30 de dezembro de 2009

Marcha pola Cabeça de Maceda




Saída: sexta feira, dia 8 de Dezembro de 2009, às 20:30 na estaçom de autocarros de Ourense.
Saída rota: 9:00 desde Pavilhom dos Desportos de Sam Martinho de Maceda.

Carácterísticas rota: distáncia aproximada 20 km, mas com o engadido da neve e de haver tramos de monte através fai-se de dureza alta.

Durmida: fara-se no pavilhom, polo que pensai em levar mantas para além dos sacos-cama. O parquet estará coberto com alcatifa, polo que algo já nos isolará do frio.

Comida: tendes que trazer ceia de sexta; almorço, jantar ligeiro e cómodo de comer (dificilmente daremos com um lugar apropriado para parar a jantar durante a rota) e ceia para sábado, e mais almorço para domingo.

Material: a zona pola que nos moveremos está nesta altura de ano ateigada de regatos que para além da neve que atoparemos em todo ou case todo o caminho nos obrigam a ir bem protegidos perante estes dous elementos. De nom ter material específico (polainas, calças impermeáveis....) sempre podedes engenhar qualquer apanho com sacas plásticas da compra e fita-cola. Do resto, o de sempre: botas axeitadas, luvas, pucho mudas...

Conselho: a neve pode impedirnos chegar com o carro até Maceda, polo que será quase imprescindível que levemos cadeias. Trataremos de ter algumhas de sobra, mas nem todas servem para qualquer carro, polo que tratade de vir com elas. Também nom abadonar a actividade por medo a esta eventualidade, pois ainda que a prensa diga que vai ser de coidado, na sexta e no sábado acho que vai ser pouca a neve que caia, ainda que sim o fará em cotas muito baixas.

Rota: o percorrido previsto parte da propria aldeia de Maceda (600m de altura) arrodeando a cara oriental da Cabeça de Maceda até achegar-mo-nos a Prada, umha aldeia abandonada na fondura dum val de origem glaciar. Deste ponto dará começo o ascenso cara a Lagoa Grande, também situada no meio dum circo glaciar de proporçons espectaculares chamado as Aguilhadas. Aqui continua o ascenso até atingir os 1500-1600 metros, lugar no que atoparemos o curro de Requeixo. Logo seguiremos umha pista até o conhecido como o Penedo dos Lobos e desde aqui baixamos de novo a Maceda, passando na entrada a esta polo souto de Rozabales, conhecido por ter um dos castinheiros de maior perímetro da Galiza, o Castinheiro de Pombarinhos.
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16 de dezembro de 2009

Roteiro por Aranga. Caminhos da IV Agrupaçom.

Aranga é um concelho situado no noroeste galego, na comarca das Marinhas, fronteiriço com a Terra Cha. Por ele decorre o curso alto do rio Mandeu.

Tem umha geografia montanhosa e um clima duro, característico dumha terra de transiçom entre a costa atlántica e a Galiza interior. A barreira natural da Serra da Loba é a mais conhecida; o topónimo nom deixa lugar a dúvidas. Existem outras alturas, como a serra do Ranho, que as coplas populares associavam -a inícios do século XX- com a dureza geográfica e as feras. A cantiga recolheu-na Leandro Carré Aldao naquela altura:


Alta serrinha do Ranho

tem muitas silvas e penas

onde o lobo fai cocho

e os bujatos berram nelas


Os cúmios superam os 700 metros na Serra da Loba, descendo até os 250 no Barranco da Loba; esse é o chanço que deixa passo das terras altas das Marinhas à vasta comarca chairega.


No passado, o território de Aranga fazia parte da província de Betanços, umha das sete em que se dividia o Reino da Galiza, disolto polos espanhóis em 1833. Em 1836 tenhem-se as primeiras notícias da constituiçom deste concelho. Compom-se das paróquias de Aranga, Feás, Cambás e Muniferral (a um lado da estrada de Madrid), Fervenças e Vila Raso (ao outro lado da mesma estrada).


A sua condiçom de transiçom geográfica marca o clima de Aranga: chove tanto como na Galiza occidental, mas apresenta umhas temperaturas meias bem mais baixas (uns 10º).


