19 de março de 2007

AMBIENTALISMO E DEFESA DA TERRA NA GALIZA

INTRODUÇOM

A finalidade que este texto persegue, é reflectir e debater sobre a grave crise ambiental que esta pequena naçom leva a padecer de jeito permanente desde que Espanha decidiu acometer o assalto aos seus recursos naturais cumha exploraçom intensiva e irracional, e que hoje, provavelmente, viva o ponto mais álgido da sua história, posto que nunca a situaçom ambiental nem a magnitude das agressões que está a sofrer o meio foram tam graves como na actualidade. Aliás, a crítica ao modelo desenvolvimentista e destrutor que impõe o capitalismo, a crítica da industrializaçom irracional, do crescimento económico como modelo de progresso sustentável e viável, e dos valores de consumo deste sistema económico, som alguns dos aspectos mais importantes sobre os quais também se pretende analisar em relaçom aos nefastos efeitos que tem sobre o meio natural, sobre a nossa Terra. A busca dum outro desenvolvimento, próprio e autóctone, respeituoso com a natureza e verdadeiramente sustentável, innovador, original e afastado de todos os modelos económicos que até o de hoje têm usado os recursos naturais do planeta coma se dumha mina inesgotável se tratar, é com toda segurança o perpianho básico sobre o que construirmos um pais e um mundo realmente habitável para nós e para as vindouras gerações, assim como umha sociedade mais justa e defensora duns valores realmente revolucionários e radicalmente opostos aos do capitalismo voraz que hoje triunfa, e que ameaça com devorar o nosso país e o planeta inteiro.

O MEIO NATURAL GALEGO

Quando afirmamos que o meio natural galego é especialmente rico e diverso, nom estamos a fazer nemgumha afirmaçom desmesurada ou inconsistente, produto dumha suposta idealizaçom do nosso meio natural, pois esta circunstância obedece a umha muito afortunada confluência de factores climáticos, geológicos, orográficos, biológicos e também humanos de grande singularidade. Estas singularidades polas que o nosso território se distingue som, nalgumha medida, fruto dum especial assentamento geográfico e latitudinal. Climaticamente, a Galiza situa-se numha encruzilhada de influências, pois supõe o limite meridional do mundo euro-siberiano e, por volta, recebe polo Sul, e especialmente polos vales do Minho e do Sil, elementos nitidamente mediterrâneos que som o motivo polo qual o nosso país, conta cumha variabilidade tam grande de ambientes climáticos, tanto a nível de precipitações como de temperaturas. Orograficamente, o relevo galaico é muito acidentado, alternando uma valiosa sequência de montanhas e vales e outras formações excepcionais como as rias, que no seu conjunto formam umha paisagem heterogénea e diversa. A nossa riqueza biológica, faunística assim como florística, é também notável, constituindo em muitos casos o limite de distribuiçom de muitas espécies ou possuindo endemismos que raramente podemos topar fora da Galiza. Por último, há que fazer referência à dispersom geográfica dos assentamentos galegos, mais de 35.000 segundo cálculos oficiais que nom recolhem todos os núcleos existentes, que configuram umha paisagem intensamente humanizada e representam um sinal inequívoco da estreita relaçom que este povo mantive, e ainda mantém, ao longo da sua história com a Terra que habita, e que frutifica numha paisagem rural característica, peculiarizada por um diversificado mosaico complementar de superfície florestal, prados e cultivos entretecidos por sebes vegetais que contornam campos, trilhos e regatos dum jeito harmónico. Por estes motivos, podemos afirmar com todo fundamento que o património natural galego é dum valor excepcional, assim como todo o património etnográfico e cultural tecido ao redor das relações do povo galego com o seu meio natural, e sem dúvida constitui, junto com a forma de assentar-se no território e as formas de organizaçom das relações sociais, um dos elementos mais característicos na conformaçom dumha identidade nacional diferenciada. Aliás, apontar que, como suporte dos processos económicos, sociais e políticos que incidem na evoluiçom da sociedade e dos seus meios de vida, o espaço físico material dum país nom é um elemento passivo e receptor de processos, como têm defendido na Galiza correntes de esquerda supostamente marxistas, mas na realidade é o próprio cerne desses processos. Considerar o espaço físico galego como património parelho à própria subsistência de Galiza como naçom, é necessário para recuperar umha lógica actuante baseada no respeito em todo aquilo referido à vertebraçom do território.

DEPENDÊNCIA NACIONAL E CRISE AMBIENTAL

Durante séculos e aproximadamente até a década de 1940-50, o uso dos recursos naturais por parte d@s galeg@s tinha produzido transformações certamente limitadas sobre a dinámica dos ecosistemas, fruto do estabelecimento dumha economia de base orgânica valedora dumha cultura e dumha identidade que recolhia e codificava os conhecimentos ambientais, e que funcionava aproveitando a necessária heterogeneidade espacial que impunha a complementaridade e integraçom de usos agrícolas, pecuários e florestais, o que fazia possível o funcionamento dum sistema agrário nom intensivo. Este uso múltiplo do território constituía, aliás, umha estratégia de diversificaçom dos riscos inerentes à variabilidade climática ou social, e as comunidades paroquiais possuíam, em quanto núcleos básicos da organizaçom social, umha visom sobre o aproveitamento dos factores produtivos muito diferente, tanto a nível económico como social e ecológico, à do capitalismo explorador que Espanha começou a introduzir de jeito planificado nesta época.

