3ª MARCHA. MACIÇO DE TREVINCA

MARCHA AO MACIÇO DE TREVINCA. DIAS 1 E 2 DE ABRIL
A fim de semana do 1 e 2 de Abril AMAL organizou umha nova marcha montanheira ao Maciço de Trevinca. Oito montanheir@s da Agrupaçom figêrom umha travessia circular que tivo como ponto de partida e chegada a localidade de Porto, da comarca galega de Seabra. A caminhata transcorreu integramente polo Parque Natural Lago de Seabra e polo concelho de Porto. Ascendeu-se ao segundo cume mais alto da Naçom Galega (Pena Trevinca: 2.127 m), desfrutando de umha das paisagens de alta montanha mais lindas da nossa Terra. Estivemos no nascimento do rio Bibei, um dos grandes rios do País (afluente do rio Sil) e contemplamos o maior conjunto de lagoas de origem glaciar de toda a Península, depois dos Pirineus, que alberga interessantíssimas formaçoes vegetais como som as turfeiras.
A marcha consistiu num percorrido de aproximadamente 45 Qm e 14 horas de pateada.
Canhom do Cárdenas. Ao fundo pode-se olhar parte da Lagoa de Seabra
Lagoa do Quadro (de origem glaciar), na meseta da serra segundeira. 1.680 m
Barragem de Veiga de Tera (1.510 m). Lagoa de origem glaciar repressada por Fenosa. O 9 de Janeiro de 1959 rebentou alagando a localidade galega de Ribadelago. Morrêrom perto de 150 pessoas. Muitas delas desaparecidas para sempre.
Olhando a barragem (rota e hoje inactiva) de Veiga de Tera e o Val glaciar do rio Tera. À esquerda , a serra SegundeiraDesfrutando das vistas ao val do Tera desde o refúgio (1.550 m)Preparando a ascensom a Pena Trevinca sobre o mapaLagoa de Lacilho (1.700 m), ao pé do Moncalvo (2.044 m)
O gelo cobria grande parte da lagoa de Lacilho
Caminho de Pena Trevinca
Subindo ao Penhasco Vedado (2.014 m)
Último tramo para coroar o segundo cume mais alto da Galiza
Panorámica do Maciço de Trevinca desde a sua maior altitude. Em primeiro plano os altos da Súrbia (2.050 m). Ao fundo os altos da serra Segundeira
Pena Trevinca (2.127 m). A segunda maior altitude da Naçom galega
De regresso a Porto. Pode-se observar o val glaciar do rio Bibei ao fundo
RESENHA GEOGRÁFICA
O Concelho galego de Porto é o que tém a maior superfície de parque natural. O parque tém umha extensom de 22.365 hectares, que correspondem, na sua maior parte, a áreas de meia e alta montanha das serras segundeira e Cabreira.
Porto é um município de 200 Qm quadrados de superfície, que ocupa o noroeste da comarca galega de Seabra. Só tém um núcleo de populaçom, Porto, com aproximadamente 400 habitantes. Limita com as comarcas galegas de Valdeorras, Viana e A Cabreira. Porto, junto com Pias, Luviám, Ermisende e Requeixo, formam o conjunto de territórios da comarca de Seabra nos que ainda se fala galego de forma maioritária.
RESENHA SÓCIO-ECONÓMICA
Como muitas outras comarcas galegas do interior, a especial configuraçom montanhosa de Seabra condicionou, dalgum jeito, os usos do solo e a base económica da comarca. Globalmente, o seu território está praticamente ocupado num 70% por formaçoes florestais, preferentemente de porte arbustivo, e por eriais, e unicamente num 15% por pastizais. A comarca baseou historicamente a sua supervivência numha autárquica economia de montanha, numha agricultura de subsistência a base de cultivos resistentes às duras condiçoes climáticas como o centeo. O espaço agrário foi sempre bastante limitado, ocupando as zonas próximas aos principais núcleos de populaçom, os terreos menos montanhosos e mais abertos e o fundo dos vales. Precisamente alguns destes vales fôrom alagados polas barragens de Fenosa, como a de Sam Sebastiám e a de Pias. A gandaria, principal elemento da base económica comarcal, sofre actualmente os problemas derivados das políticas capitalistas de exploraçom e consumo.