A localizaçom de Aranga fijo do lugar, na Galiza do antigo regime, um autêntico cruzamento de caminhos. Ao contrário do país de hoje, dividido polas infraestruturas espanholas entre oeste-leste (faixa urbana industrial e povoada face deserto rural), a Galiza de onte dividia-se entre norte e sul, em funçom de condiçons climáticas, geográficas, modelos produtivos e modelos de acesso à propriedade, sem que, em rigor, se pudesse falar de áreas de mais densidade urbana do que outras. Por Ponte Aranga passavam quanto menos sete caminhos reais que comunicavam o concelho com Irijoa, Cúrtis, Sobrado dos Monges, Betanços, Pontes de Garcia Rodrigues e Vilalva. A velha Ponte dos Castelhanos era o passo do Caminho Real que unia a Crunha com Lugo.


A repressom fascista


Entre outros muitos capítulos históricos, chegou aos nossos dias com muita viveza a memória da carniceria fascista. A Ponte dos Castelhanos é um lugar de sinistro recordo, pois era a fossa onde os fascistas deitavam muitos passeados, sobretodo nos anos 1936 e 1937. Aproveitando o passo da estrada de Madrid, os passeadores carrejavam muitas vítimas cara este lugar. Alguns cadáveres fôrom logo sepultados na igreja de Sam Lourenço de Vila Raso, pois a guarda civil obrigava a recolher os mortos do poço e a soterrá-los no adro -mas fora de lugar sagrado.


Apesar de ser um concelho relativamente tranquilo nos anos republicanos, com domínio de políticos silenciosos e tépedos, o seu nome logo se vencelhou à dureza dos anos da repressom. Os fascistas da Crunha e da contorna aproveitárom a zona da Costa da Sal para as suas matanças.


Resistência


As condiçons geográficas de Aranga, e as condiçons sociais e políticas do noroeste galego, fixérom desta área um foco importante da guerrilha, nomeadamente quando esta se organiza, baixo direcçom comunista, a partir dos anos 1943 e 1944. A forte presença proletária de Ferrol e Crunha, acompanhada da difícil orografia do Eume e do interior das Marinhas (Messia-Cúrtis-Aranga). Também contou a qualidade humana e militante dos combatentes destinados a estas zonas, como Marcelino Rodríguez Fernández “Marrofer”, Manuel Ponte Pedreira “Jastre”, Benigno Andrade “Foucelhas”. A comarca será a zona de actuaçom da IV Agrupaçom, a mais activa, temida e violenta de todas as forças da guerrilha galega na etapa 44-56.


Também mais adiante, as Marinhas serám a tomba de algum dos mais conhecidos dirigentes.


Marrofer cae numha cilada da guarda civil numha palheira em Milreo, Fervenças, junto com o Lisardo Freixo “Tenente Freixo” e José Doldám. Corria o mês de Junho do ano 46, e lográrom sobreviver cinco guerrilheiros. Quanto a Foucelhas, cai no ano 1952, é descoberto numha covinha no vizinho concelho de Oça dos Rios.





Data e hora do roteiro

Dia 27 de dezembro às 9:30 da manhá diante do concelho de Aranga.

Rota

dificuldade média-baixa, sobre 11 km. de caminhada. Da paróquia de Fervenças, cenário da queda de militantes da IV Agrupaçom, à fossa de Vila Raso.

Recomendaçons

Levar roupa de monte e jantar para o meio dia. Faremos umha cea de convívio num bar do lugar.




9 de dezembro de 2009

AMAL com GZ nom se vende contra o Plano acuicola




A Rede Galiza Non Se Vende manifesta, mais umha vez, o seu mais profundo regeitamento ao Plan Acuícola Galego que nos tenta imponher a Xunta co consentimento do próprio Ministerio de Medio Ambiente, Rural e Marinho, e a calquera Plam que, coma este, nom respecte a costa virgem praias, zonas húmidas, cantís, etc.; nem os espaços naturais protegidos ou bens culturais; nem as nossas melhores paisagens, nem a franxa costeira dos 500m cando existe tecnologia dabondo para instalar-se fóra dela.


Para mais informaçom clica aquí.