Desde que Espanha começa a assentar o seu projecto de dominaçom e aproveitamento dos recursos naturais da nossa Terra, este modelo de relaçom harmónica entre populaçom e território, de conservaçom da natureza e desenvolvimento auto-gestionário, começou a sofrer um processo acelerado de destruiçom e mudança por um outro sistema baseado na rapina e no esbanjamento intensivo dos recursos naturais para benefício dos grupos dominantes do incipiente capitalismo espanhol. Desde esta etapa, a Galiza vive numha crise ambiental permanente de grande magnitude, que se foi agudizando com o passo do tempo e a introduçom de novas tecnologias que facilitaram maiores facilidades para o espólio dos nossos recursos, e que provavelmente passa hoje polos momentos mais dramáticos da sua história. A intervençom espanhola nos últimos 40 anos tem suposto uns desequilíbrios, uns custes sócio-ambientais e umhas agressões de tal magnitude, que umha parte importante da nossa riqueza tem sido já dilapidada em aras dum “progresso” revestido de cimento, alcatrám e poluiçom. Espanha acelera nos últimos anos a destruiçom do espaço físico em que se insirem as nossas vidas, procurando a modificaçom definitiva dos nossos espaços identitários referenciais, porque para @s galeg@s cada paisagem, cada outeiro, cada fraga, forom sempre um ponto referencial para a comunidade no seu conjunto, e polo mesmo elementos centrais da memória colectiva do povo que conformam um factor identitário de primeira ordem.

Galiza nunca deixou de representar na ideologia e na consciência social espanhola, umha terra afastada e indómita, inacessível e de geografia difícil, definida com adjectivos do tipo de “tierras bárbaras, sitio inmundo con montes que llegan hasta los cielos y con nieblas permanentes”, como se desprende dos relatos de viageiros espanhóis. Frantz Fanon na sua obra “Os condenados da terra” exprime à perfeiçom o significado e a interpretaçom que para os colonizadores tem esta natureza indomável: “A natureza hostil, agreste, profundamente rebelde está representada efectivamente nas colónias pola selva, os mosquitos, os indígenas e as febres. A colonizaçom tem sucesso quando toda esta natureza indócil é por fim dominada. Caminhos de ferro através da selva, dessecaçom de pântanos, inexistência política e económica da populaçom autóctone, som em realidade umha e a mesma cousa”, fazendo referência às palavras dum governador francês em Argélia: “A esses seres humanos que obedecem cegamente às leis da natureza há que opor quadros estritos e implacáveis. Há que domesticar à natureza nom convencê-los”. Com certeça, este é o modelo que se leva a aplicar na Galiza desde os últimos 60 anos, de jeito que para conseguir a uniformizaçom e a identificaçom do povo galego com o projecto nacional espanhol destruem-se espaços e recursos naturais de referência colectiva e de funda identificaçom identitária para ser substituidos por infraestruturas representativas do domínio absoluto e da autoridade do poder colonial invasor ( recomendamos umha visita aos Peares, como ilustraçom mais gráfica desta realidade). Paralelamente, esta presença tam destacada da natureza, da paisagem, da Terra, na forja dumha identidade colectiva tam diferenciada como a galega, foi inoculada de todo o seu potencial subversivo através dos esforços realizados por identificar esta força natural tam poderosa com a imagem dumha Galiza verde e bucólica que dorme no seu sono prazenteiro à espera dumha morte anunciada.

Esta intervençom da que estamos a falar contou cumha muito estudada planificaçom, e o primeiro passo para a sua efectivizaçom foi, logicamente, a estruturaçom e domínio efectivo do nosso território segundo os seus interesses. Deste jeito, com o trunfo do liberalismo espanhol, acometeu-se em 1833 umha reforma administrativa de grande envergadura inspirada no jacobinismo centralista francês, com a que simbolicamente Galiza desapareceu do mapa. Eliminou-se a entidade unitária do antigo reino da Galiza e as unidades de organizaçom social próprias de este país, a paróquia e a comarca, que forom substituídas por 4 províncias com as suas respectivas deputações como órgaos de poder, e municípios arbitrários, com o objectivo de assegurar-se um perfeito controlo e domínio sobre todo o território, aliás de amputar-nos formalmente a faixa leste que passou a integrar-se na Espanha. Tratava-se de eliminar as agudas particularidades e feitos diferenciais que caracterizavam a este povo, e eliminar toda forma residual de poder feudal e autonomia local com o objectivo de cobrir as necessidades do estado-naçom unitário e homogéneo que daquela nascia.
PRINCIPAIS AGRESSÕES À NATUREZA NA GALIZA. A RESPOSTA POPULAR

Galiza está considerada actualmente pola própria UE como umha das regions com o seu habitat natural mais seriamente deteriorado, o que nom deixa de resultar paradoxal dado o seu baixo grau de industrializaçom. Espanha viola constantemente na nossa Terra os princípios fundamentais recolhidos na Carta Europeia de Ordenaçom do Território, na qual se indica que “ o homem e o seu benestar, assim como a sua interacçom no meio ambiente, som o centro das preocupações na ordenaçom do território(...). O controlo do espaço deve evitar que os princípios que intervêm na sua organizaçom, estejam determinados exclusivamente por objectivos económicos a curto prazo, sem ter em consideraçom os aspectos sociais, culturais e ecológicos, procurando que nom seja a irracionalidade a que guie o uso do território, pois a actuaçom(...). Devem-se adoptar modelos de actuaçom que procurem umha utilizaçom racional do território, porque existe umha lógica espacial que em cada actuaçom nos indica as alternativas mais racionais e melhor orientadas ao bem da sociedade e ao equilíbrio territorial”. A nossa condiçom de colónia tem muito a ver com que nem as próprias recomendações europeias se apliquem o mais mínimo na Galiza.
Como sabemos, muitas das agressões ambientais que sofre este país som consequência de projectos energéticos, industriais e de infraestruturas ao serviço do capital espanhol, mas também os processos de urbanizaçom e turistificaçom, a política florestal seguida, ou o erróneo tratamento dos resíduos som responsáveis directos da degradaçom do nosso meio natural.
A continuaçom imos resenhar os principais processos que estám no cerne da destruiçom e degradaçom do nosso meio natural:

1- Política energética: Galiza foi confinada por Espanha a converter-se numha reserva energética capaz de abastecer a crescente demanda dos seus centros económicos e de poder. Actualmente a Galiza produz muita mais energia da que consome, aliás de que umha outra parte importante desta energia é consumida polas indústrias de enclave instaladas no nosso país. As principais técnicas de produçom eléctrica introduzidas na Galiza som enormemente lesivas para com o meio ambiente. Precissamente, a desertizaçom de umha boa parte do nosso território era necessário para desenvolver a nova política energética vendida hipocritamente como limpa, pois sem gente, sem comunidade, sem moç@s que aportem energia vital e dinamismo, sem interesses que defender, grande parte do país é um ermo fecundo para que os grupos energéticos imponham a sua lei sem apenas contestaçom e pressom social. Vexamos as consequências umha por umha:
-Energia hidroeléctrica: Sector chave da economia espanhola na Galiza, monopolizado quase exclusivamente por Unión Fenosa. Galiza conta com mais de 40 grandes barragens e dúzias e dúzias de minicentrais hidroeléctricas, nom polo eufemismo menos lesivas, e produz quase o 30% da produçom hidroeléctrica estatal, exportando quase o 40%. O plano energético autonómico para as duas próximas décadas aponta a necessidade de construir 20 barragens mais e umhas 90 minicentrais!. Já na actualidade os rios galegos suportam umha sobre-exploraçom energética, com uns efeitos ambientais brutais: alagamento dalguns dos mais férteis vales (Castrelo de Minho) e incluso núcleos de populaçom inteiros (Porto Marim); destruiçom dos bosques ripários dum grande valor ecológico para a conservaçom da diversidade biológica; perda de riquez faunística polas dificuldades que suponhem os grandes muros das represas para a actividade biológica de muitas espécies (salmom, lampreia ou truita) ; variações climáticas (aumento de brétemas, humidade).... A situaçom dos rios galegos galegos é dramática, pois se muitos dos grandes cursos fluviais já foram agredidos e deteriorados no passado, som os pequenos rios que ficaram relativamente à margem da exploraçom energética, os que ainda conservam verdadeiros tesouros ecológicos nas suas margens e nas suas águas, e que esta nova vaga construtiva pode levar a sua perda definitiva.
-Energia eólica: Este é um sector de implantaçom recente, posto que o primeiro parque eólico instalado data de 1995. Desde aquela, as serras e cordais galegas tem invadidas literalmente por extensos parques de consequências nefastas para estes ecosistemas que, em muitos dos casos, tem sido destroçados dum jeito irreparável( abertura de pistas, impacto paisagístico e visual, degradaçom da fauna...) como no caso da Serra do Candám ou do Gistral, espaços de grande valor e bem conservados até a invasom dos eólicos. Aliás, estám-se a desenhar os primeiros modelos de parques eólicos marinhos ou offshores para a Costa da Morte, de efeitos na fauna todavia sem estudar.
-Energia térmica: Galiza conta com quatro centrais térmicas no seu território (Meirama, Sabom, Pontes e Toral dos Vaus). As duas últimas som as mais poluintes do estado espanhol e emitem quase o 40% de dióxido de sofre do total estatal, responsável das chúvias ácidas, aliás de contribuírem ao efeito estufa e danar a vegetaçom. Também, no processo de extracçom do mineral, estas industrias alteram o solo e a paisagem, alteram os leitos subterráneos e criam umha paisagem lunar característica no caso do lignito.A eléctrica espanhola ENDESA e, de novo, FENOSA tiram grandes rendimentos económicos a costa da saúde do povo galego.
Fazer referência também à agressom ambiental que supom a instalaçom da planta regasificadora de REGANOSA na Ria de Ferrol, que seguramente será seguida por outros projectos de FENOSA. Resulta escandaloso que a tendência na Galiza é a de seguir aumentando a produçom eléctrica sem limite algum, posto que o auge das hipocritamente chamadas energias limpas nom está a trazer o desmantelamento das centrais térmicas existentes.

