29 de maio de 2007

Marchas polas serras do Careom e o Bocelo


Marcha polas serras do Careom e o Bocelo

Nos pasados dias 2 e 3 de Junho, a Agrupaçom de Montanha Augas Limpas percorreu as serras do centro do país: os montes do Careom e do Bocelo, que contornam a comarca conhecida como ‘Terra de Melide’. Nesta ocasiom nom se fixo montanhismo de altura, pois estes montes som relativamente baixos (quase nom passam de 800 metros). Mas pretendeu-se conhecer a fundo umha comarca interior da que se desfruta grande parte da Galiza central. A um tempo que visitamos as serras, aproveitamos para denunciar a desfeita desta zona, por obra e graça dos parques eólicos e de todos os partidos institucionais que apoiam o produtivismo e o espólio energético. A cita para a saída foi às 15:00h do Sábado 2 no bar ‘Buraco’, no centro de Melide.

A nossa saída tivo um valor especial: há justo setenta e oito anos que umha secçom do Seminário de Estudos Galegos realizava umha marcha semelhante. Durante o verao de 1929, os Otero, Risco, Lois Tobio ou Cuevillas percorriam em três ocasions esta mesma terra. O objectivo desta instituiçom popular galeguista era fazer um cumprido estudo da comarca de Melide, favorecendo o conhecimento directo do país, e popularizando as suas riquezas. Um dos protagonistas conta-nos o estudo destas saídas:

A pe, polos duros camiños da montaña, nas tabernas da veiramar, nos mesóns dos feirantes, fumos descobrindo o noso pobo, cursando galeguidade. E, tamén, foron caíndo as muradelas da fachenda, do protagonismo, do afán polo descobrimento persoal e pola posesión escrusiva do dato, negras chatas da erudición miúda. As xeiras fixeron do Seminario unha Hirmandade.

Em 1933, a editorial ‘Nós’, do alcalde de Santiago Ánxel Casal, tirava do prelo ‘Terra de Melide’. Umha obra interdisciplinar que estudava a geografia, a história, a arquitectura e as tradiçons populares da zona. Assi diziam os editores:

O Seminario de Estudos Galegos seguindo a arela e o programa emprincipiado cop estudo da Terra de Deza, ainda en preparación, adicouse no correr do ano 1929 â Terra de Melide nos diferentes aspeitos (Xeografía, Arqueoloxía, Hestoria, Etnografía, Folk-Lore) que esixe o coñecimento d-unha rexión natural.
Foi escolmada a terra melidán pol-o seu recoñecido intrés arqueolóxico i hestórico e pol-a posición central na Galiza, ben que cumprindo un dos fins da nosa institución, todal-as rexións galegas terán de ser estudadas miudamente.

Como é sabido, o Seminário foi liquidado polos fascistas espanhóis em 1936, e a Galiza nunca recuperou a instituiçom. Ainda a universidade ‘galega’ abordou monográficos comarcais como estes para favorecer o conhecimento da Terra na nossa mocidade.

Geografia.

A Terra de Melide tem como centro a vila do mesmo nome. Está limitada ao norte polos Montes do Bocelo, polo leste polas serras do Corno do Boi, polo sul polas águas do Ulha de Ponte Ramil à desembocadura do Besonha, polo oeste polo rio da Perguiça, que divide esta comarca da de Arçua. A Terra de Melide tem unidade graças ao rio Furelos, que a atravessa por completo antes de desaguar no Ulha. Na Idade Média era conhecida como ‘Terra de Abeancos’.

O relevo desce, em geral, das abas do Bocelo e o Corno do Boi até o val do Ulha. Ao pé do Bocelo, o lugar de Castro Pedro está a 691 metros, e remata por baixar até 220 em Ponte Arcidiago, já no Ulha. Existem entom três tipos de relevo: montesio, chairo e acidentado, assi que se achega ao grande rio.

Conhecimos o vale superior do Furelos, que atinge as paróquias de Branhas, Paradela, Capela, Monte, Vilouride, Mangüeiro, Vilamor, Oleiros, Folhadela, Ordes, Gondolhim e Sam Salvador de Abeancos. Umhas pertencem a Toques, outras a Melide.

