5 de março de 2007

MARCHA AOS ANCARES

Os dias 3 e 4 do mês de Março as e os montanheiros de A.M.A.L fizemos umha marcha aos Ancares. A Marcha começou o dia 3 pola tarde, com o ascenso a Três Bispos (1792 m), e o dia 4 tentamos a subida ao teito da serra, o Cuinha (1987 m), que impediu um forte temporal de chuvia e neve.






Aldeia de Degrada, de onde partiu a marcha a Três Bispos. Montanheira jogando com um papaventos.

Ascenso a Três Bispos. Os Ancares caracterizam-se pola ampla diversidade florestal. Na foto, um acivro carregado de frutos, duns 5 metros, e umha fraga mágica.

Caminho do cúmio, nas zonas sombrias, começamos a encontrar neve.


Vistas de Pena Rúbia durante o ascenso a Três Bispos.


Última paragem, antes de alcançar a cimeira.
Chegada à cimeira de Três Bispos. Desde esta altura podemos contemplar ao Norte os pontos mais altos da Cordilheira Cantábrica, ao Leste o vale onde se assenta a cidade de Ponferrada, com os Montes de Aquilano de fundo, e ao Sul o Maciço de Trevinca.











O Domindo dia 4 desplazamonos de carro até a aldeia de Piornedo(1200 m), a mais emblemática dos Ancares. De origem pré-romana, Piornedo conserva ainda várias palhoças em bom estado e alguns canastros de planta quadrada com a cuberta de colmo. Nos últimos 50 anos perdeu dous terços da sua populaçom pola emigraçom. Hoje vivem umhas 50 pessoas, com ingressos surgidos da gadaria majormente, e cada vez mais do turismo.








As palhoças foram moradas habitadas até a década dos 70, quando a chegada da estrada possibilitou a chegada de novos materiais de construcçom, assim como a de visitantes que acodiam asombrados polo suposto "atrasso" daquelas gentes. Perante estes factos a gente foi construindo casas de estilo moderno, com o qual ficavam as vivendas tradicionais unicamente como cortelhos para o gado. Nos últimos anos têm aparecido iniciativas para conservar todo este património, elaboradas por "técnicos" alheios. A última ameaça foi a ideia de converter a aldeia num "parque temático", atirar aos seus habitantes e reubica-los numhas moradas novas a certa distáncia. Mas Piornedo está vivo e as suas gentes querem viver lá, e seguem a resistir das ameaças da turistificaçom.

Começamos a ascensom por um trilho a beira da igreja de Piornedo. Mais adiante chega-se a umha pequena campa que há que atravessar, cruzando um pequeno rio por umha ponte de madeira. Continua o ascenso entre azevinhos, vidoeiros, capudres e alguns carvalhos, por um caminho pedregoso, que é para o uso gadeiro. O caminho remata numha chaira que foi em épocas passadas um circo glaciar, onde se concentrava a neve e o geo desprendidos polo Mostalhar(1924 m), a Pena Longa (1842) e a Cima dos Lagos (1842 m). Nesta chaira existe umha vranha e umha zona de pastos aproveitados desde muitos anos atrás. Prova disto é a existência dumha edificaçom de pedra na que se acovilhavam @s vizinhas de Piornedo, que por quendas vigiavam as vacas dos ataques dos lobos. Junto a esta edificaçom ainda existem também restos de muros dos currelos onde se guardava o gado pola noite. Esta construçom chama-se usualmente "cavana dos estremenhos", embora o nome é incorrecto. A verdadeira cavana dos estremenhos estava situada um pouco mais face a ladeira do monte, e hoje está totalmente desaparecida. Nela residiam pastores que vinham de "trasumáncia" com as ovelhas desde as longinquas terras da meseta castelhana. Ve-se a importáncia dos pastos de estas montanhas, aproveitados desde séculos atrás, o que indica que o suposto isolamento dos Ancares realmente foi imposto polo progresso e a modernidade.


Ascendemos cara a golada que separa Pena Longa do Mostalhar, onde achamos umha barreira de arámio que delimita as zonas de aproveitamento gadeiro, e que foi utilizada para demarcar o artificial limite da CAG. Desde aqui dirigimonos ao Norte cara Pena Longa deixando às nossas costas o Mostalhar.
Ainda bem nom chegaramos à cimeira de Pena Longa, um forte temporal de neve obriganos a suspender o ascenso cara Cuinha, e desviamonos pola ladeira oriental de Pena Longa, para depois dumha longa e dura caminhada, topar com umha senda que nos levaria a aldeia de Suarbol (1140 m), a três Km de Piornedo.

