1ª MARCHA
( 5 e 6 de Novembro de 2005)

Bosques de Santalavilha

Baixando ao povo de Santalavilha

Lindíssima panorámica das montanhas da Cabreira (Concelho de Benuça)

RESENHA GEOGRÁFICA, ECOLÓGICA E SÓCIO-POLÍTICA

Os Montes Aquilianos tomárom o seu nome das águias reais que antano abundárom por estas alturas. Este pequeno sistema montanhoso separa as comarcas galegas de A Cabreira e O Berzo, ambas as duas pertencentes administrativamente à província espanhola de Leom.

A sua altitude máxima é o alto da égua, à sua vez o teito da Galiza, com 2.143 m de altitude, encravado no concelho cabreirês de Castrilho da Cabreira. Outras altitudes significativas desta cordal montanhosa som a emblemática Aquiana (nalguns mapas aparece como Guiana), mirador por antonomasia da fossa do Berzo, com 1.849 m; o Tesom, com 1.810 m; o Pico Torto, com 2.051 m e o alto das Berdiaínas, com 2.116 m.

Estamos ante um espaço de meia e alta montanha, com invernos duros, onde a neve faz acto de presença habitual durante grande parte do outono, inverno e parte da primavera. Os Aquilianos som a melhor atalaia para contemplar umha boa parte das terras extremeiras galegas: Ancares, Courel, Enzinha da Lastra, Trevinca, montanhas da Cabreira, serra do Gistredo, fossa do Berzo e Valdeorras.

Os Montes Aquilianos destacam polo seu alto componhente de flora endémica, que vive exclusivamente nesta zona. Quatro som as principais espécies rupículas (que vivem nos rochedos) endémicas: Petrocoptis grandiflora, Petrocoptis glaucifolia subsp. viscosa, Leontodon farinosus, Campanola arbatica subsp. adsurgens. E umha espécie que vive nos pastios caliços: Geranio dolomiticum.

Os Aquilianos contam com a presença de umha próspera populaçom de lobos e de aves rapazes. Por ser um habitat importante para as aves rapazes (contabilizárom-se até onze parelhas de águias reais) foi declarado como zona internacional ZEPA (Zona de Especial Protecçom de Aves), formando parte da proposta do Estado espanhol de inclusom na Rede Natura 2.000 (rede europeia).

Estas declaraçoes som só isso, meras declaraçoes que nom servem para quase nada, incapazes de paralisar, por exemplo, as agressoes ecológicas e o espólio de recursos, como a exploraçom de pedra caliça nas canteiras ubicadas neste singular espaço montanhoso.

A vegetaçom potencial desta área geográfica é o bosque de cerquinho ou rebolo (Quercus pyrenaica). Nas cotas altas dos Aquilianos podemos encontrar-nos com urzes, alfombras de echinospartum, carqueixas, armérias, crócus, cervum, breixos e giestas. Nos bosques que caem ao sul da cordal (Concelho de Benuça, das Terras da Cabreira) encontramos toda umha explosom de espécies vegetais: cerquinhos, sobreiras, azinheiras, choupos, avelairas, pradairos, castinheiros, nogueiras, salgueiros, freixos, urzes, lavândulas, tomilhos, pinheiros, azivos, rascacus, giestas, piornos, arandos...etc.

Destaca o sobreiral de Santalavilha (gravemente afectado polo terrível incêndio que afectou à Cabreira o verao de 2.005). Este sobreiral é umha massa boscosa muito aclarada, com umha extensom de 10 ha. Trata-se de um dos bosques relitos de sobreira mais norocidentais de Europa.

Corologicamente (classificaçom que une distintos conceitos como tipo de clima, piso bioclimático, tipo de solo e localizaçom geográfica) estas monhanhas formam parte da regiom mediterránea, província carpetano-vetónica, sector ourensano-seabrense e piso oromediterráneo.

Nas estribaçoes dos Aquilianos, perto das famosas Médulas de Carucedo (antiga exploraçom aurífera romana) encontra-se a cresta caliça de Penas de Ferradilho (forma parte de um afloramento de caliças e dolomias que vai desde Penalva até as Médulas, passando por Ferradilho).

Ao seu pé está o povo já totalmente abandonado de Ferradilho, situado no Concelho de Priarança do Berzo. Ferradilho foi o quartel geral e principal centro neurálgico da Federaçom de Guerrilhas de Galiza entre 1.941 e 1.943, antes de ceder-lhe o relevo ao montes e vales de Casaio (Concelho de Carvalheda de Valdeorras) entre 1.943 e 1.946.

Em Ferradilho levou-se a cabo o primeiro congresso, fundacional, da Federaçom de Guerrilhas de Galiza, ao que assistírom 24 guerrilheiros. Também se celebrárom o 2º e 3º congressos da Federaçom, em Junho e Setembro de 1.943 respectivamente. Ferradilho, Aquilianos, Berzo e Cabreira estám indissoluvelmente unidos ao histórico guerrilheiro Manuel Girom Bazám, de Barrios de Salas, O Berzo.

Este guerrilheiro galego começou a luita armada guerrilheira contra Franco com 25 anos e foi assassinado o 2 de Maio de 1.951 no monte (Molinha Seca-Berzo) por um infiltrado da guarda civil quando contava com 41 anos. Nos seus anos de militança armada formou parte da Federaçom de Guerrilhas (1.941-1.947) e do Exército Guerrilheiro (1.948-1.951). O Girom foi o guerrilheiro galego mais carismático e querido, aglutinador e líder natural dos combatentes que luitárom nestas montanhas galegas.

A AGRUPAÇOM DE MONTANHA AUGAS LIMPAS (A.M.A.L.) é umha organizaçom independentista de defesa da terra. Toma o seu nome de um dos campamentos que o Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive tinha nos Montes do Invernadoiro, no Maciço de Maceda.

A Terra galega comprende a actual Galiza administrativa e os territórios históricos orientais da Terra Návia-Eu, Vale de Íbias e Berzo,
a Cabreira e a Seabra.

A defesa da Terra implica conhecer, sentir, respeitar, desfrutar e identificar-se com o nosso País, o seu povo e a sua cultura.

A defesa da Terra implica defender o direito das galegas e galegos a vivermos dignamente no nosso território, sem ingerências impostas desde fora.

A defesa da Terra implica viver e relacionar-se com outras pessoas e com a natureza longe dos parámetros do consumo, individualismo e depredaçom capitalistas.

A defesa da Terra implica construir umha comunidade de resistência que faça frente à violência e espólio sistemáticos que se exercem sobre os recursos naturais, económicos e identitários da Galiza.


A AGRUPAÇOM DE MONTANHA AUGAS LIMPAS tem como actividades:

  • Conhecimento e desfrute da nossa Terra.
  • Marchas e campamentos de montanha.
  • Conscientizaçom e denúncia das agressons sobre o nosso território.


As actividades desenvolvem-se em território galego. O funcionamento interno é assembleário, havendo responsáveis de distintas funçons e actividades.

O símbolo da AGRUPAÇOM DE MONTANHA AUGAS LIMPAS é um/ha montanheiro/a com cabeça de cabra, símbolo de identificaçom com a nossa Terra.

Poderá fazer parte da A.M.A.L. qualquer galeg@ que partilhe estes princípios e esteja dispost@ a participar nas suas actividades.