O espólio energético adquire os mesmos tintes dramáticos que no resto da Naçom: inundaçom dos melhores vales, desfeita do meio natural e drenagem de QW cara fora. Fenosa construiu nos anos 60 as presas de Pias e Sam Sebastiám (ou Porto), que depois vendeu a ENDESA. Também repressou, para o seu aproveitamento hidroeléctrico, várias lagoas de origem glaciar do alto da serra, produzindo umha grave perda da sua fisonomia primitiva. Tal é o caso das barragens de Garandoes, Cárdena, Ponte Porto, Veiga de Conde e Veiga de Tera. Esta última rebentou o 9 de janeiro de 1.959, matando 8 quilómetros abaixo a mais de 145 pessoas de Ribadelago (a maioria desapareciedas) e mais de 1000 cabeças de gado. Esta presa nunca volveria a funcionar e ainda hoje é visível a rotura. Todas estas lagoas-barragens serám visitadas. Actualmente este complexo hidroeléctrico é explorado por ENDESA (presa de Valdesirgas, presa de Ponte-Porto, presa de Pias e S. Sebastiám, presa da Praia, presa de Cárdens e presa de Garandoes). Este complexo tém o seu centro neurálgico na Central Eléctrica de Moncabril, de onde se exporta a electricidade para Espanha.
A proliferaçom de pistas florestais támbém supoe umha séria ameaça para este frágil sistema lacustre. Nom deveria dar-se via livre à realizaçom de novas infraestruturas para a melhora da comunicaçom interna entre sectores da comarca afastados por importantes barreiras orográficas, pois isto conlevaria umha perda da qualidade paisagística da zona. As pistas florestais devem cumprir unicamente a sua funçom na economia tradicional do lugar, evitando-se o passo a estas do cada vez mais importnte turismo todo-terreno.
RESENHA ECOLÓGICA
Na parte sul do maciço de Pena Trevinca instalárom-se durante os períodos frios do quaternário vários aparatos glaciares que acadavam o seu máximo desenvolvimento sobre os vales do Tera e, em menor medida, sobre os do Bibei e Jarés. Actualmente as pegadas da passada actividade glaciar persistem no terreno em forma de numerosas lagoas. Em total som algo mais de trinta lagoas permanentes, ademais de muitas outras charcas e formaçoes lacustres menos estáveis. A maioria estám ubicadas dentro dos actuais limites do Parque Natural do Lago de seabra. O Lago de Seabra, alimentado polo Tera, é o maior da Península de origem glaciar.
As turfeiras: Muitas das cubetas formadas polos depósitos glaciares (que som as menos profundas) e algumhas das originadas por sobreexcavaçom da rocha (mais profundas) fôrom-se recheando polo aporte de sedimentos e a colmataçom causada polo crescimento da vegetaçom e dos musgos formadores de turfeiras (musgo chamado Sphagnum). Na actualidade este lento processo continua e algumhas das lagoas que conhecemos poderám, com o transcurso dos anos, chegar a converter-se em em turfeiras. Estas formaçoes vegetais, verdadeiras relíquias, testigos do nosso passado biológico, tenhem a peculiaridade de acumular grande quantidade de auga que, no árido ambiente serrano, proporcionam humidade ambiental e surtem de caudal aos pequenos arroios que doutro jeito secariam por completo durante os meses de verao. As turfeiras devem ser consideradas no nosso País como verdadeiras formaçoes relitas e em perigo de desapariçom e como tal protegidas, já que, ademais, proporcionam um hábitat exclusivo a numerosas espécies de animais e de plantas que ficárom ilhadas nelas durante a retirada dos gelos. Os parques industriais eólicos já tenhem destruído turfeiras importantes como as da Serra do Gistral (Lugo).
Em Seabra convivem mais de 1.500 espécies vegetais (655 espécies catalogadas nos limites do Parque Natural), e um elevado número de endemismos, o que representa umha notável riqueza florística. Esta grande diversidade botánica é, em boa parte, conseqüência da sua situaçom geográfica. As montanhas de Seabra (que formam parte do Maciço ourensano-seabrense-cabreirense) constituem, junto com as de Valdeorras, o limite ou a transiçom dos domínios climáticos mediterráneo e eurosiberiano.