Suarbol foi umha aldeia de palhoças até a década de 50, quando um incêndio deixounas practicamente destroçadas. As casas foram reconstruidas, embora nom se fizer o mesmo com as palhoças. A emigraçom esvaciou a aldeia e hoje umha só família vive lá, porém numerosas casas estám reabilitadas, e ocupadas por turistas no verao. A sua igreja é um fermoso exemplo de arquitectura religiosa de montanha, com a sua torre acessível do exterior.


Resenha ecológica.

A Serra de Ancares é uma sucessão de vales e cristas salientes em que, ocasionalmente, sobressaem barras quartzíticas. Trata-se duma sucessão de vales encaixados paralelos uns aos outros, abertos pelos afluentes do rio Navia, como o Ser, Quindous, Vara, Casal, Cervantes ou Valdeparada, ou pelos pertencentes à bacia do Sil, como é o caso do Cuinha, Burbia, Telheira e Valcarce. Em grande medida a serra corresponde ao interflúvio Navia-Sil.
Uma parte muito importante da serra está ocupada pelo monte baixo. Isto mostra a intensa humanização a que esteve submetida ao longo dos séculos. Entre as numerosas espécies dominam as urzes, como a Erica aragonensias, E. cinerea, E. arborea o E. umbelhata ou a Genistelha tridentata. Com elas convivem outras espécies características destas formações como as giestas ou os piornos.
Ancares reune um conjunto de "fragas" esplêndido. Entre elas são de destacar a Grova Fragosa e Calangros de Brego, no Monte Pena Rúbia; As Monteiras e Cabanavelha, na Serra do Pando e o Abesedo de Donís, no vale do rio Ortigal. Como noutros lugares de montanha, as fragas de Ancares situam-se preferentemente nas vertentes orientadas para norte, em vertentes de forte declive, sendo muito mais escassas nas vertentes orientadas para sul. O esquema ideal da vegetação de Ancares inicia-se no fundo dos vales com a existência de carvalhos robles, Quercus robur, freixos, Fraxinus angustifolia, choupos, Alnus glutinosa e sauces, Salix sp. À medida que subimos começam a aparecer as aveleiras, Corylus avelhano e os ulmeiros, Ulmos glaba. Nos cumes do interior da serra, onde as condições climáticas mudam, aparecem os azevinhos, Ilex aquifolium, os plátanos bastardos, Acer pseudoplatanus, os carvalhos robles alvares, Quercus petraea, ou os servunais, como o Sorbus aucuparia, sendo mais abundantes as aveleiras.
É nas partes culminantes da serra onde se torna mais visível o papel da orientação sobre a vegetação arbórea. Assim, nas vertentes mais solarengas, dominam sobre as plantas antes citadas, o carvalho negral, Quercus pyrenaica, espécie que tolera muito melhor a insolação e os curtos períodos de seca que costuma haver no verão. Acima destas formações, independentemente da sua orientação, aparecem os bosques de vidoeiros, Betula celtibérica, ao lado dos quais é possível encontrar azevinhos, servunais, algumas urzes e alguns teixos, Taxus baccata ou faias Fagus sylvatica. A acção dos homens e das mulheres ao longo dos séculos modificou em muitos lugares este esquema.
Os bosques de Ancares servem de habitat a espécies raras ou em perigo de extinção como a marta, Martes martes, a galinha do monte (urogalho), Tetrae urogalhus ou, esporadicamente, o urso, Ursus arctos.










16 de fevereiro de 2007

PROXIMAS MARCHAS DA A.M.A.L.


MARCHA AOS ANCARES

3, 4 de Março

Desde o Albergue "Campa da Branha" (Degrada, Concelho de Cervantes)
-Assembleia de montanheir@s. Sábado 3, às 11h.
-16 h. Partida da marcha (ascenso a Pena Rúbia e Cresta), fazendo noite no albergue (5 euros)
-Regresso: Domingo às 19 h.
-Material: Comida para as duas jornadas, roupa de abrigo, saco-cama.
-Confirmar assistência antes do 26 de Fevereiro (para reservar praças no albergue)


MARCHA A SERRA DO LAROUCO

31 de Março, 1 de Abril.