2- Política agro-florestal: A oligarquia espanhola, com a inestimável ajuda das redes caciquís locais, veu defendendo tradicionalmente a ideia de que a sociedade rural é incompatível com o desenvolvimento e o progresso polo que sobra populaçom dedicada a labouras agropecuárias e marinheiras, populaçom que deve ser reorientada face o sector serviços ou, no pior dos casos, forçada à emigraçom. Com certeça, o processo de desertizaçom tam dramático que estám a sofrer extensas áreas do interior galego, que quebra a tradicional relaçom tam estreita entre povo e Terra, supõe deixar milhares de hectares de terreno em maõs do destino que lhe queiram dar os especuladores do monte, ao nom ficar quem defender um sistema produtivo cujo funcionamento era o garante da sustentabilidade e protecçom do meio natural. A usurpaçom da propriedade, num início, e posteriormente do aproveitamento do monte comunal à vizinhança por parte dos concelhos e as deputações provinciais desde finais do século XIX, está no cerne da destruiçom e imposibilitamento do desenvolvimento da actividade agrária no campo galego e na progressiva conversom dos nossos montes, veigas e terras de cultivo em grandes monocultivos de eucaliptos e coníferas ao serviço de ENCE e a sua filial dedicada à gestom das plantações NORFOR, e FINSA, LOSAN e demais grupos económicos do sector madereiro. O empenho em isolar as actividades agrárias das actividades florestais por parte das instituições espanholas, acompanhado do uso da violência para favorecer o êxodo das comunidades camponesas das suas terras face a emigraçom e/ou os núcleos urbanos, foi aproveitado polas celuloses e as madeireiras que rapidamente adquirírom os montes usurpados para a implantaçom dos usos florestais adequados aos seus interesses económicos curto-prazistas, que tanto dano tenhem causado aos nossos montes e que tenhem como conseqüência a hipertrofia da superfície florestal galega, que se achega na actualidade quase que ao 70% do total do território, devido à grande extensom de hectáres ocupadas polas plantações de coníferas e eucaliptos, que implementam a destruiçom dos nossos bosques caducifólios autóctones, como conseqüência de múltiplos factores condicionados por esta errónea política florestal. Hoje o eucalipto ocupa já umhas 400.000 hectares de terreno na CAG numha franja costeira de Návia até a Guarda que cada vez penetra mais face o interior, o 30% do total de superfície arvorada, e as coníferas perto de 600.000 hectares, o 40% do total arvorado, polo que somente o 30% restante de superfície arvorada corresponde a bosques e formações vegetais autóctones, que ademais sofrem um deficiente estado de conservaçom, e em muitos casos, estám misturadas com as espécies de crescimento rápido anteriormente citadas. Conhecidos som os efeitos dos monocultivos, especialmente do eucalipto, sobre o monte: desertizaçom e dessecaçom dos cursos de água, tendência à propagaçom dos lumes e rápida regeneraçom após os mesmos, perda de biodiversidade e da riqueza orgánica dos solos, invasom de outros terrenos ocupados por florestas autóctones, impacto visual e paisagístico negativo...
Ao falarmos de abandono do agro, de monocultivos e de especuladores, estamos já a referir-nos a um dos piores fenómenos de efeitos catastróficos da Galiza contemporánea: os incêndios florestais. Mais do 50% do território nacional, à roda de 1.800.000 hectares, têm sido arrasadas polo lume desde 1972, ano a partir do qual o fenómeno adquire proporções brutais, até a actualidade, produzindo-se mais de 150.000 incêndios. Alguns dos bosques ou dos espaços naturais de maior valor ecológico do país têm-se visto ou afectados ou completamente calcinados polas lapas. Ano após ano ardem entre o 25% e o 50% das hectares queimadas no total estatal, que variam desde as 5.000-10.000 em anos benévolos ou chuviosos, até cifras apocalípticas como as 200.000 arrasadas na CAG no ano 1989. Às causas estruturais já conhecidas ( abandono dos montes, negócio com a madeira queimada, ausência de qualquer tipo de medida preventiva, introduçom e expansom de espécies pirófitas...) une-se umha política de profissionalizaçom da luita contra o lume, que conta cumha enorme maquinária montada ao redor da extinçom e que gera um contingente de pessoas, sobre todo no rural, que vivem directa ou indirectamente dos incêndios, o que impossibilita a resoluçom deste fenómeno e contribui a cronifica-lo. É evidente que se o meio de vida de tantas pessoas é a extinçom de lumes, tem que haver incêndios para justificar essa demanda, criando-se assim umha economia política do lume de carácter crónico. As consequências do fenómeno som gravísimas: perda de matéria orgánica (um dos piores efeitos dos incêndios produzem-se precisamente no outono quando com a chegadas das chúvias, centos de toneladas de matéria orgánica som arrastadas aos leitos dos rios e ao fundo do mar) que traz parelho o problema da desertizaçom que começa a afectar a um 10% do território nacional; erosom dos cumes das montanhas deforestadas; aniquilaçom da vida animal de numerosas espécies; proliferaçom de espécies invasoras (mimosas, eucaliptos...).
Como consequência directa destes dous factores, a situaçom dos bosques autóctones naturais ou semi-naturais é hoje dramática pois, embora ter aumentado a sua superfície ( algo mais de 400.000 hectares) nos últimos anos pola colonizaçom dos campos de cultivo abandonados e a um menor impacto e maior resistência ao lume, o seu estado de conservaçom é mau e o seu valor menor pola fragentaçom, isolamento e intervençom humana a que se vem sometidos, aliás de concentrarem-se principalmente na zona central e oriental do país.
Nom se pode rematar este apartado sem fazer referência aos efeitos destrutores dos trabalhos de concentraçom parcelária que se realizam na Galiza. A própria estrutura agrária tradicional, que combina usos nom intensivos e se baseia no policultivo e no mini-fundio como modelo agrário de auto-consumo, está a ser destruida com a introduçom do latifundio. Justamente, mentres que se liquidam os sectores produtivos agro-pecuários, as autoridades autonômicas pretendem introduzir o modelo agrário industrial, que leva implícito o monocultivo de grandes dimensões, o uso indiscriminado de herbicidas e insecticidas resistentes à biodegradaçom, agressivos com os seres vivos, e empobrecedores do solo pola alta mineralizaçom qu suportam e, principalmente, a exploraçom intensiva que acaba por esgotar a capacidade produtiva do solo. Aliás, supõe a destruiçom dos elementos que definiam a paisagem agrária tradicional: talam-se as sebes divisórias das parcelas, que ajudavam a enriquecer e osigenar as terras, derrubam-se valados, de grande valor etnográfico, tala-se a superfície arvorada autóctone que fica dentro das terras que se pretendem explorar intensivamente, e canalizam-se, deforestam-se as beiras cimentadas rios e regatos que ficam assim incapazes de acolher vida no seu interior. Perde-se, em geral, muito da heterogeneidade fisionómica e ecológica da paisagem agrária tradicional, e com ela os seus altos valores estéticos, culturais e ambientais. Nalguns casos excepcionais, como o da Límia, o atentado ecológico alcança limites demenciais, ao dessecar a antiga lagoa da Antela, o maior e mais rico humidal da Península Ibérica, e converter as terras agrárias e as carvalheiras destruidas em enormes campos de batata ao pouco improdutivos e que tem convertido umha das áreas mais húmidas e de maior biodiversidade da Galiza num páramo hostil, pobre e com carências de água.