Na segunda jornada percorrimos os cumes do Careom. Esta serra, que anda polos 800 metros, é mais umha parte da dorsal galaica, que atravessa o país de norte a sul, e continua para abaixo nas serras da comarca de Chantada. Há um dito popular que demonstra o sentido geográfico da vizinhança: Faro, Farelo, Pico Sagro e Bocelo. Todos estes cumes, nessa mesma orde, podem ver-se da cima do Careom.

A zona tem vários castros conhecidos, como o Castro de Serantes, o Castro de Novela ou o Castro Pedro. Neste temos as melhores vistas de toda a bisbarra.

História.

Como na maior parte do território galego, estám mui presentes os restos do megalitismo. Proliferam as antas, monumentos funerários que som conhecidos também como ‘mámoas’, ‘medas’ ou ‘medorras’, e que sempre vinham acompanhadas de histórias da mitologia popular. Esta arquitectura, com a sua correspondente organizaçom social, desenvolveu-se entre o 6000 e o 2000 antes de Cristo. Os mais conhecidos som a Pena do Raposo, perto do Monte da Madanela, entre as paróquias de Meire e Oleiros (Melide). Já foi escavado nos anos 20 do século passado; e o Forno dos Mouros ou ‘a Mourujosa’, escavado nos anos 80. Situa-se em Castro de Lobos, paróquia de Paradela (Toques).

Também avondam os restos da cultura castreja. Dizia Florentino Cuevillas que poucas terras igualam na Galiza a Melide em densidade de castros. Esta cultura desenvolveu-se desde os finais do bronze (séculos IX ou VIII a.C.) até o I d.C., já em plena romanizaçom. O seu máximo desenvolvimento é na idade de ferro, e os estudosos do galeguismo decimonónico associárom-no com a civilizaçom celta. O mais conhecido de todos é o Castro da Granha. As escavaçons descobrírom que foi habitado desde o século VII a. C.

A história posterior de Melide vem ligada ao caminho de Santiago. Foi fundada pola afluência de viageiros, e o topónimo procede do latino ‘Mellitus’, que é o nome do possuidor do couto original em genitivo. A ignoráncia espanholista fizo com que o nome seja deturpado ainda em alguns ámbitos como ‘Mellid’.

Em 1320 a vila obteve o favor do arcebispo de Santiago Berenguel de Landoira, que dá permisso de erguer um castelo e muradelas e cobrar portádego. Também se concedem foros.

Em 1467, os Irmandinhos reunem-se nesta vila para decidirem em assembleia alçar-se contra Alonso de Fonseca e Sanches de Ulhoa. Derrubárom daquela as muralhas da vila e destruírom parte do castelo. Com as pedras derrubadas construe-se o ‘Convento de Sancti Spiritus.’

Em 1520, a nobreza leiga e eclesiástica galega, já castelanizada, reune-se nesta mesma vila para decidir dar ajuda a Carlos I, que tinha que enfrentar a revoluçom comuneira.

Já no século XIX, Melide sofre episódios bélicos como a guerra do francês ou as carlistadas. Pola sua orografia montanhosa, foi cenário da actuaçom de partidas integristas.

Com motivo da repressom de 1936, na Terra de Melide também se organizam destacamentos de guerrilheiros resistentes. Nesta zona e na de Arçua actua o ‘destacamento Santiago Álvarez’ da IV Agrupaçom do Exército Guerrilheiro da Galiza. O homem mais conhecido destas terras foi Ramón Rodríguez Varela, ‘Curuxás’. Nasceu em Toques em 1904 e participou do sindicato mineiro da CNT em Lousame. Trás o 36, faz-se guerrilheiro e trabalha com um grupo de homens vinculados no seu dia às sociedades agrárias e obreiras. A sua demarcaçom foi o Alto Ulha, Agolada e o Barbança. Colaborou com a IV Agrupaçom do EG e com os restos do ‘Grupo Neira’, um núcleo de fugidos sem direcçom política da costa norte da Galiza. O seu cadáver apareceu em Toques em 1967. Morrera de morte natural e fora agochado por algum velho colaborador.

O meio ambiente e a desfeita dos parques eólicos.

