Galiza está a ponto de se converter em uma grande mina a céu aberto

Desde ria-as Baixas até o interior de Lugo e Ourense, a Xunta de Galicia está aprovando dezenas de enormes projetos mineiros, muitos deles altamente poluentes. Serafín González, presidente da Sociedade Galega de História Natural e pesquisador do CSIC, acha que deixar via livre às multinacionais mineiras de todo mundo será uma sentença de morte para a Galiza: suporá a destruição de patrimônio natural, cultural e paisajístico, a contaminaçom do meio, e um grande risco para a saúde das pessoas.

Quais som as ameaças que enfrenta a Galiza?
  1. O exemplo mais conhecido até agora é o de uma enorme mina a céu aberto para extrair ouro (mal 1,6 gramas por tonelada de rochas) em Corcoesto (A Corunha). A extraçom de ouro nom só deixaria grandes feridas na terra: pela cada quilo de ouro, além de consumir-se 128 kg de cianuro no processo, se gerariam 4.000 toneladas de resíduos e escombros que conteriam, finamente molido e muito soluble, 250 kg. de arsênico antes "atrapado" dentro das rochas e pouco soluble. Mas Corcoesto seria só o primeiro de uma série de projetos de megaminería: a mesma multinacional canadense Edgewater quer explodir também a mina das Foxas em Santa Comba e há ao menos outros cinco projetos de explorações mineiras a céu aberto de ouro e de prata em território galego.
  2. Uma multinacional sul-africana está realizando tarefas de prospecçom face à abertura de uma mina de coltám e terras raras na Serra do Galinheiro, em Vigo, que teria um enorme impacto ambiental, paisajístico e populacional, já que o espaço projetado da mina afeta diretamente a vários núcleos de população. Em uma mina semelhante localizada em Baotou (Chinesa), as toxinas decorrentes da exploraçom acabaram envenenando a água, os cultivos e aos próprios habitantes, de acordo com um relatório da Agência Reuters do ano 2010.
  3. No meio do Parque Natural das Fragas do Eume, um dos locais mais belos e mágicos da Galiza, se planeja a abertura de uma mina de andalucita a tão só 50 metros do limite do Parque Natural, na confluência do rio principal e alguns de suas afluentes.
  4. A Xunta de Galicia tem uma "aposta decidida pela busca de jazigos de gás natural não convencional", segundo o Diretor Xeral de Indústria, Enerxía e Minas. Isto é, uma aposta decidida pela fratura hidráulica ("fracking"), uma técnica de extraçom enormemente agressiva e perigosa, que consiste em perfurar e injetar a pressom grandes volumes de água (90%), arena (9,5%) e produtos químicos (0,5%), alguns de grande toxicidade, no subsolo para fraturar as camadas de xistos ou lousa e fazer aflorar à superfície o gás que contêm estas rochas. É impossível recuperar todo o volume de água e produtos químicos poluentes injetados na cada um dos poços, se envenenando assim chãos e acuíferos. Também nom se consegue atrapar todo o gás que se liberta das rochas, pelo que até um 3-8% passa diretamente à atmosfera agravando o efeito invernadeiro.
  5. A Xunta de Galicia nom só quer permitir novas exploraçons: por causa do aumento dos preços a nível mundial querem ser reaberto antigas minas de metais por toda Galiza, tanto as que ainda mantêm em vigor os direitos mineiros como aquelas para as que se declarou sua caducidad e que a Xunta quer reativar as sacando a concurso público, como já ocorreu nas províncias da Corunha (ao menos 10 pedidos aprovados ou em trâmite para minas de estaño e wolframio) e Ourense.
A Xunta vende estas atuaçons à populaçom galega como uma "oportunidade de criaçom de postos de trabalho". Mas nom tem interesse algum em divulgar as terríveis conseqüências que esta intensiva atividade mineira pode ter no futuro e, ignorando as muitas vozes na contramão, aprova declarações "exprés" de impacto ambiental pouco rigorosas e sem as devidas salvaguarda (aval bancário e/ou seguro de responsabilidade civil) necessárias para que os contribuintes nom tenhamos que pagar outro possível desastre como o de Aználcollar.

Tanto a minaria a céu aberto como a fratura hidráulica têm amplos efeitos na saúde das pessoas e no médio ambiente, como demonstram numerosas investigaçons de caráter científico e os dados que chegam desde comunidades afetadas em todo mundo. Muitas exploraçons mineiras da Galiza, em marcha ou projetadas, ignoram a área de proteçom necessária para núcleos de populaçom e meios naturais, pelo que é inevitável que estes danos se produzam.

E em definitiva, a Xunta de Galicia nom propóm quais serám os efeitos a nível ambiental e de saúde nas pessoas uma vez estes projetos finalizem sua vida operativa. As empresas se irám, o emprego associado a elas desaparecerá, mas, qual será o alcance do dano para esta geraçom e as futuras? Uns quantos postos de trabalho precários e limitados no tempo nom podem hipotecar o futuro de umha Terra e a saúde de sua gente.

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