensano-seabrense.

O manto rochoso do território é fundamentalmente de tipo silício, ácido, correspondendo maioritariamente a pizarras e quarcita.
Os solos, em geral pouco desenvolvidos.

A vegetaçom botánica do espaço natural é muito importante, com a presença de numerosos taxoes com um maior ou menor grau de endemicidade.
Os cúmios som de piso silicícola de Juniperus nana ou genebreiro rasteiro, com umha vegetaçom tipo na que nom há bosque nem espécie arbórea dominante.
O Juniperus é a única espécie da família cupressaceae que medra de forma natural (é autóctone) no nosso País. Os genebreiros, som muito sensíveis ao lume, vendo-ser mermados tras as queimas sistemáticas de todos os veraos.
O verao de 2005 foi especialmente duro, ardendo boa parte destes espaços montanhosos.

Árvores que podemos olhar som: azinheiras (Quercus ilex subsp. Rotundifolia), por debaixo de 800 metros; rebolos ou cerquinhos; bidueiros, faias, teixos, pradairos, ameneiros, capudres, avelairas…

Como resultado de estudos fitosociológicos identificárom-se mais de 100 comunidades vegetais no terrritório.
Em quanto à fauna contabilizárom-se 162 espécies de vertebrados: Um peixe (a troita), 12 anfíbios, 13 reptis, 100 aves e 36 mamíferos.
Entre estes últimos está presente o lobo (moi abundante), o raposo, o arminho, a donicela, o tourom, a marta, a gardunha, o porco teixo, a londra, a algalia, o gato bravo, o javali e o corço.


O TEIXADAL DE CASAIO





Na actualidade o teixadal de Casaio é um bosque de 6 hectares formado por azivros, avelairas, cerquinhos, capudres, cerdeiras…etc e 300 teixos (Taxus baccata) que se concentram na margem esquerda do regato Penedo, a uns 1.350 m. de altura.
Ali há um exemplar de 800 anos de idade e vinte metros de alto.


O teixo é umha árvore que se distribui por toda Europa e Macaronésia (Canárias), Ásia Menor e Noroeste de África. Habita altitudes baixas em latitudes elevadas; pola contra na Regiom mediterránea e macaronésia aparece nas altas montanhas, como no caso que nos ocupa.

Trata-se de um taxom de origem antigo (já no jurássico há fósseis de Taxus com caracteres próximos ao actual teixo), que deveu estar muito mais representado no passado. A pesar de poder renovar, o teixo foi-se fazendo cada vez mais raro, através dos séculos, em Europa.

Hoje em dia, a sua presença tanto em Europa como na Península é reduzida.
A isto contribuírom a lentitude com que se desenvolve, a competência progressiva doutras espécies mais modernas ao longo da história geológica e fundamentalmente a intensa acçom antrópica em tempos mais recentes, pondo em perigo a existência da espécie que hoje se refúgia nas montanhas menos acessíveis como é este caso.

O seu uso histórico por parte do homem centrou-se no emprego da vistosa e duradeira madeira (compacta e dura e que nom apodrece) para mobiliário e para a fabricaçom de barcos, ou na clássica utilizaçom para a fabricaçom de arcos de frecha na idade meia (só se cortavam as polas para esta funçom).

Também as folhas, a pesar do seu conhecido carácter tóxico pola presença do alcaloide taxina (de umha espécie próxima, nos EUA, extrai-se o Taxol, um importante fármaco anticancerígeno) podem ser consumidas por alguns animais. Nesta árvore só a coberta encarnada e carnosa da semente carece dessa substância tóxica.

Sabe-se que as folhas som particularmente nocivas para o gado equino, causa também de que fosse eliminado sistematicamente quando o cavalo era o único meio de locomoçom, cárrega…, mas também que formam parte da dieta habitual de muitos animais nom domésticos.
Nalguns pontos do Norte peninsular ainda som ocasionalmente utilizadas como ramom para o gado vacum.

