MARCHA AOS ANCARES

Os dias 3 e 4 do mês de Março as e os montanheiros de A.M.A.L fizemos umha marcha aos Ancares. A Marcha começou o dia 3 pola tarde, com o ascenso a Três Bispos (1792 m), e o dia 4 tentamos a subida ao teito da serra, o Cuinha (1987 m), que impediu um forte temporal de chuvia e neve.






Aldeia de Degrada, de onde partiu a marcha a Três Bispos. Montanheira jogando com um papaventos.

Ascenso a Três Bispos. Os Ancares caracterizam-se pola ampla diversidade florestal. Na foto, um acivro carregado de frutos, duns 5 metros, e umha fraga mágica.

Caminho do cúmio, nas zonas sombrias, começamos a encontrar neve.


Vistas de Pena Rúbia durante o ascenso a Três Bispos.


Última paragem, antes de alcançar a cimeira.
Chegada à cimeira de Três Bispos. Desde esta altura podemos contemplar ao Norte os pontos mais altos da Cordilheira Cantábrica, ao Leste o vale onde se assenta a cidade de Ponferrada, com os Montes de Aquilano de fundo, e ao Sul o Maciço de Trevinca.











O Domindo dia 4 desplazamonos de carro até a aldeia de Piornedo(1200 m), a mais emblemática dos Ancares. De origem pré-romana, Piornedo conserva ainda várias palhoças em bom estado e alguns canastros de planta quadrada com a cuberta de colmo. Nos últimos 50 anos perdeu dous terços da sua populaçom pola emigraçom. Hoje vivem umhas 50 pessoas, com ingressos surgidos da gadaria majormente, e cada vez mais do turismo.








As palhoças foram moradas habitadas até a década dos 70, quando a chegada da estrada possibilitou a chegada de novos materiais de construcçom, assim como a de visitantes que acodiam asombrados polo suposto "atrasso" daquelas gentes. Perante estes factos a gente foi construindo casas de estilo moderno, com o qual ficavam as vivendas tradicionais unicamente como cortelhos para o gado. Nos últimos anos têm aparecido iniciativas para conservar todo este património, elaboradas por "técnicos" alheios. A última ameaça foi a ideia de converter a aldeia num "parque temático", atirar aos seus habitantes e reubica-los numhas moradas novas a certa distáncia. Mas Piornedo está vivo e as suas gentes querem viver lá, e seguem a resistir das ameaças da turistificaçom.

Começamos a ascensom por um trilho a beira da igreja de Piornedo. Mais adiante chega-se a umha pequena campa que há que atravessar, cruzando um pequeno rio por umha ponte de madeira. Continua o ascenso entre azevinhos, vidoeiros, capudres e alguns carvalhos, por um caminho pedregoso, que é para o uso gadeiro. O caminho remata numha chaira que foi em épocas passadas um circo glaciar, onde se concentrava a neve e o geo desprendidos polo Mostalhar(1924 m), a Pena Longa (1842) e a Cima dos Lagos (1842 m). Nesta chaira existe umha vranha e umha zona de pastos aproveitados desde muitos anos atrás. Prova disto é a existência dumha edificaçom de pedra na que se acovilhavam @s vizinhas de Piornedo, que por quendas vigiavam as vacas dos ataques dos lobos. Junto a esta edificaçom ainda existem também restos de muros dos currelos onde se guardava o gado pola noite. Esta construçom chama-se usualmente "cavana dos estremenhos", embora o nome é incorrecto. A verdadeira cavana dos estremenhos estava situada um pouco mais face a ladeira do monte, e hoje está totalmente desaparecida. Nela residiam pastores que vinham de "trasumáncia" com as ovelhas desde as longinquas terras da meseta castelhana. Ve-se a importáncia dos pastos de estas montanhas, aproveitados desde séculos atrás, o que indica que o suposto isolamento dos Ancares realmente foi imposto polo progresso e a modernidade.


Ascendemos cara a golada que separa Pena Longa do Mostalhar, onde achamos umha barreira de arámio que delimita as zonas de aproveitamento gadeiro, e que foi utilizada para demarcar o artificial limite da CAG. Desde aqui dirigimonos ao Norte cara Pena Longa deixando às nossas costas o Mostalhar.
Ainda bem nom chegaramos à cimeira de Pena Longa, um forte temporal de neve obriganos a suspender o ascenso cara Cuinha, e desviamonos pola ladeira oriental de Pena Longa, para depois dumha longa e dura caminhada, topar com umha senda que nos levaria a aldeia de Suarbol (1140 m), a três Km de Piornedo.

Suarbol foi umha aldeia de palhoças até a década de 50, quando um incêndio deixounas practicamente destroçadas. As casas foram reconstruidas, embora nom se fizer o mesmo com as palhoças. A emigraçom esvaciou a aldeia e hoje umha só família vive lá, porém numerosas casas estám reabilitadas, e ocupadas por turistas no verao. A sua igreja é um fermoso exemplo de arquitectura religiosa de montanha, com a sua torre acessível do exterior.


