2 de maio de 2008

Do monte Pindo ás Terras do Jalhas




No passado sábado 22 de Março, o grupo local de Compostela Agrupaçom de Montanha “Augas Limpas” visitamos a Costa da Morte e a Comarca do Jalhas. Saimos do monte Pindo, um dos lugares da mitologia galega, e andamos a serra da Runha, rumo à devesa de Anlhares e o concelho de Maçaricos. Som as paisagens bravas do ocidente da Galiza: relevos ondulados, alturas modestas, grandes zonas agrárias e gadeiras, e redutos das fragas que sobrevivírom aos lumes e as repovoaçons alcoliteiras. Umha comarca rica em património megalítico e lendas populares, que foi cenário da luita guerrilheira e de confrontos em defesa da mao comum. Hoje está ameaçada polo plam piscícola da Junta (Quilmas), polo sector eólico e pola voracidade de Ferroatlántica, que saquea o Jalhas com as suas centrais eléctricas. Nenhuma destas indústrias de lixo salva a comarca da emigraçom e o despovoamento.

Lendas:

O monte Pindo é umha imensa mole de granito rosa cujo cúmio (chamado a Moa) acada os 627 metros de altura. Existem numerosas lendas sobre este cúmio, que os historiadores románticos chamárom “Olimpo Celta”.

O Pindo domina as terras do Fim do Mundo, sendo o fogar das deidades galegas. Muito correm os contos, lendas e histórias deste lugar, que chegárom a suscitar o interesse em persoeiros galegos dos mais variados ámbitos.

Os nossos antergos só soubérom explicar a viçosa e curiosa geomorfologia do Pindo, inçada de relevos em bolos de granito, mediante histórias de deidades, esculturas, ou monstros e gigantes míticos, e lendas que enchérom de ilusom e fachenda aos habitantes destas terras, que transmitírom de pais a filhos, durante séculos, contos de tesouros fabulosos, belíssimas princesas, roteiros segredos, serpentes de sete cabeças, fadas encantadas, sacrifícios e ritos de fecundidade –que ao parecer vivêrom até tempos mui recentes-...que dérom forma à tradiçom que situa neste lugar o monte sacro dos celtas galegos. Obviando as lendas, o que si se topárom som numerosos restos arqueológicos, como petróglifos, trebelhos de bronze e, ao que parece, restos dumha velha hermida.

Topa os seus complementos ideais na praia de Carnota, a mais longa da Galiza, e cuja aparência muta seguido; também na espectacularidade da fervença do Jalhas no Éçaro, único lugar da Europa onde um rio cai em férveda directamente sobre as águas do océano. O espectáculo é, agora, raramente observável por mor do encoramento das águas do Jalhas em Dumbria. Apenas podemos desfrutar dele os domingos de Julho e Agosto. Estas som as terras do combate mítico de Dumbria. O topónimo refere a existência dumha importante citánia nestes eidos, como indica o vocábulo Dunn, palavra da antiga língua céltica galega. Precisamente, o historiador romántico Benito Vicetto enquadra em terras de Dumbria, na sua Historia de Galicia de 1865, o combate mitológico livrado entre Céltigo e Noério, chefes do clam dos primeiros galegos. A batalha foi cantada e exaltada polo bardo Pondal.

As lendas tampouco nom se esquecêrom da paragem vizinha do Jalhas, pois dize-se que trás dessa fervença da que caem directamente as águas sobre o mar, existe umha porta mágica guardada por bruxas, que levará em baixo do rio o moço que se atreva a passar, podendo daquela casar com umha bela princesa encantada e possuir umha enorme fortuna.

Riquezas naturais:

A difícil acessibilidade do Pindo guardou virgem durante séculos o mais grande tesouro ao que qualquer lenda pudera ter-se referido: um conjunto natural único, um autêntico edém de espécies naturais raramente visíveis em nenhuma outra parte do mundo. A jóia desta coroa é o carvalho anao (quercus lusitanica), cujo assentamento é único na Galiza. No Pindo toparemos vários exemplares desta espécie, declarada em risco de extinçom, e que soubo coexistir com outros carvalhos como os quercus robur e quercus pyrenaica, com pinheiros como o pinus pinaster, pinus radiata e pinus sylvestris, e com loureiros (laurus nobilis), acivros (ilex aquifolium)... e com outras espécies de alto valor ecológico.