Um indício da sua maior expansom em tempos passados é a grande quantidade de topónimos alusivos: teixedal, teixo, teixeiro/a, teixido…etc.

Ainda que se fale de teixedais é raro encontrar rodais ou massas puras de certa extensom dominadas pola espécie que nos ocupa. É o caso do Teixedal de Casaio.

Para alguns autores em realidade nom se pode falar de “teixedal de casaio”, senom que se trata de um bosque mixto de frondosas que aproveita as condiçoes favoráveis de vaguada orientada ao norte e noroeste, ficando com carácter estável num marco geral tipicamente submediterráneo.
Segundo estes autores, o que sucede é que neste caso há um certo número de teixos, muito grandes, que destacam muito na paisagem, particularmente em inverno (o teixo é umha árvore de folha perene de cor escura que a delata desde loge).
As suas copas piramidais surgem do conjunto de planifólios caducifólios e os seus troncos às vezes adquirem na base dimensoes consideráveis.
Porém a sua densidade nom alcança a doutras espécies, em particular os bidueiros. Para estes autores esta formaçom de Casaio deveria ser definida em funçom das árvores dominantes, tendo que defini-la como um bosque mixto com predomínio de bidueiros, no que também outras árvores, ademais do teixo, tenhem presença significativa: Acer pseudoplatanus, Sorbus aucuparia, Quercus pyrenaica, Prunus avium, etcétc.

Os melhores rodais de teixo (como é o de Casaio) apresentam umha densidade elevada no estrato arvóreo e o umbroso sotobosque está bastante limpo.
Nas zonas onde o teixedal é menos puro intercalam-se érvedo, avelaira, espinho alvar…

A CIDADA DOS ALEMANS


Ao pé de Pena Súrvia, nas abruptas terras de Casaio, no município de Carvalheda de Valdeorras, ainda fica em pé umha boa parte da infraestrutura do que no seu dia foi umha importante exploraçom mineira de wolfram a cargo do régimem názi. A começos da 2ª guerra mundial

Franco deu-lhes aos alemans a concesom da exploraçom do wolfram das montanhas de Casaio. Os alemáns soubêrom da sua existência alguns anos antes de estalar a guerra. Entre 1942 e 1944 abrírom-se galerias e poços ciscados por toda a aba de Trevinca, numha zona, ademais, que era cenário de um importante reagrupamento de forças armadas antifranquistas.

O wolfram (assim chamado polos alemáns) ou tungsténio (assim o chamavam os ingleses) era moi importante para os alemáns a efeitos militares. A chave da sua importância para a indústria bélica germana residiu em que os alemáns desenvolveram umha técnica de aleaçom da que resultavam metais muito mais resistentes que os empregados polas tropas aliadas. Os aliados nom eram capazes de desenvolver o wolfram ou tungsténio além de filamentos para lâmpadas.

Porém a indústria bélica názi aproveitou ao máximo as possibilidades que lhes brindava este mineral, o metal com o ponto de fusom mais alto que naquela época se conhecia. Os projectis germanos eram de umha trajectória “mais limpa”, as blindagens de carros, camioes e automóveis mais seguros e sobre todo os canhoes alemaes requentavam-se muito menos que os das tropas aliadas. Só por isso, o Estado espanhol produziu no ano 1943 mais de quatro mil toneladas de wolfram. De 1938 data já a criaçom de “Montes de Galicia”, que operou em Casaio até finais da segunda guerra mundial, com um coronel názi como director. Foi entregada aos aliados em 1945. O momento de maior esplendor ou febre do wolfram seriam os anos 1942 e 1943.