1 de dezembro de 2009

SOBERANIA É DEMOCRACIA




Recollemos o manifesto de Causa Galiza pola soberania nacional para o povo galego da vindeira manifestaçom do 6 Dezembro de 2009. O acto vai-se celebrar em Compostela e irá acompanhado dumha romaria popular na Alameda com concertos e jantar incluido. Para mais informaçom consultade o web de Causa Galiza: causagaliza.org

Nem Autonomia, nem constituiçom espanhola,

nem Estatuto de naçom:

Galiza pola Autodeterminaçom

O projecto espanhol acha-se em plena ofensiva contra os direitos nacionais da Galiza e do resto de naçons submetidas à dominaçom imposta pola Constituiçom de 1978. Hoje, trinta e um anos depois da aprovaçom do texto pactuado com o franquismo polas principais forças espanholas, a supervivência da Naçom Galega acha-se em perigo.

O Estado espanhol após três décadas tentando impor umha implacável assimilaçom da Galiza nom cessa na sua tentativa hegemónica de aniquilar-nos como Povo e como Naçom. Para poder atingir estes objectivos necessita acelerar a destruiçom dos sinais medulares da nossa identidade.

Contrariamente ao que o sistema afirma, a raquítica descentralizaçom administrativa contemplada nessa constituiçom e o posterior Estatuto de Autonomia de 1981 tenhem-se demonstrado eficaces ferramentas para aprofundar e perpetuar a nossa exploraçom económica, opressom cultural e dominaçom política.

Qualquer reforma tendente a incrementar competências ou aparentar avançar no “autogoverno” nom som mais que manobras diversionistas para desviar atençom sobre a nossa carência de soberania, e para procurar melhorar o nosso “encaixe” no seio desta cárcere de povos chamada Espanha, que nega direitos fundamentais como o de autodeterminaçom.

Para poder solucionar os enormes problemas económicos, sociais, culturais, meio-ambientais, que padece o povo trabalhador galego e a Galiza é necessário superar a opressom nacional a que nos submete o capitalismo espanhol.

Após quatro anos de governo PSOE-BNG continuista com o fraguismo, a recuperaçom de Sam Caetano polo PP activou a implementaçom de umha beligerante estratégia espanholista que se pudor pretende destruir o nosso idioma e cultura. Nesta intolerante atmósfera de agressom contra a língua nacional da Galiza promovida polos sectores mais extremistas o PSOE activa a guerra do topónimo da Corunha.

Simultaneamente a grave crise estrutural capitalista fai recair sobre a classe trabalhadora, a imensa maioria do nosso povo, as nefastas conseqüências de um modelo socio-económico que provoca um cada vez maior desigual distribuiçom da riqueza e a marginalizaçom e empobrecimento da nossa pátria.

Esta adversa conjuntura só se pode entender pola claudicaçom da direcçom do nacionalismo institucional com o projecto espanhol. Polas suas práticas entreguistas que lamentavelmente deslocárom amplos sectores populares à desmobilizaçom e aceitaçom de políticas timoratas e acomplexadas.

Perante este panorama cumpre procurar amplas convergências de todas as forças e activistas políticos e sociais que consideramos que Galiza é umha Naçom com direitos inalienáveis, que é o Povo Galego o único sujeito legítimo para decidir o seu destino, que a mobilizaçom e organizaçom popular é a melhor garantia para evitar sermos absorvidos por Espanha.

Causa Galiza apela a todas as galegas e galegos que desde parámetros patrióticos e de esquerda consideram que chegou a hora de ocupar a rua e fazer frente a ofensiva espanhola a aderir a esta iniciativa difundindo que o exercício de autodeterminaçom é a chave para umha Galiza soberana.

Hoje, quando celebram a sua constituiçom que conculca os nossos direitos básicos impossibilitando decidirmos livremente o nosso futuro, nós nom temos nada que celebrar e muito que demandar.

Galiza, 6 de Dezembro de 2009.

