18 de novembro de 2008

Intervençom de AMAL na palestra: O modelo de desenvolvemento actual e as luitas ecologistas na Galiza



Sam Joam de Rio, 19 de Setembro de 2008

Boa tarde a todas e todos,

A Agrupaçom de Montanha 'Aguas Limpas' nasceu há agora três anos. Nom inventou nada novo, apenas queria revitalizar um legado importante do independentismo, para ajeitá-lo aos novos tempos. Um velho lema diz que "para defender a terra hai que amá-la; e para amá-la há que conhecê-la". Isto, que parece umha obviedade, nom o é tanto, nem o foi tempo atrás. Para combater a ignorância que sobre a nossa riqueza e o nosso património tinha tanto galeg@, nascêrom o Seminário de Estudos Galegos, na década de 20; os grupos Ultreia, na década seguinte. E, mais perto de nós, a Coordenadora Galega de Roteiros, que em tempos mais difíceis que estes (quando o independentismo ainda se estava a recompor com novas geraçons) obrigou a muitos e muitas de nós a calçar as botas e andar as corredoiras.

Ao longo de catorze roteiros, nesta pequena jeira andada, volvêrmos a pôr os pés na Terra. @s galeg@ do século XXI vivemos cada vez mais numha borbulha de artificialidade, longe da base material, que será a única que permita recompor a Galiza do futuro. Horas das nossas vidas perdem-se em trabalhos insalubres, que produzem lixo; o nosso lazer ata-se ao dinheiro, o que à sua vez nos obriga a ser mais dóceis com o patrom; renunciamos a olhar o mundo com os próprios olhos e perdemos horas diante das pantalhas, aguardando que outros nos expliquem a película; nom sabemos quando vai chover nem que saúde tem o nosso monte; isso si, conhecemos melhor Amsterdam ou Bilbao que as parróquias do nosso concelho.

De AMAL queremos contribuir a rematar com este sem sentido, sabedores que umha verdadeira emancipaçom nacional passa por conhecer milimetricamente o nosso. Por isso, para nós, a paisagem nom é um debuxo de postal, como para os amantes dos parques naturais e passeantes em todo terreno. A paisagem som as vizinhanças que se resistem a deixar a Terra dos seus; a história de luita gravada nas pedras, nas corredoiras, nas aldeias e nas vilas; as derrotas históricas -tantas- e as pequenas vitórias; a Terra que nom é virgem, senom produto do trabalho abnegado de geraçons de galegas e galegos. Conhecer e amar umha Terra nom é doado: precisa-se pelejar com inercias, abandonar de quando em vez o asfalto, deixar a molice do consumo. Mas é barato e gratificante: precisam-se só umhas botas, umhas boas calças, e uns mapinhas de orientaçom.

Além do conhecimento, de AMAL também quixemos pular pola irmandade, umha palavra clássica e mui importante no nosso soveranismo. Dos Irmandinhos às Irmandades e o PG, chegando ao EGPGC. Vivemos rodeados de mensagens, palavras, ondas e pantalhas, todo é ruído. Mas a comunicaçom nom abunda. Porque para que haja comunicaçom precisa-se algo de silêncio (e silêncio sobra nos nossos montes, sobretudo naqueles que as conselharias do BNG ainda nom destroçárom), e ganhas de intercambiar ideias. O ruído -como a música electrónica- só pretende evadir-nos, "desconectar-nos" e fazer-nos esquecer. O diálogo pretende formar-nos. Durante demasiado tempo a política (também a independentista) foi umha sucessom de ruídos, de debates absurdos, de discussons por palavrinhas. Sair ao monte, partilhar jornadas e trabalhos por parte das pessoas implicadas em tantas frentes de trabalho (centros sociais, meios de comunicaçom, colectivos anti-repressivos...) serve também para assentar a nossa comunidade de resistência.

E finalmente, a AMAL nom se nos escapa que nom todo é contemplaçom (por necessária que for), nem trabalho interno (que também é preciso). Os independentistas precisamos organizaçons de acçom. Como alô onde imos vemos a desfeita, for em forma de espólio energético, canteiras, autovias, desertizaçom de aldeias, também queremos levar a denúncia. O nosso berro, diredes, é apenas um matiz contra tanto latrocínio. É-o. Um grauzinho de areia, mas sabendo que som estes grauzinhos, geraçom trás geraçom, os que fam o monte; e que som os graus de areia, por vezes, os que estragam a engrenagem mais grande e mais complicada. Em três aninhos sementamos e deixamos umha mensagem incómoda, que deve de ser continuada: pugemos em causa a ideia do progresso e do crescimento económico, como se a riqueza dum país se pudesse medir num PIB (que só mede o número de transacçons monetárias dum território); resgatamos a ideia de austeridade, de viver dignamente com pouco, e pugemos em circulaçom a necessidade dum decrescimento pilotado por gente de abaixo.

O caminho foi aberto e, neste país dos mil rios e "vicioso de caminhos" (como dizia um clássico), ainda resta todo por andar e luitar. Convidamos-vos a fazê-lo com nós.

Saúde e Pátria.



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