“A cidade” som essencialmente dous grupos de cumpridos barracons brancos a um e outro lado da ainda incipiente canle do rio Valborrás. O rio dá nome à mina, “a mina de Valborrás” e a mina baptiça ao povoado, “a cidade da mina” ou a “cidade dos alemáns”. Um barracom acolhia aproximadamente 200 prisioneiros da guerra civil (socialistas, comunistas e anarquistas), generosa contribuiçom de Franco à alemanha hitleriana. Os prisioneiros (procedentes de todas partes: galegos, asturianos, andaluzes, espanhóis...) eram vigiados polos soldados alemáns. Entre a populaçom reclusa só uns poucos eram destinados ao lavadeiro do wolfram, onde já se conseguia o mineral num estado de pureza suficiente como para ser enviado à Alemanha. O resto dos presos abriam as galerias e poços ciscados por toda a aba de Trevinca num número indeterminado, a golpe de maça e barrena.

A excessiva confiança que o régimem franquista depositou no destacamento alemám da cidade, propriciou umha colaboraçom importante dos presos com o movimento guerrilheiro assentado nessas montanhas. O régimem espanhol cedeu a custódia dos prisioneiros aos alemáns alheio a três factores:

-O movimento guerrilheiro que se articulava nos vales de casaio.

-As probabilidades de mútua colaboraçom que brindava a coincidência em tempo e espaço.

-O escaso zelo que na custódia dos prisioneiros punham os alemaes.

Aos oficiais da “cidade” interessava-lhes muito mais a produçom total diária de wolfram que a custódia dos aproximadamente 200 prisioneiros conferidos às minas. O facto de que a cidade estivesse vigiada por um modesto posto de guarda evidenciava que nom era em seguridade no que mais se gastava. Para colmo, os presos começavam adquirindo carta de liberdade para pulular pola cidade e acabavam por se fazer com a regência do armazém da mina. Entre outras cousas no armazém havia sobre todo explosivos. Assim, os prisioneiros políticos chegárom a prover de dinamita aos guerrilheiros.

Junto aos mineiros presos havia aproximadamente 200 chamados “operários livres”. Por último umhas 300 mulheres empregadas na sua maior parte nos lavadeiros de wolfram. Portanto, em conjunto, nos seus momentos mais álgidos, a cidade puido estar habitada por umhas 700 pessoas.

Quiçá mereça ser destacada a fugida da mina, em 1944, do preso político Francisco Elvira Cuadrado (natural de Guadalajara), que se converteria mais tarde no líder da facçom comunista da Federaçom de Guerrilhas de Galiza e formaria parte do seu Estado Maior. A cidade dos alemaes seria também objecto de ataques guerrilheiros e até de momentáneas ocupaçoes por parte destes.


TREVINCA E OS GUERRILHEIROS


Os acidentes orográficos da Galiza oriental fôrom, desde o primeiro momento, um dos refúgios favoritos como lugares de concentraçom dos resistentes antifranquistas. Mas se as condiçoes orográficas eram óptimas para os fugidos, nom o seriam tanto as climatológicas, que dificultavam a vida nos montes, ao ar livre. Por isso, contra as versoes mais divulgadas e ainda desmentindo o rigor de umha das expressoes polas que eram conhecidos: “Os do monte”, os guerrilheiros e guerrilheiras viviam a maior parte do tempo nos povos e aldeias, em casas de toda confiança, sobre todo durante o inverno, repartidos individualmente ou por parelhas nas distintas vivendas e cambiando –por precauçom- cada semana de casa.

Manuel Álvarez Árias, “O Bailarim”, junto com o “Ánimas”, e “O Aguirre” (Alfredo Yáñez Domínguez) converteram-se no Outono de 1936 no primeiro grupo de resistentes desta zona. Deste grupo de Casaio, ainda que nom com os seus integrantes iniciais, ía surgir o grupo que remataria aglutinando a luita guerrilheira antifranquista e possibilitando a primeira organizaçom armada de pós-guerra de todo o Estado: A Federaçom de Guerrilhas de Galiza.

