26 de agosto de 2008

Apresentaçom da Teoria do decrescimento

> O Decrescimento?

O decrescimento é um slogan. É tambem um conceito que nos obriga a todos a tomar consciência dos limites fisicos do planeta aos quais nós nos confrontamos. Ele obriga-nos a pôr em causa a nossa noção de conforto, de necessidade.

O decrescimento não é uma ideologia, é uma necessidade absoluta: depois de dois séculos, o colonialismo, a revolução industrial, o urbanismo, o recurso ás energias fosséis, o desenvolvimento frenético e a utilização da quimica, da fisica e da biologia, aceleraram consideravelmente os danos cometidos ao meio natural. Mas foi sobretudo depois da segunda guerra mundial que os problemas de ordem ecológica tomam uma escala planetária. A ajuda ao “desenvolvimento” dos países pobres vem justificar um crescimento económico cada vez mais forte e faz nascer a “sociedade de consumo”.

Todo o acto de consumo é um acto de destruição: a extração de energia e de matérias primas, à partida; acumulação de lixo, à chegada. As contas feitas á ecologia são catastróficas: mudanças climáticas, desflorestação, desaparecimento das águas doces, degradação dos solos, perda da biodiversidade, poluição quimica, nuclear, acumulação de residuos, esgotamento dos recursos não renováveis. O crescimento, indispensável á sobrevivência do capitalismo, conduz-nos a um impasse. Só o decrescimento, ou seja a adopção de modos de vida, de habitação, de transporte, de consumo muito mais económicos em recursos naturais, podem abrir novas perspectivas.


Mas o decrescimento não se limita aos aspectos ecológicos. É igualmente uma reflecção sobre o aspecto económico e social da produção, do consumo e da distribuição das riquezas, tal como uma crítica da ideoloia do progresso, da industrialização das técnicas e do cientismo.


O decrescimento não será o «retorno à luz da vela», esse bicho papão que alguns proclamam para salvaguardar o lucro capitalista. Ele será, pelo contrário, a ocasião de tomar consciência que a felicidade não se mede por volume e produção, que é mudança dos valores humanos essenciais (respeito, tolerância, solidariedade), a perda do sentido (quer no trabalho quer na vida em geral) que nos leva à bulimia do consumo de bens materais. Ele pode ser, para o homem, a oportunidade a não perder de construir uma outra sociedade, de desenvolver práticas e experiências baseadas na autonomia, na creatividade, na solidariedade e na convivialidade.


O decrescimento é também ir contra, desde hoje, ao sistema capitalista, industrial e espectacular. É um grão de areia na engrenagem da mega- máquina. Um grão de areia entre tantos outros, de forma a dar cabo deste sistema, minimizando a violência. O decrescimento, não é apenas um conceito, é também e sobretudo práticas a adoptar, aqui e agora: viver de outra forma (squats, ecoaldeias...), produzir de outra forma, consumir de outra maneira, etc. O máximo de vias que podemos seguir concretamente hoje sem chegar a uma hipotética «greve geral». Mas atenção, em separado, cada uma dessas práticas isoladas podem ser recuperadas pelo sistema, tanto como o isolamento destas experiências e alternativas podem levar ás rasteiras das comunidades sectárias e utópicas. Para evitar esse perigos a crítica anti-capitalista, anti-industrial e anti-autoritária como do feudalismo é necessária.


Como o decrescimento é uma necessidade cada vez mais urgente, a escolha não é entre o decrescimento ou o crescimento, mas entre uma sociedade libertária onde a população pratica em harmonia o decrescimento ou uma sociedade onde medidas draconianas serão impostas por governos autoritários!

Construemos um outro presente!


Grupo Marée Noire

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