3- Industrializaçom e poluiçom: Resulta paradigmático que num país relativamente pouco industrializado e de vocaçom claramente agro-pesqueira embora o auge e o pulo experimentado face o sector serviços, o problema dos efeitos da poluiçom e dos resíduos industriais seja de grande relevância ambiental. O factor chave para entender-mos esta situaçom é a nossa condiçom de colónia, que tem servido para que nos últimos 30 anos se assentaram no nosso país umhas indústrias que, embora pequenas em número, representam qualitativamente umha peja importante no referido à poluiçom e resíduos gerados, tanto a nível nacional como estatal. Se às instalações de ALUMINA-ALUMINIO, ENCE, as térmicas e CITRÕEN, sumamos outras indústrias consideradas altamente poluintes como as refinarais de petróleo, as cimenteiras, as explorações canteiras e mineiras, ou as conserveiras, podemos concluir que no território galego gera-se umha notável poluiçom que supera a que nos corresponderia polo nosso nível de desenvolvimento económico industrial. Temos umha indústria que denominamos “de enclave”, aquela que, polos seus efeitos socio-ambientais e os problemas de conflitividade e as molestias que gera nas áreas afectadas, os centros económicos destinam para as áreas periféricas dependentes. Repasaremos brevemente os efeitos das principais indústrias e sectores industriais galegos deste tipo sobre o meio natural:
- ALUMINA-ALUMINIO: Esta factoria produtora de alumínio instalada na localidade de Sam Cibrão, na Marinha, foi objecto de grandes mobilizações para evitar a sua instalaçom, sendo atacadas as suas instalações polo E.G.P.G.C. É responsável pola emisom de lodos vermelhos que constituem o 85% dos resíduos tóxicos produzidos na Galiza, de grande impacto sobre as terras e os montes da sua área ao serem almacenados num grande depósito ao ar livre. Aliás, ela soa consume a impactante cifra do 38% do total da energia eléctrica que se produz neste país, quase a mesma quantidade que é exportada a Espanha.
-ENCE: Seguramente se trate da indústria mais contestada neste país, especialmente a sua factoria de Louriçam, porque cumpre clarificar que ENCE posue mais umha celulose e umha papeleira em Návia, na Galiza leste. É responsável pola poluiçom atmosférica por dióxido de sofre e mercaptanos de negativa incidência para a saúde humana, e pola poluiçom com mercúrio e matéria orgánica de toda a ria pontevedresa, que impossibilita a actividade pesqueira e cria malformações nas poucas espécies que sobrevivam. Aliás, consome também grandes quantidades de energia e umha quantidade de água equivalente a umha cidade de quase 500.000 habitantes
- REPSOL-YPF: A refinaria de Meicende, na Crunha, embora nom contar com mobilizações de rejeitamento como nos casos anteriores, causa graves trastornos ambientais, derivados dos vertidos de hidrocarburos ao mar, que suponhem o 14% do total de vertidos, e a emisom de monóxido de carbono, nitrógeno e dióxido de sofre à atmosfera. O passo de umha grande quantidade de petroleiros que venhem a deixar a sua carga nestas instalações, já sabemos que consequências periódicas têm para o nosso país.
- Cimenteiras, canteiras e areeiras: As canteiras de extracçom de granito, lousa e outros materiais esbanjam hoje os nossos recursos minerais dum jeito incontrolado e agredindo em muitos dos casos espaços naturais protegidos. Aliás, geram grande quantidade de cascalhos e resíduos sólidos sobrantes que som expulsados e acumulados face as beiras dos rios cum grande impacto para a qualidade das suas águas e dos eu entorno. As comarcas de Valdeorras e o Berço som as mais afectadas pola extracçom e tenhem as bacias dos seus rios, especialmente o Sil, seriamente deterioradas por cascalhos de lousa. Destaca também pola sua poluiçom a cimenteira de Oural , na comarca de Sárria, umha das fábricas mais poluintes do país. Em quanto à exploraçom de areia, repite-se a situaçom anterior, nom havendo controlo algum, o que provoca que algumhas empresas cheguem a extraer areia de parques naturais protegidos, como no complexo dunar de Corrubedo ou nas marismas de Baldaio.
Aliás, há que assinalar outros aspectos negativos relacionados com a industrializaçom, como a pésima ubicaçom de alguns polígonos industriais, que se assentam nuns casos sobre algumhas das melhores terras agrícolas do país, como o caso de Mabegondo, ou noutros destruem e degradam espaços naturais de interesse, como o polígono industrial do Porrinho, cuja expansom está danando irremediavelmente as Gándaras de Budinho, um humidal de grande valor ecológico e refúgio de muitas aves. Outro caso recente, é o projecto de polígono industrial na paróquia de Leixa, em Trás Ancos, que de levar-se a cabo destruirá umha das melhores e mais extensas fragas que ainda se conservam nesta comarca. Muitos destes casos tenhem a ver principalmente com manobras especulativas, pois existe umha grande quantidade de solo industrial desocupado e nom aproveitado no país, como é o caso do último exemplo que citamos em Trás Ancos, e a sua dispersom em pequenos parques municipais, como é a tendência actual, nom resulta rendível nem para as própias empresas, que prefirem a acumulaçom em espaços específicos de maior tamanho. Somente basta com botar umha olhada a muitos polígonos instalados em paróquias do interior galego, e que presentam um aspecto desolador de semi-abandono, mas cuja instalaçom tem servido para degradar áreas naturais a câmbio de nada.