Casáio era um refúgio seguro. Ademais a Serra do Eixo supujo um salto qualitativo importante ao alonjarem-se os fugidos e perseguidos dos seus povos respectivos, o que supunha tranquilidade para os familiares e a necessidade de dotar-se de umha mínima infraestrutura organizativa. As montanhas de Casaio (estribaçoes de Trevinca Norte e Serra do Eixo) é o cenário onde se organiza a primeira resistência armada galega, entre os anos 1939 e 1941, mas este papel de “quartel general” ou centro de concentraçom e mando seria traspassado, entre 1942 e 1943, a Penas de Ferradilho-Montes Aquilianos (Concelho de Priarança, comarca do Berzo). Casaio volve a desprazar a Ferradilho como santuário organizador da guerrilha em Outubro de 1944, com motivo do IV Congresso Congresso da Federaçom. Este Congresso, assim como o quinto e o sexto (que seria o último) vam-se realizar na “cidade da selva”, nome que recebiam o conjunto de campamentos guerrilheiros estabelecidos nos montes de Casaio, sobre todo nos vales de A Morteira e de A Brunha, em plena serra do eixo ourensana. Ficavam perto do Pico Maluro (1.934 m), na cordal da serra do eixo, e as populaçoes mais próximas eram as penquenas aldeias de Ricosende e Soutadeiro.

O sexto e último congresso realiza-se em Julho de 1946. Na serra do eixo reunírom-se o Estado Maior, as chefaturas de Agrupaçom, delegados das diferentes correntes políticas e guerrilheiros dos destacamentos que operavam na zona. Reunírom-se em total uns 20 homes distribuídos em 6 chousas, 3 na parte superior do vale e as restantes, um quilómetro mais abaixo. Todas elas bem dissimuladas pola vegetaçom. O congresso foi assaltado pola guarda civil e por contra-partidas, morrendo em combate dous guerrilheiros da Federaçom. Este seria o começo da desintegraçom desta organizaçom armada, que se consuma já definitivamente em 1947.


PIZARREIRAS E ESPÓLIO



É sabido que desde a época pré-romana a comarca de Valdeorras tivo no seu grao umha grande fonte de riqueza, a minaria é algo inseparável da história da comarca. Os beneficiários da exploraçom dos recursos mineiros de Valdeorras fôrom na sua maioria gentes foráneas que se aproveitárom de umha populaçom que explorárom e escravizárom. Um chao especialmente rico foi esquilmado desde fora, desintegrando às populaçoes galegas deste território e impedindo o desfrute e proveito da sua própria terra. Como afirma Ricardo Gurriarám no seu livro “Da pré-romanizaçom ao wolfram: apontamentos históricos das exploraçoes mineriais em Valdeorras”:

“Na maioria dos casos, o mineral extraído sempre viajou lá das nossas fronteiras, e o dinheiro resultante da comercializaçom sempre se investiu fora. A mao de obra precisada, quando nom escravizada ou forçada, escasamente influiu na geraçom de postos de trabalho valdeorreses, nom precários, quer dizer, na ajuda do desenvolvimento económico da nossa bisbarra”.

Depois do ouro do wolfram chegou, nos anos sessenta, o ouro preto da pizarra. Novos saquadores ocupárom este território para enriquezer-se de forma continuada até hoje, substraindo à populaçom do desfrute das suas terras e do seu monte, impossibilitanto outros usos, outro desenvolvimento económico e hipotecando o futuro da zona para anos e anos. Também agora os benefícios da pizarra invistem-se maiormente fora. Os novos saqueadores abrírom montanhas, destroçárom caminhos, formárom montanhas de escombreiras, eliminárom regatos...etc. Já nom estám as legioes romanas nem os soldados alemans, agora o espólio e a ruína som democráticos, legais e até consentidos e aplaudidos por umha populaçom que perdeu o sentido da colectividade, individualizada, sem perspectiva de futuro e desarmada, vendo no arrendamento dos seus montes comunais às pizarreiras como um factor de postos de trabalho, enriquecimento pessoal e “progresso”.