Entre as Portelas: galeguismo persistente nas comarcas orientais

À margem da galeguidade étnica e idiomática das comarcas do leste, existe um amplo abano de atitudes sociais ante a possibilidade de se reencontrarem com o tronco da naçom. Fala-se muitas vezes da hostilidade asturianista contra o galego no Návia-Eu, ou dos germolos de consciência galega que resistem no oeste do Berzo. Menos se repara na pequena e significativa resistência entre as duas Portelas (a Canda e o Padornelo). Na chamada Baixa Seabra, sobrevivem condutas que olham para a Galiza inteira, e que mesmo tomam presença institucional. Aproveitamos que a Agrupaçom de Montanha "Augas Limpas" celebrou o seu acampamento de verao no concelho de Luviám para sabermos as expectativas e as sérias ameaças contra estas terras.

Luviám é a cabeça dum concelho situado na Alta Seabra, num vale onde desemboca a Serra Segundeira, e por onde decorrem os rios Bibei e Tuela. O concelho agrupa os lugares de Acibeiros, Chaos, Hedradas, Hedroso e Padornelo. Assenta num vale de origem glaciar, de orografia quebrada, dumha importáncia inigualável em todo o território galego. O concelho -como em geral toda a Seabra- passou mui discretamente pola história do nosso país, e as mençons a Luviám ainda som mais escassas nas fontes. No conhecido Dicionário de Madoz (1850) fala-se dumha pequena comarca que produz centeio, linho, patacas, hortaliças e frutas, dedicando-se à cria de vacum; na altura Luviám nom chegava aos 300 habitantes, polo que se mantinha em níveis semelhantes aos de hoje. A diferença, que nom é insignificante, acha-se na dedicaçom dos seus habitantes: em pleno século XXI, o progresso sentenciou que nestes lugares de montanha nom se devia viver da agricultura, de maneira que hoje apenas sobrevive umha exploraçom ovina, outra apícola, e dez vacas em todo o concelho.

Umha história silenciosa

Os séculos passárom lentamente em Luviám, deixando um legado modesto e importante. O castro do Castrilhom e o das Muradelhas; no primeiro, a arqueologia de primeiros do século XX já topou restos de jóias, olaria e umha moeda romana, e a lenda popular situava mouros custodiando alfaias; no segundo, datado entre os séculos IV e V a. de Cristo (e portanto muito antes do submetimento da Gallaecia nas "guerras cántabras"), ainda se distingue a dupla muralha, os fossos, e os campos de pedras fitas. Dos enfrentamentos da vizinhança com as manadas de predadores ficou um imenso "Cortelho dos Lobos", situado mui perto do centro do concelho. No seu recinto circular, cavado na aba do monte, encerravam-se os lobos, que nom davam saltado os mais de três metros de valo; lá eram capturadosvivos, e logo passeados polas vilas da contorna, num ritual de vários dias. A vizinhança colaborava assim economicamente para manter esta pequena infra-estrutura colectiva, que se entendia benéfica para todos.

A história de Luviám tem ressonáncias mais familiares se entrarmos nos tempos recentes: como porta de saída da Galiza para Espanha, as Portelas acolhiam a Igreja da Tuíça, lugar de passagem obrigada para os segadores que marchavam às Castelas; oferecidos à virgem de ida, diz a tradiçom que deixavam os seus focinhos de volta, agradecendo o bem sucedido da sua viagem. E ainda mais recentemente, a dificultosa construçom do caminho de ferro Ourense-Samora alentou um importante movimento obreiro e acendeu algumha das greves mais importantes da etapa republicana. Apenas o franquismo, que rematou a obra aproveitando mao-de-obra escrava, composta por presos políticos, puido sufocar umha mudança social que chegou a umha das comarcas mais recónditas do país. A propósito, esta linha ferroviária desvalorizar-se-á asinha; quase nem concorrerá com a ditadura do carro particular, senom que se enfrentará ao comboio do turismo massivo e os executivos, o AVE. Do velho comboio ficarám velhos apeadeiros esboroados (ainda a dia de hoje nom tenhem luz), o recordo das luitas, e dos muitos carrilanos que finárom de silicose trás anos de trabalho nos túneis.