4- Urbanismo e turistificaçom: É especialmente grave a impossibilidade de o nosso povo poder decidir numha área fulcral para umha correcta e racional ordenaçom do território, em quanto o entramado mafioso dos poderes locais e autonômicos junto com construtoras, imobiliárias e promotoras seguem a dominar em exclusiva a gestom dumha área tam lucrativa para os seus interesses. A fisionomia rural deste país está a ser modificada agressivamente pola política especulativa e a febre e as presas por construir sem o mais mínimo respeito polo entorno nem adaptaçom e harfmonizaçom com ele, todo o contrário, centos de urbanizações, chalés e outras construções agressivas com o ecossistema inçando outeiros, montes e, especialmente, toda a franja litoral da Galiza, modificando assim umha paisagem que tantos séculos de sforço colectivo custou construir. Este fenómeno resposta a formas de vida artificiais radicalmente opostas ao modus vivendi d@s galeg@s, e nom repara à hora de planificar e eleger o lugar da nova construçom no modo de vida tradicional do lugar nem nas uas condições geográficas, convertendo-se em critérios básicos a sua conexom rápida através de vias de alta capacidade e a cercania de grandes centros de abastecimento ou de serviços. O poder político joga o papel de requalificar terras e criar novas bolsas de terreno urbanizável sempre que o demande o negócio imobiliário, mentres que a outra face da moneda se reflicte nas mais de 300.000 casas e vivendas abandonadas ou vazias espalhadas por todo o país, as mais de 500 aldeias que estám abandonadas e as 8.500 entidades de populaçom, o 25% do total na Galiza, que têm menos de 10 habitantes e ficarám desertas nos vindouros anos. Aliás, a populaçom diminui em muitas das áreas nas que construir é umha das prioridades políticas, embora a demanda ser inexistente. A situaçom do litoral, ameaçado ademais por dúzias de portos desportivos é agónica e sufre um deterioro fora do comum, como vem de denunciar recentemente a organizaçoom ambientalista internacional Greenpeace.
Questom parelha é o processo de turistificaçom, em grande medida responsável do boom urbanístico, que depara para a nossa naçom o papel de área recreativa de massas para uso e desfrute da metrópole. Os touroperadores, agências de viagens, imobiliárias, cadeias hoteleiras e holdings do lazer som os instrumentos empregados para efectuar esta política..A turistificaçom é simultaneamente consequência e causa da destruiçom da nossa base económica e do nosso entorno natural. Consequência porque desde as instituições políticas do regimem contempla-se o turismo como a única soluçom dos graves problemas económicos, sociais e culturais que sofre a Galiza, e que eles mesmos criárom. E causa porque o próprio processo de turistificaçom multiplica as transformações negativas nas estruturas sociais e no meio nartural: olhemos Sam Genjo ou Sada como exemplos.