Na Galiza existem polo menos 27 tipos de lousa, ocupando umha extensom aproximada de 1/3 da superfície total galega e localizando-se predominantemente na sua metade oriental. Em Trevinca localizam-se as maiores reservas de pizarra do mundo. Galiza é o primeiro núcleo produtor e exportador mundial de pizarra elaborada. A pizarra representa, em termos económicos convencionais, aproximadamente o 3,3% do PIB galego. Pizarras e granitos (subsectores mineiros) constituem hoje os verdadeiros perpianhos da minaria galega. Devemos recordar que Galiza representa o 13% da minaria do Estado, ocupando o terceiro posto em importância no panorama mineiro (minaria energética, minaria metálica e minaria ornamental).

Se nos centramos nas rochas ornamentais (caso da pizarra e granito) representa um 22% da produçom total estatal e é a primeira exportadora por valor económico. Em quanto à produçom de pizarra, a galega representa o 73% da produçom estatal.

Ademais das comarcas de Valdeorras e da Cabreira, que vivem praticamente em exclusiva da indústria pizarreira e que concentram mais do 75% do tecido industrial deste subsector na Galiza, outras zonas pizarreiras na Galiza som Ortigueira, Mondonhedo, Fonsagrada, e Quiroga (O Courel). Arredor de 100 som as empresas que se adicam no País à extracçom e elaboraçom pizarreira, a maioria ubicadas em Valdeorras e A Cabreira. Entre estas, Ampealsa-Emeritasa, do pai de Pérez Vidal (do PP) e o monstro Cupire Padesa, S.A, com perto de 600 trabalhadores. O emprego neste sector caracteriza-se polo alto nível de eventualidade, pola juventude dos seus trabalhadores e a incorporaçom das mulheres da zona, adicadas a tarefas como o empacotado.

Aproximadamente o 80% da produçom de pizarra galega exporta-se, sendo a Uniom Europeia a receitora do 95% das mesmas (França, Alemanha e Reino Unido). Do total de pizarra exportada no Estado espanhol, o 75% era lousa galega.







5 de novembro de 2005


1ª MARCHA
( 5 e 6 de Novembro de 2005)

Bosques de Santalavilha

Baixando ao povo de Santalavilha

Lindíssima panorámica das montanhas da Cabreira (Concelho de Benuça)

RESENHA GEOGRÁFICA, ECOLÓGICA E SÓCIO-POLÍTICA

Os Montes Aquilianos tomárom o seu nome das águias reais que antano abundárom por estas alturas. Este pequeno sistema montanhoso separa as comarcas galegas de A Cabreira e O Berzo, ambas as duas pertencentes administrativamente à província espanhola de Leom.

A sua altitude máxima é o alto da égua, à sua vez o teito da Galiza, com 2.143 m de altitude, encravado no concelho cabreirês de Castrilho da Cabreira. Outras altitudes significativas desta cordal montanhosa som a emblemática Aquiana (nalguns mapas aparece como Guiana), mirador por antonomasia da fossa do Berzo, com 1.849 m; o Tesom, com 1.810 m; o Pico Torto, com 2.051 m e o alto das Berdiaínas, com 2.116 m.

Estamos ante um espaço de meia e alta montanha, com invernos duros, onde a neve faz acto de presença habitual durante grande parte do outono, inverno e parte da primavera. Os Aquilianos som a melhor atalaia para contemplar umha boa parte das terras extremeiras galegas: Ancares, Courel, Enzinha da Lastra, Trevinca, montanhas da Cabreira, serra do Gistredo, fossa do Berzo e Valdeorras.

Os Montes Aquilianos destacam polo seu alto componhente de flora endémica, que vive exclusivamente nesta zona. Quatro som as principais espécies rupículas (que vivem nos rochedos) endémicas: Petrocoptis grandiflora, Petrocoptis glaucifolia subsp. viscosa, Leontodon farinosus, Campanola arbatica subsp. adsurgens. E umha espécie que vive nos pastios caliços: Geranio dolomiticum.