Em Seabra, o clima, caracterizado fundamentalmente por umha elevada pluviosidade, rigorosidade invernal com geladas tardias e certa xericidade estival, determina que a vegetaçom dominante seja a caracterizadas polos bosques caducifólios de óptimo eurosiberiano que penetram na regiom mediterránea naquelas zonas de temperatura e humidade favoráveis. Tais formaçoes arvóreas estám representadas basicamente polas carvalheiras (reboleiras), ainda que também as bidueiras e ameneiros adquirem certa relevância. O bosque dominante é, portanto, a reboleira formada por pés relativamente jovens de Quercus pyrenaica, espécie que melhor se adpta às características bioclimáticas do piso supramediterráneo, bem adaptado aos frios do inverno e à prolongada estiagem. Porém, quando a rigorosidade térmica alcança áreas de elevada altitude (por acima de 1.500 m) estas agrupaçoes serám substituídas por queirugais (Erica australis, Erica tetralix, Erica umbellata), gesteiras (Genista sanabrensis, endémica da zona; Genista anglica, Genista obtusirramea), genebreiros rastreiros (Juniperus communis subsp. alpina) e pastizais de montanha (pastizais de cervum e de festuca).
Também a fauna se aproveita da grande variedade de ambientes para diversificar-se. Existem dentro do Parque Natural mais de 190 espécies de vertebrados. Delas, 7 espécies de peixes encontram o seu hábitat no lago, as lagoas e as augas cristaínhas dos rios e arroios. Sobrevoam estas montanhas 17 espécies de rapazes diurnas, algumhas tam escasas na Galiza como a águia real, o minhato abelheiro e o falcom peregrino. Nos lugares apartados da serra pode ver-se também ao bufo real. Os reptis contam em Seabra com 10 espécies, entre elas duas espécies de víbora, a nortenha (Vipera seoanei) e a fuzinhuda (Vipera latasti), clara mostra da coexistência de espécies alpinas e mediterráneas; a lagartixa de turfeira, de muito escasa distribuiçom peninsular e o lagarto arnal (lacerta lepida). Nas zonas húmidas, nas lagoas, as fontes e perto das correntes de auga encontram o seu hábitat 10 espécies de anfíbios entre rás, tritoes e píntigas.
Entre as 41 espécies de mamíferos presentes na comarca, encontra-se o Desmám dos pirinéus (Galemys pyrenaicus), escorregadiço mamífero aquático de costumes noturnos e bom indicador da pureza destes cursos fluviais pois só sobrevive em augas cristaínhas, vários mustélidos (londra, marta, arminho, gardunha, tourom e porco teixo), o corço, a lebre, o coelho, o javali, o gato montês, a geneta, o raposo, o leirom careto e o lobo.
A LUITA GUERRILHEIRA
A luita guerrilheira ántifranquista tivo em muita maior medida como cenário as estribaçoes de trvinca Norte e serra do Eixo. Na zona sul do Maciço (comarca de Seabra), a sua incidência foi muitíssimo menor. À Seabra chegárom, se bem debilmente, as actividades da primeira e segunda agrupaçoes da Federaçom, actuantes no Berzo-A Cabreira e o oriente ourensano respectivamente e as actividades da segunda agrupaçom do Exército Guerrilheiro, a partir de 1.947, coincidindo com as actividades da guerrilha do Girom polas terras da Cabreira. Duas fôrom as acçoes que mais transcendêrom polas suas conseqüências na perda de vidas humanas. O 8 de Setembro de 1.939, em Barjacova (Pias) umha guerrilha constituída por 6 combatentes leva a cabo umha acçom económica, com o resultado de duas execuçoes e duas pessoas detidas. A noite do 19 ao 20 de Abril de 1.940 um grupo de guerrilheiros toma a vila de A Ponte (município de Galende) e executa ao párroco e vários conhecidos simpatizantes do regime franquista. No lugar conhecido como Penas Brancas (As corbaceiras), perto do encoro de Valdesirgas e a 4 quilómetros de Porto morreu em combate o guerrilheiro galego José Veiga Seoane, O Ânimas, de Jares (Concelho de A Veiga). Em 1.945 um encontro armado entre a Guarda Civil e guerrilheiros da I e II Agrupaçoes da Federaçom deixou um balanço de quatro guardas civis mortos. O Ânimas perderia a vida neste choque ao explodir-lhe a granada que se dispunha a lançar sobre a patrulha.

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