Resenha ecológica.

A Serra de Ancares é uma sucessão de vales e cristas salientes em que, ocasionalmente, sobressaem barras quartzíticas. Trata-se duma sucessão de vales encaixados paralelos uns aos outros, abertos pelos afluentes do rio Navia, como o Ser, Quindous, Vara, Casal, Cervantes ou Valdeparada, ou pelos pertencentes à bacia do Sil, como é o caso do Cuinha, Burbia, Telheira e Valcarce. Em grande medida a serra corresponde ao interflúvio Navia-Sil.
Uma parte muito importante da serra está ocupada pelo monte baixo. Isto mostra a intensa humanização a que esteve submetida ao longo dos séculos. Entre as numerosas espécies dominam as urzes, como a Erica aragonensias, E. cinerea, E. arborea o E. umbelhata ou a Genistelha tridentata. Com elas convivem outras espécies características destas formações como as giestas ou os piornos.
Ancares reune um conjunto de "fragas" esplêndido. Entre elas são de destacar a Grova Fragosa e Calangros de Brego, no Monte Pena Rúbia; As Monteiras e Cabanavelha, na Serra do Pando e o Abesedo de Donís, no vale do rio Ortigal. Como noutros lugares de montanha, as fragas de Ancares situam-se preferentemente nas vertentes orientadas para norte, em vertentes de forte declive, sendo muito mais escassas nas vertentes orientadas para sul. O esquema ideal da vegetação de Ancares inicia-se no fundo dos vales com a existência de carvalhos robles, Quercus robur, freixos, Fraxinus angustifolia, choupos, Alnus glutinosa e sauces, Salix sp. À medida que subimos começam a aparecer as aveleiras, Corylus avelhano e os ulmeiros, Ulmos glaba. Nos cumes do interior da serra, onde as condições climáticas mudam, aparecem os azevinhos, Ilex aquifolium, os plátanos bastardos, Acer pseudoplatanus, os carvalhos robles alvares, Quercus petraea, ou os servunais, como o Sorbus aucuparia, sendo mais abundantes as aveleiras.
É nas partes culminantes da serra onde se torna mais visível o papel da orientação sobre a vegetação arbórea. Assim, nas vertentes mais solarengas, dominam sobre as plantas antes citadas, o carvalho negral, Quercus pyrenaica, espécie que tolera muito melhor a insolação e os curtos períodos de seca que costuma haver no verão. Acima destas formações, independentemente da sua orientação, aparecem os bosques de vidoeiros, Betula celtibérica, ao lado dos quais é possível encontrar azevinhos, servunais, algumas urzes e alguns teixos, Taxus baccata ou faias Fagus sylvatica. A acção dos homens e das mulheres ao longo dos séculos modificou em muitos lugares este esquema.
Os bosques de Ancares servem de habitat a espécies raras ou em perigo de extinção como a marta, Martes martes, a galinha do monte (urogalho), Tetrae urogalhus ou, esporadicamente, o urso, Ursus arctos.










A AGRUPAÇOM DE MONTANHA AUGAS LIMPAS (A.M.A.L.) é umha organizaçom independentista de defesa da terra. Toma o seu nome de um dos campamentos que o Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive tinha nos Montes do Invernadoiro, no Maciço de Maceda.

A Terra galega comprende a actual Galiza administrativa e os territórios históricos orientais da Terra Návia-Eu, Vale de Íbias e Berzo,
a Cabreira e a Seabra.

A defesa da Terra implica conhecer, sentir, respeitar, desfrutar e identificar-se com o nosso País, o seu povo e a sua cultura.

A defesa da Terra implica defender o direito das galegas e galegos a vivermos dignamente no nosso território, sem ingerências impostas desde fora.

A defesa da Terra implica viver e relacionar-se com outras pessoas e com a natureza longe dos parámetros do consumo, individualismo e depredaçom capitalistas.

A defesa da Terra implica construir umha comunidade de resistência que faça frente à violência e espólio sistemáticos que se exercem sobre os recursos naturais, económicos e identitários da Galiza.


A AGRUPAÇOM DE MONTANHA AUGAS LIMPAS tem como actividades:

  • Conhecimento e desfrute da nossa Terra.
  • Marchas e campamentos de montanha.
  • Conscientizaçom e denúncia das agressons sobre o nosso território.


As actividades desenvolvem-se em território galego. O funcionamento interno é assembleário, havendo responsáveis de distintas funçons e actividades.

O símbolo da AGRUPAÇOM DE MONTANHA AUGAS LIMPAS é um/ha montanheiro/a com cabeça de cabra, símbolo de identificaçom com a nossa Terra.

Poderá fazer parte da A.M.A.L. qualquer galeg@ que partilhe estes princípios e esteja dispost@ a participar nas suas actividades.