A Terra de Melide é umha zona de clima rigoroso, docificado na parte sul pola presença do Ulha. Sobrevive o bosque autóctone (como veremos na paróquia da Capela, onde conhecimos a igreja pré-románica de Sam Antolim) e predomina o monte baixo, que se utilizava no passado para apanhar o tojo para o estrume, e hoje fundamentalmente para ter o gado ceivo. As repovoaçons de pinheiro e eucalipto, além de apostar por um monocultivo empobrecedor contrário a um uso diverso do monte, estragárom parte da paisagem.

Como organizaçom nacionalista de defesa da Terra, pretendemos ver esta desfeita com os nossos próprios olhos e fazer umha boa reportagem gráfica para a denúncia. Passamos polo Couto da Andorinha, devastado polas obras, inçado de camions e gruas de grande tonelagem, e ‘protegido’ por guardas de seguridade privada que fam o trabalho sujo ao estado. Agora só faltava que polícia e guarda civil espanhola estivessem nos nossos montes…

Esse cume é vítima do chamado ‘Parque Eólico de Codesa’, construído por ‘Enel Uniom Fenosa Renováveis SA’. Os ladrons de sempre que estragam os rios agora vam polos montes, com apoio de todos os políticos. Este parque foi aprovado pola Junta em 2004. Atinge os concelhos de Toques, Melide, Sobrado e Boimorto. Vam erguer 55 aerogeneradores de 900kw de potência unitária. Cada moinho é equivalente, em altura, a um prédio de dez andares. Ante as eólicas, há que ter claro:

-Que nom fica nengumha serra da dorsal galega livre de parques. A última em cair foi a serra do Suído, com o apoio do BNG e o PSOE.

-A dia de hoje, os proprietários dos montes apenas recebem o 1% dos benefícios dos parques.

-Alguns países europeus (caso de Dinamarca) já proibiram a instalaçom de moinhos. A Galiza é a quinta produtora de energia eólica…do mundo! E a primeira do Reino de Espanha.

-A direcçom geral de meio ambiente da UE está a investigar a Junta por ilegalidades na construçom de parques. Nom servirá de nada, porque quem faz os informes (o governinho colonial) é o que comete os atropelos.

-Dos 29 espaços da rede natura galega, 15 estám afectados por parques eólicos.

-Desde que temos parques eólicos, segue a aumentar igual o consumo de energias nom renováveis. As térmicas poluem mais que nunca, e da Galiza sai hoje o 30% mais de merda ao ar que há dezassete anos.

-Os parques afectam as aves, o nascimento dos rios, os jazigos arqueológicos, a paisagem e a vizinhança que tem que viver ao seu carom. Alimentam a rede eléctrica espanhola e nom melhoram as redes locais. A energia vai para Espanha.

-Os grandes parques som o mesminho que as grandes hidroeléctricas: megaestruturas que roubam riqueza para que a energia vaia longe. O produzido nas centrais eólicas equivale ao que se perde no transporte energético no mesmo território.

-Quatro grandes companhias (Gamesa, iberdrola, fenosa…) condicionam os governinhos e o povo. Estas empresas querem evitar que cada concelho ou infraestrutura tenha o seu pequeño moinho e as suas placas fotovoltaicas para o abastecimento próprio: nom haveria perdas por transporte, ganharia-se autosuficiência, diminuiriam os preços do kilowátio.

-Estas pequenas infraestruturas, que som as que defende o ecologismo e as que combate a Junta, podiam instalar-se em polígonos industrais, vias de transporte, terrenos degradados, portos… lugares onde se produze menos, mas onde compensaríamos com aforro, eficiência e energia solar.

A soluçom estará quando umha Galiza independente seja dona dos seus recursos; e quando o nosso país abandone os mitos do ‘progresso’ o crescimento para a destruçom e o desenvolvimento para nom se sabe onde. Combatendo tanto a destruçom do poder político e dos grandes conglomerados empresariais, como um modelo de vida irresponsável baseado no esbanjamento e no desperdício.

Bota-te ao monte!
Defende a Terra!

2 de maio de 2007

Mobilizaçom do 6 de maio em Compostela




AMAL aderiu à mobilizaçom que dúzias de colectivos convocarom para o domingo, dia 6 de maio, na capital da Galiza. @s montanheir@s galegos som @s primeir@s em denunciar como os nossos cumes som ocupados por moinhos expoliadores de energia, como as nossas aldeias ficam a ermo ou com cortes de luz, como avança o monocultivo de eucalipto, como nom há alternativas de vida para as comarcas interiores, e como se fomenta que desconheçamos as nossas terras e a nossa riqueza em favor do consumismo enlatado. AMAL estivo presente no domingo em Compostela para dar a conhecer o seu ponto de vista sobre o processo de destruçom do País, e denunciar os maquilhadores desta situaçom e os colheitadores de votos.