Galeguidade inquestionável

Já na década de 50, e em plena universidade franquista, o professor Cortés y Vázquez publicou a obra "El dialecto galaico portugués hablado en Lubián", onde afirma: "quigéramos, desde as primeiras linhas, advertir dous feitos decisivos que provam que nem geográfica nem historicamente existe relaçom entre esta regiom e o resto das terras samoranas. Seja o primeiro a presença lá do rio Bibei, o único que em toda a província nom pertence à bacia do Douro, senom à do Minho, já que se trata dum afluente do Sil (...) Quanto ao aspecto histórico e humano, assinalemos que a partir do Padornelo e cara ao oeste começa (...) a se falar umha outra língua: o galego, constituindo a dupla barreira imposta polos montes, dumha banda, e pola fala, doutra, um feito isolante desta zona do resto de Seabra”.

Como é sabido, o mapa assumido polo arredismo galego vai mui além destas consideraçons e, sem contemplar o idioma como único definidor da nacionalidade, integra na Galiza toda a comarca seabresa e berciana, junto com a Cabreira, independentemente de serem historicamente falantes de leonês ou de castelhano. O debate já foi recolhido nas páginas de NOVAS DA GALIZA mas, seja como for, todo o erudito minimamente rigoroso reconhece a galeguidade das partes ocidentais de ditas bisbarras. O mesmo Cortés y Vázquez, no seu livro dos anos 50, recolhe um orgulho lingüístico infrequente, e que poucas vezes se tem analisado: "ao invés da zona leonesa da Seabra, em que o dialecto se perde a passos agigantados, por terem os seus habitantes um marcado complexo de inferioridade idiomática ao crerem que falam mal castelhano e ouvi-lo assim de boca de mestres e funcionários, nom ocorre o mesmo na zona samorana de fala galaicoportuguesa, pois os seus habitadores sabem que nom falam mal, senom que falam outra língua".

Esta consciência idiomática, que sobrevive e avantaja a existente em muitas comarcas da Galiza autonómica, tem merecido a atençom do movimento galego em tempos recentes. Tanto é assim que a RAG tem como académico nom numerário a Felipe Lubián Lubián, Presidente da Cámara Municipal; e também a associaçom Redes Escarlata outorgava a este mandatário o "prémio Vidal Bolaño" em reconhecimento ao seu labor dignificador do próprio. As festas patronais do concelho acolhêrom grupos como A Quenlla ou Quempallou, e vários locais municipais fôrom utilizados pola Agrupaçom de Montanha "Augas Limpas" no passado Setembro.

O progresso a debate

Eis um dos paradoxos da Galiza oriental: nas jornadas celebradas pola organizaçom independentista, partilhárom debate na casa da cultura umha activista do Grupo de Agitaçom Social de Vigo, um concelheiro do Partido Popular, e o mesmo alcalde, expondo posiçons absolutamente encontradas com toda normalidade. A cena, que seria inimaginável em qualquer concelho da autonomia, abriu umha pequena ilha de democracia no lugar mais inesperado. O colóquio também pujo de manifesto que, perante a falta absoluta de qualquer alternativa socioeconómica produtiva, a vizinhança aplaude qualquer medida do desarrolhismo que se traduza em dinheiro vivo: autovia, parques eólicos, ou TAV som acolhidos com os braços abertos e os seus custos, assumidos como "parte do progresso". Isto é assim graças à seduçom da propaganda, mesmo apesar da achega zero das grandes infra-estruturas: a autovia forçou a fechar negócios do concelho, e o AVE passará polas Portelas sem se deter nem um segundo.

Por palavras simples, melhor ricos e desnaturalizados que pobres e dignos. Os valores tradicionais, como a austeridade, a poupança ou a lealdade à casa já fôrom totalmente banidos polo desejo de promoçom social nas cidades, um nível de consumo alto, e a mobilidade permanente considerada como direito básico. Esta escolha, por outro lado, tampouco é demasiado distinta à que faz qualquer galego de qualquer comarca. Com a única diferença de que em outras zonas, menos avelhentadas, mais diversificadas economicamente, e com mais recursos materiais e culturais, podem ser ensaiadas alternativas mais sensatas. A montanha, desatendida por todas as instituiçons e riscada de "território do atraso", pode pregar-se sem oposiçom aos grandes negócios dos de sempre.
Antom Santos

Detalhes para o Acampamento 2017 Olá montanheiras! Já está toda pronto para o acampamento: esta sexta-feira, dia 15 de S...