Os Aquilianos contam com a presença de umha próspera populaçom de lobos e de aves rapazes. Por ser um habitat importante para as aves rapazes (contabilizárom-se até onze parelhas de águias reais) foi declarado como zona internacional ZEPA (Zona de Especial Protecçom de Aves), formando parte da proposta do Estado espanhol de inclusom na Rede Natura 2.000 (rede europeia).

Estas declaraçoes som só isso, meras declaraçoes que nom servem para quase nada, incapazes de paralisar, por exemplo, as agressoes ecológicas e o espólio de recursos, como a exploraçom de pedra caliça nas canteiras ubicadas neste singular espaço montanhoso.

A vegetaçom potencial desta área geográfica é o bosque de cerquinho ou rebolo (Quercus pyrenaica). Nas cotas altas dos Aquilianos podemos encontrar-nos com urzes, alfombras de echinospartum, carqueixas, armérias, crócus, cervum, breixos e giestas. Nos bosques que caem ao sul da cordal (Concelho de Benuça, das Terras da Cabreira) encontramos toda umha explosom de espécies vegetais: cerquinhos, sobreiras, azinheiras, choupos, avelairas, pradairos, castinheiros, nogueiras, salgueiros, freixos, urzes, lavândulas, tomilhos, pinheiros, azivos, rascacus, giestas, piornos, arandos...etc.

Destaca o sobreiral de Santalavilha (gravemente afectado polo terrível incêndio que afectou à Cabreira o verao de 2.005). Este sobreiral é umha massa boscosa muito aclarada, com umha extensom de 10 ha. Trata-se de um dos bosques relitos de sobreira mais norocidentais de Europa.

Corologicamente (classificaçom que une distintos conceitos como tipo de clima, piso bioclimático, tipo de solo e localizaçom geográfica) estas monhanhas formam parte da regiom mediterránea, província carpetano-vetónica, sector ourensano-seabrense e piso oromediterráneo.

Nas estribaçoes dos Aquilianos, perto das famosas Médulas de Carucedo (antiga exploraçom aurífera romana) encontra-se a cresta caliça de Penas de Ferradilho (forma parte de um afloramento de caliças e dolomias que vai desde Penalva até as Médulas, passando por Ferradilho).

Ao seu pé está o povo já totalmente abandonado de Ferradilho, situado no Concelho de Priarança do Berzo. Ferradilho foi o quartel geral e principal centro neurálgico da Federaçom de Guerrilhas de Galiza entre 1.941 e 1.943, antes de ceder-lhe o relevo ao montes e vales de Casaio (Concelho de Carvalheda de Valdeorras) entre 1.943 e 1.946.

Em Ferradilho levou-se a cabo o primeiro congresso, fundacional, da Federaçom de Guerrilhas de Galiza, ao que assistírom 24 guerrilheiros. Também se celebrárom o 2º e 3º congressos da Federaçom, em Junho e Setembro de 1.943 respectivamente. Ferradilho, Aquilianos, Berzo e Cabreira estám indissoluvelmente unidos ao histórico guerrilheiro Manuel Girom Bazám, de Barrios de Salas, O Berzo.

Este guerrilheiro galego começou a luita armada guerrilheira contra Franco com 25 anos e foi assassinado o 2 de Maio de 1.951 no monte (Molinha Seca-Berzo) por um infiltrado da guarda civil quando contava com 41 anos. Nos seus anos de militança armada formou parte da Federaçom de Guerrilhas (1.941-1.947) e do Exército Guerrilheiro (1.948-1.951). O Girom foi o guerrilheiro galego mais carismático e querido, aglutinador e líder natural dos combatentes que luitárom nestas montanhas galegas.

28 de setembro de 2005

A agrupaçom de montanha Águas Limpas organiza o III Acampamento de montanha em Forcarei

Preme no cartaz para o ver de perto

A agrupaçom de montanha Águas Limpas organiza o III Acampamento de montanha em Forcarei, o 17, 18 e 19 de setembro.