5-Infraestruturas: As infraestruturas de transporte jogam um papel decissório na configuraçom dum determinado modelo de estrutraçom territorial básico, e hipotecam grandemente as possibilidades de criar alternativas distintas de desenvolvimento socio-económico. A configuraçom por parte de Espanha dumha rede de infraestrututras viárias de matriz radial com centro em Madrid, que prima as viagens de longa distáncia e o emprego do automóvel e o transporto privado, tem consequências desvertebradoras e nefastas para o território, ao omitir-se a realidade geográfica do país e dos seus assentamentos. Para o capital espanhol, trata-se de vertebrar o espaço geográfico estatal para reforçar a consciência unitária espanhola, e também de agilizar os movimentos de mercadorias polas arterias do mercado económico. As infraestruturas de transporte ocupam solo natural, alteram o relevo e as margens fluviais, sobre-exploram recursos nom renováveis, agredem aos habitats sociais, fam perder a naturalidade paisagística, fragmentam, modificam e destruem ecossistemas, e aliás, determinam a forma dos intercâmbios urbanos e interurbanos, definem as zonas de crescimento ao fazé-las acessíveis e determinam o próprio meio de transporte. O povo galego foi obrigado a adaptar-se a este modelo de grandes infraestruturas, negando-se-lhe o direito a um modelo de desenvolvimento próprio que desse prioridade às comunicações diárias da populaçom e as acomodasse às necessidades de coesom e integraçom.
Um exemplo gráfico constitue-o a Autoestrada do Atlântico, começada em 1973 e rematada no 2003, que agudizou os desequilíbrios demográficos interior-litoral em favor de este último e serviu para delimitar as áreas metropolitanas que a Espanha lhe interessava estabelecer na Corunha e Vigo, como centros económicos nos que assentar o seu poder. Todas as actuações do Plan Galicia ( comboio de alta velocidade, conexom por auto-estrada e via rápida de todas as cidades e principais vilas) vam nesta mesma linha e constituem umha verdadeira maré negra de alcatrám que reportará imensos benefícios às empresas do sector como SACYR e DRAGADOS e danarám gravemente os ecossistemas naturais. Por último, assinalar também o apoio que este modelo de infraestruturas atopa na Galiza por meio da ideologia do progresso do cimento tam dada ao caciquismo: para superar o atrasso e progressar o que faz falta é asfaltar. Abrem-se pistas e novas vias e asfaltam-se trilhos e corredoiras sem saber mui bem o porquê nem para quê, o que conta é fazer e semelhar que o dinheiro se invirte e cria riqueza.

6- Gestom dos resíduos sólidos: Num país respectuoso e preocupado polo seu entorno, a alternativa prioritária de gestom dos resíduos seria a reciclagem dos resíduos sólidos inorgánicos como papel, plástico vidro ou cartom por umha parte, e a compostagem dos resíduos orgánicos para a sua conversom em matéria orgánica para o seu emprego no agro como adubo de óptima qualidade para terrenos degradados por outra parte. Mas a alternativa da Junta da Galiza e de SOGAMA, centra-se na acumulaçom de resíduos para proceder a ser incinerados na sua planta incineradora de Cerceda. Este modelo é economicamente esbanjador, em quanto omite a reciclagem como meio para a reutilizaçom dos resíduos inorgánicos para a fabricaçom de novos produtos e assim evitar ter que lhos extraer de novo à natureza, e é poluinte, pola emisom de substâncias químicas e cinsas à atmósfera. A realidade é que, de novo, topamos com os interesses de Unión Fenosa, que presiona para que se incinerem os resíduos orgánicos para assim produzir electricidade por combustiom. O modelo de reciclagem que nos vendem é umha falácia, pois ao final, na sua majoria, todo o lixo vai ser incinerado, polo que o principal sentido que tem é separar-lhe o lixo a SOGAMA para facilitar-lhe a operaçom. Esta realidade nom empece que defendamos a introduçom do hábito de separaçom de resíduos entre a populaçom para criar consciência sobre a importância da reciclagem e da compostagem, mas sendo conscientes de que estes processos, polo momento, apenas se levam a cabo na Galiza, exceptuando algumhas plantas de reciclagem e de compostagem concretas nalguns municípios, mas que tratam umha porcentagem muito pequena do total de resíduos gerados. Um outro problema é a existência ainda de alguns vertedoiros incontrolados que se acham a espera de ser selados e clausurados polas autoridades autonômicas.

A terrível cadeia de atentados ecológicos que acabamos de repasar, geram umha crise social e umha resistência mais ou menos violenta e mais ou menos organizada no seio das populações afectadas. As forças destrutoras dos nossos espaços geográficos som forças muito poderosas e complexas, sustidas por um aparelho mediático ao seu serviço, um sistema político caciquil tremendamente efectivo, e uns corpos repressivos que agem com a dureça necessária quando intervêm neste tipo de conflitos. O nacionalismo popular galego e o independentismo formarom-se nestas luitas, constituíndo aliás o primeiro movimento ecologista de relevância em toda Europa em agir na própria praxe contra projectos que agrediam à natureza no seu conjunto. Fruto desta mobilizaçom lográrom-se parar vários projectos que, de levarem-se a cabo, teriam deteriorado ainda mais a situaçom ambiental deste país, e que pola contra, permítirom desfrutar dalgumha vitória a este povo secularmente assobalhado. A central nuclear de Jove nom se materializou; pararom-se 6 projectos de novas celuloses espalhados por todo o país desde as Pontes até Ourense; pararom-se as barragens de Sela, de Návia, de Mácara (recentemente); acabou-se com a exploraçom de areia das marismas de Baldaio; as férteis terras das Encrovas nom fòrom convertidas numha mina de lignito; recuperarom-se os montes comunais (embora estar hoje gestionados polos seus verdugos pola fugida da gente nova das paróquias rurais); e a pressom social forçará possivelmente a saída de ENCE da ria de Ponte Vedra. Som exemplos de luitas levadas adiante com sucesso por milhares de galegos e galegas que sacárom a sua dignidade e combatérom a opressom do inimigo espanhol por todos os meios ao seu alcanço.
A defesa da Terra, na sua dimensom ecológica, o carácter ecológico da nossa intervençom política, nom pode ser umha aposta conjuntural, nem respostar a um oportunismo mais ou menos agachado. Pola contra deve impregnar toda a nossa estrategia de libertaçom nacional e social. @s independentistas posuímos a única estratégia realmente rupturista e inassimilável por Espanha, porque defendemos a Terra como base ecológica dumha comunidade social e política que afirma a sua independência no caminho da libertaçom.