Rota:

Estas pedras, assi que imos subindo, ganham em tamanho e começam a debuxar as mais variadas formas antropomorfas. Algumhas delas têm nome de seu, como o guerreiro do chao de Sam Lourenço, perto do que podemos ver também o que resta dumha exploraçom de wolfram.

A pouco de começar achamos numerosos moinhos de água em estado de abandono, e com umha cova em que se refugiárom, ao igual que em outras zonas do Pindo, numerosos guerrilheiros da IV Agrupaçom durante os anos posteriores a 1936, dado o seu difícil acesso e os muitos lugares para se agachar.

Contra a metade da subida, aparecem ante nós as ruinas do antigo castelo de Sam Jorge, na actualidade um conjunto de pedras amoreadas. No século X, o bispo de Íria Fávia, Sisnando, ordenou a construçom da rocha forte nas beiras do monte para defender estas terras dos contínuos ataques dos piratas. Habitárom-no várias famílias nobres, até que foi destruido em 1467 na segunda guerra irmandinha. Diz-se que há cincuenta anos ainda se podiam ver parte dos muros, desfeitos polos buscadores de tesouros.

Possivelmente ainda haveria dous castelos neste contorno. O estudioso e galeguista Carré Aldao fala-nos de três fortalezas: a de Canedo, fora dos limites do monte; a de Sam Jorge, já nomeada, situada no alto do Pedrulho, face o porto de Quilmas, e a de Penafiel, no monte do mesmo nome. Ainda que nom se conservam restos materiais determinantes nem documentaçom analisável, si há umha inscriçom em latim numha pedra isolada, que testemunha toda umha época:

"Reis, bispos, presbíteros, todos por poderes recebidos de Deus, excomulgárom aqui este castelo".

A inscriçom, ainda hoje visível, fai referência à excomunhom que no ano 1130 lançou o arcebispo Gelmires contra o conde de Traba, por ter prisioneiro no seu castelo ao Arcediano de Trastámara.

A vegetaçom começa a rarear conforme subimos e, se tivermos sorte, poderemos ver greas de cabalos bravos.
Ao chegarmos aos primeiros cúmios, o carreiro colhe direcçom norleste e logo norte, para acedermos à plataforma pétrea polo leste.
Quando pisamos o cúmio, o espectáculo que dá nas vistas compensa o esforço realizado. Do promontório há umha panorámica privilegiada da zona: Cabo Fisterra, a ria de Corcubiom, a desembocadura do Jalhas...e grande parte do litoral galego aos nossos pés. Também podemos ver um conjunto de petróglifos e caçoletas formadas polos muitos anos de erossom da chuva.

O padre bieito Martinho Sarmiento fijo umha ampla referência a este monte, dizendo que o seu nome fora posto pola sua semelhança com o Pindo da Greça; até mesmo parece haver nos seus outeiros um coro de musas. O padre recolhe várias histórias e lendas sobre ele, como que a erva do Pindo medra muito da noite à manhá; que existem infinitas ervas medicinais, ou que a ele acodiam as parelhas estéreis, com a intençom de conseguirem descendência.

Xosé Barreiro Barral, grande estudoso deste maciço, afirma que na sua primeira visita a este lugar, alô polo ano 1932, topou os restos dum antigo povoado, e era aqui onde se situava umha das três aras sextianas.
Deste ponto iremos cara Arcos, onde nos deteremos um bocado nas fervenças de Noveira. Logo atravessaremos os montes da Runha (645 m) e iremos para a Devesa de Anlhares: o segundo bosque atlántico mais grande do contorno e também o mais ocidental da Europa. Se nom o impedirmos, tem os seus dias contados em vista do futuro projecto hidráulico que aumentará a sobreexploraçom do Jalhas.


Detalhes para o Acampamento 2017 Olá montanheiras! Já está toda pronto para o acampamento: esta sexta-feira, dia 15 de S...