Conhecimento e defesa da Terra, formaçom ecologista, soberania alimentar, anti-capitalismo e anti-consumo, lazer e natureza

Este é a terceira ediçom do Acampamento de Montanha. Neste 2010 organizamos três jornadas de acampamento. Na linha que vimos defendendo desde AMAL, tencionamos que os encontros sirvam para conhecer directamente a Terra e livrar-nos de tanta ignorância que ainda arrastamos sobre ela; para saber das agressons que padece, e das melhores maneiras de combater os expoliadores que estám a ameaçar a Galiza; para debater e formar-nos; e demonstrar que formas de vida anti-consumistas som possíveis. Por suposto, também apostamos pola diversom, mas procurando fugir do lazer encadeado ao dinheiro, à incomunicaçom e às drogodependências.

Programaçom do Acampamento 2010

Resumo 6ª feira
11:00h Pequeno roteiro por Forcarei. Dificuldade baixa (3 horas)
14:30h Comida
16:00h Trabalhos na zona de campismo: Preparaçom do acampamento
20:00h Palestra sobre soberania alimentar com Henrique Banet (da fundación Galicia verde) e Olaia Barro (trabalhadora do Sindicato Labrego Galego)
22:00h Ceia e Jogos nocturnos

Resuma sábado
8:00h Alvorada
8:30h Almorço
9:30h Roteiro pola Serra do Candam
19:00h Apresentaçom da Fundaçom Galicia Verde
21:00h Ceia
22:00h Astronomia e foliada (traz o teu instrumento)

Resumo domingo
8:00h Alvorada
8:30h Almorço
9:30h Obradoiros de supervivência
12:00h Palestra sobre a questom forestal na Galiza com Pedro Alonso
14:00h Comida
15:30h Trabalhos na zona de campismo: Recolhida do acampamento

Como anotarse?

A dia de hoje podes anotar-te enviandonos um correio a aguaslimpas@gmail.com ou chamando ao 981 318 829. Faino quanto antes porque precisamos a listagem de asistentes para preparar as comidas. O preço das jornadas som 20 Euros para afrontarmos gastos de comida e alojamento.

Também podes anotar-te nos centros sociais dos que publicaremos a listagem no nosso web. De momento atoparás esta listagem para te anotar no CS O Pichel de Compostela, na CS Revolta de Vigo, CS Sem um Cam de Ourense e no CS Madialeva de Lugo.

Comida

A comida corre a cargo da organizaçom salvo o jantar do roteiro da Sexta-féira.

Como chegar?

Nos vindeiros dias recolheremos no nosso web os horários do transporte público para se achegar até a Estrada onde iremos recolher à gente.

Desde AMAL recomendamos que vaiades em transporte público, a pé ou em bicicleta. De precisar vir em transporte privado, compartilhade-o com outras pessoas que tenham pensado ir.

Que precisas?

Por suposto, tenda de campanha, saco de durmir e roupa de monte (apenas botas, prendas resistentes e mudas, deixa-te de marcas e consumo de logos comerciais). Nom te preocupes da comida, que disso já se encarrega a organizaçom. Ainda que che pareça mentira, nom precisas praticamente dinheiro, porque no monte consume-se pouco. Umhas poucas moedinhas por se precisas fazer umha chamada de urgência desde um telefone público (no monte tampouco se precisa móbil).

Isso sim: som obrigatórias as ganas de andar, de conhecer a nossa Terra e energias para contribuir a esta comunidade de resistência polo nosso país.

Podedes consultar na nossa própria página (no lateral arriba) as entradas do "acampamento de montanha" do ano passado.

X Acampamento de Verao

Como todos os últimos fins de semana do verao, reunimo-nos num par de jornadas de convívio, caminhadas, lezer e conversa, que servirá...