UM OUTRO DESENVOLVIMENTO É POSSÍVEL

Os problemas ecológicos que sofre hoje a Galiza nom podem ser comprendidos na sua totalidade sem analisar a sua relaçom com a crise ecológica que se vive a nível planetário. Esta crise ambiental tem raizames económicas, nasce dum sistema tecno-produtivo altamente poluinte e duns modelos de desenvolvimento que fomentam o crescimento económico sem pensar nem analisar as incompatibilidades ambientais ou os efeitos secundários que este sistema capitalista produz. Os próprios oligarcas e gurús deste sistema económico som conscientes dos perigos que o crescimento sem limites planteja, mas nom estám dispostos a ceder um só privilégio na sua carreira de esbanjamento curto-prazista. As soluções que organismos como a ONU querem aplicar para frear a deflorestaçom, a seca, a explosom demográfica, o problema do aquencimento global e o efeito estufa entre outros, e que tem a sua plasmaçom na recente entrada em vigor do chamado “Protocolo de Quioto” , som parciais e incompatíveis com o mantimento dum sistema que tem na rapina o cerne da sua própria existência, polo que a sua aplicaçom será com certeça insuficiente de nom existir transformações de fundo que acabem com a exploraçom descontrolada. Nos últimos anos a soluçom que tecnocratas e economistas aplicam e propõem extender, é a filosofia do princípio “quem polue, paga”, quer dizer, nos preços dos produtos cuja elaboraçom supõe custos ambientais, estes custos devem ir incluídos economicamente, o qual resulta umha falácia com a qual durmir tranquilos mentras o meio ambiente agoniza. Resulta difícil que a populaçom chegue a convencer-se da inviabilidade ambiental dos modelos económicos que estám hoje vigentes. Junto com a maior das misérias, das desigualdades, dos desequilíbrios e das injustiças globais, o capitalismo tem criado umhas comodidades e uns níveis de consumo tam altos entre o mundo industrializado e desenvolvido, na periferia do qual esta o nosso país, que a sua renúncia a uns hábitos tam fortemente instalados, fomentados e defendidos por um aparelho mediático e umhas instituições políticas ao serviço do poder económico, terá que ser produto dumha transformaçom radical dos valores sociais actuais.
Quase todas as políticas económicas até o de agora aplicadas no mundo, partiram dum suposto comunmente aceitado e que se pode formular como a inesgotabilidade dos recursos naturais do planeta. Este optimismo no uso e até no abuso dos bens naturais para alcançar cada vez quotas mais altas de desenvolvimento e benestar, penetrou até nos mais pequenos recunchos da ideologia e do pensamento social moderno, seja no âmbito do capitalismo como também do socialismo. Se o capitalismo elogiava a produçom de riqueza como um instrumento válido para o aumento do consumo entre populaçom e o enriquecimento e a prosperidade das classes privilegiadas, a majoria dos países que tencionárom levar a prática o modelo socialista interpretárom que o caminho devia ser outro, a distribuiçom equitativa da riqueza gerada entre o conjunto das classes populares, embora nom questionar o modelo de desenvolvimento económico e fazer um elógio do produtivismo a qualquer preço e sem valorar os efeitos sobre a natureza, imponhendo crachás a aqueles/as camaradas que se distinguiram pola sua esforçada contribuiçom ao sucesso dos planos quinquenais. Nengum dos dous sistemas reparava nos efeitos devastadores dumha aposta pola industrializaçom maciça que era comúm, nem criticavam o tipo de vida e de demandas que esta ideologia desenvolvimentista gerava no indivíduo.
O crescimento económico, na sua habitual contabilizaçom através do PIB e da renda per cápita, é a maneira que o capitalismo tem de entender o progresso, mas é umha ficçom que nada útil reflicte porque ignora a destruiçom do capital ambiental e elude enfrontar-se à crua realidade de que, na realidade, as sociedades consideradas desenvolvidas decrescem. O industrialismo, que desde umha perspectiva mecanicista pretende reproduzir em série os processos económicos com o objectivo de maximizar a eficiência e os benefícios empresariais, somete todas todas as manifestações vitais às leis do mercado.
@s independentistas devemos pular por um pensamento ecológico encaminhado a promover a apariçom dumha nova cultura social imprescindível para que o nosso povo, e também o conjunto da humanidade, possa encarar com possibilidades de sobre-vivência o seu futuro mais imediato. Desde o ponto de vista dumha economia ecológica, dum socialismo verde como qual nos devemos identificar, nom é possível o crescimento económico continuado num sistema com recursos finitos como é a Terra, pois é necessário someter a economia às prescrições que vêm determinadas por um sistema maior do qual forma parte o sistema económico, que som as leis naturais. Cumpre superar essa visom reducionista, derivada do m odelo industrialista da gestom dos recursos, que leva a pensar que a tecnologia tem o poder e a capacidade suficiente como para solucionar ou minimizar todos os problemas ambientais que se possam manifestar. Esta é a verdadeira sustentabilidade, a que nos di que a nossa geraçom deve satifazer as suas necessidades sem limitar as possibilidadees de que as gerações futuras possam fazer o mesmo. Nom devemos esperar a que desapareza o capital natural para daquela entender a famosa máxima que nos dí que “ quando contaminem o derradeiro rio, quando talem a derradeira árvore, quando capturem o derradeiro peixe, nesse momento entenderemos que nom podemos alimentar-nos de dinheiro”.

Detalhes para o Acampamento 2017 Olá montanheiras! Já está toda pronto para o acampamento: esta sexta-feira, dia 15 de S...