Eis a nossa declaraçom:

BOTA-TE AO MONTE!
Há dous anos, um grupo de militantes nacionalistas constituímos a ‘Agrupaçom de Montanha Augas Limpas’: um projecto de conhecimento directo, desfrute e defesa da Terra, para @s galeg@s podermos fugir do círculo infernal trabalho assalariado-consumo compulsivo e lazer enlatado. Em cinco marchas polas nossas serras combinamos o labor formativo com a denúncia das infraestruturas agressivas com o nosso património e o nosso meio.

Para defender a Terra há que conhecê-la e querê-la. Nom nos avonda com o ambientalismo de gabinete que vive de enviar notas de imprensa enquanto o nosso mundo se desfaz em pedaços, ou as petiçons de ‘prudência’ a políticos que vivem de gestionar pracidamente a destruçom da Galiza. Há que defender sobre o terreno o que o poder nos rouba. Marchas polo monte com agitaçom e denúncia, recuperaçom de prédios abandonados para o lazer alternativo, apoio a colectivos vizinhais agredidos por empresas e políticos, grupos de formaçom e debate nas serras...som algumha das nossas tarefas.

Na Agrupaçom de Montanha Augas Limpas entendemos o ecologismo como parte dum projecto de emancipaçom nacional enfrentado ao capitalismo. O ambientalismo é incompatível com o ecologismo. Nom queremos pintar-nos de verde para seguir a viver como vivemos, embarcados na loucura da acumulaçom de bens e no desconhecimento da Terra. O ecologismo para nos implica a defesa da Terra; viver e relacionar-se com outras pessoas e com a natureza longe dos parámetros do consumo, individualismo e depredaçom capitalistas. O ecologismo nom é compativel co ambientalismo e coas súas medidas reformistas.
A defesa da Terra significa para nos fazer frente à violência e espólio sistemáticos que se exercem sobre os recursos naturais, económicos e identitários da Galiza.

Ambientalismo e ecologismo som dous termos incompatíveis. Os ecologistas proponhemo-nos substituir o modelo de sociedade baseada no consumismo capitalista com maquilhagem verde por outro fundamentado nun cámbio radical na estructura da sociedade.

O ECOLOGISMO É IMCOMPATIVEL CO CAPITALISMO.

Galiza está considerada actualmente pola própria UE como umha das regions com o seu habitat natural mais seriamente deteriorado, o que nom deixa de resultar paradoxal dado o seu baixo grau de industrializaçom. Como sabemos, muitas das agressons ambientais que sofre este país som consequência de projectos energéticos, industriais e de infraestruturas ao serviço do capital espanhol, mas também os processos de urbanizaçom e turistificaçom, a política florestal seguida, ou o erróneo tratamento dos resíduos som responsáveis directos da degradaçom do nosso meio natural. O poder político joga o papel de requalificar terras e criar novas bolsas de terreno urbanizável sempre que o demande o negócio imobiliário, mentres que a outra face da moneda se reflicte nas mais de 300.000 casas e vivendas abandonadas ou vazias espalhadas por todo o país, as mais de 500 aldeias que estám abandonadas e as 8.500 entidades de populaçom, o 25% do total na Galiza, que têm menos de 10 habitantes e ficarám desertas nos vindouros anos. Aliás, a populaçom diminui em muitas das áreas nas que construir é umha das prioridades políticas, embora a demanda ser inexistente. A situaçom do litoral, ameaçado ademais por dúzias de portos desportivos é agónica e sufre um deterioro fora do comum, como vem de denunciar recentemente a organizaçom ambientalista internacional Greenpeace. Vamos deixar em maos de profissionais da política e da corrupçom o futuro da nossa Terra?

CONHECE A TERRA PARA PODER DEFENDÊ-LA.

GALIZA NOM É UMHA MERCADORIA

Detalhes para o Acampamento 2017 Olá montanheiras! Já está toda pronto para o acampamento: esta sexta-feira, dia 15 de S...