*Os dados som orientativos
Desde a Agra do Sol (Concelho de Baltar)
-10 h. Partida com ascenso ao Larouco.
-Noite nas proximidades da aldeia de Ninho de Águia.
-Assembleia de montanheir@s.
-Caminhada polas beiras do Faramontaos e visita a Fraga da Rousia (onde se encontra umha aldeia abandonada a meados do XVII)
-Regresso: Domingo às 16 h.
-Material:Comida, saco, tenda

10 de abril de 2006

3ª MARCHA. MACIÇO DE TREVINCA

MARCHA AO MACIÇO DE TREVINCA. DIAS 1 E 2 DE ABRIL
A fim de semana do 1 e 2 de Abril AMAL organizou umha nova marcha montanheira ao Maciço de Trevinca. Oito montanheir@s da Agrupaçom figêrom umha travessia circular que tivo como ponto de partida e chegada a localidade de Porto, da comarca galega de Seabra. A caminhata transcorreu integramente polo Parque Natural Lago de Seabra e polo concelho de Porto. Ascendeu-se ao segundo cume mais alto da Naçom Galega (Pena Trevinca: 2.127 m), desfrutando de umha das paisagens de alta montanha mais lindas da nossa Terra. Estivemos no nascimento do rio Bibei, um dos grandes rios do País (afluente do rio Sil) e contemplamos o maior conjunto de lagoas de origem glaciar de toda a Península, depois dos Pirineus, que alberga interessantíssimas formaçoes vegetais como som as turfeiras.
A marcha consistiu num percorrido de aproximadamente 45 Qm e 14 horas de pateada.
Canhom do Cárdenas. Ao fundo pode-se olhar parte da Lagoa de Seabra
Lagoa do Quadro (de origem glaciar), na meseta da serra segundeira. 1.680 m
Barragem de Veiga de Tera (1.510 m). Lagoa de origem glaciar repressada por Fenosa. O 9 de Janeiro de 1959 rebentou alagando a localidade galega de Ribadelago. Morrêrom perto de 150 pessoas. Muitas delas desaparecidas para sempre.
Olhando a barragem (rota e hoje inactiva) de Veiga de Tera e o Val glaciar do rio Tera. À esquerda , a serra SegundeiraDesfrutando das vistas ao val do Tera desde o refúgio (1.550 m)Preparando a ascensom a Pena Trevinca sobre o mapaLagoa de Lacilho (1.700 m), ao pé do Moncalvo (2.044 m)
O gelo cobria grande parte da lagoa de Lacilho
Caminho de Pena Trevinca
Subindo ao Penhasco Vedado (2.014 m)
Último tramo para coroar o segundo cume mais alto da Galiza
Panorámica do Maciço de Trevinca desde a sua maior altitude. Em primeiro plano os altos da Súrbia (2.050 m). Ao fundo os altos da serra Segundeira
Pena Trevinca (2.127 m). A segunda maior altitude da Naçom galega
De regresso a Porto. Pode-se observar o val glaciar do rio Bibei ao fundo
RESENHA GEOGRÁFICA
O Concelho galego de Porto é o que tém a maior superfície de parque natural. O parque tém umha extensom de 22.365 hectares, que correspondem, na sua maior parte, a áreas de meia e alta montanha das serras segundeira e Cabreira.
Porto é um município de 200 Qm quadrados de superfície, que ocupa o noroeste da comarca galega de Seabra. Só tém um núcleo de populaçom, Porto, com aproximadamente 400 habitantes. Limita com as comarcas galegas de Valdeorras, Viana e A Cabreira. Porto, junto com Pias, Luviám, Ermisende e Requeixo, formam o conjunto de territórios da comarca de Seabra nos que ainda se fala galego de forma maioritária.
RESENHA SÓCIO-ECONÓMICA
Como muitas outras comarcas galegas do interior, a especial configuraçom montanhosa de Seabra condicionou, dalgum jeito, os usos do solo e a base económica da comarca. Globalmente, o seu território está praticamente ocupado num 70% por formaçoes florestais, preferentemente de porte arbustivo, e por eriais, e unicamente num 15% por pastizais. A comarca baseou historicamente a sua supervivência numha autárquica economia de montanha, numha agricultura de subsistência a base de cultivos resistentes às duras condiçoes climáticas como o centeo. O espaço agrário foi sempre bastante limitado, ocupando as zonas próximas aos principais núcleos de populaçom, os terreos menos montanhosos e mais abertos e o fundo dos vales. Precisamente alguns destes vales fôrom alagados polas barragens de Fenosa, como a de Sam Sebastiám e a de Pias. A gandaria, principal elemento da base económica comarcal, sofre actualmente os problemas derivados das políticas capitalistas de exploraçom e consumo.
O espólio energético adquire os mesmos tintes dramáticos que no resto da Naçom: inundaçom dos melhores vales, desfeita do meio natural e drenagem de QW cara fora. Fenosa construiu nos anos 60 as presas de Pias e Sam Sebastiám (ou Porto), que depois vendeu a ENDESA. Também repressou, para o seu aproveitamento hidroeléctrico, várias lagoas de origem glaciar do alto da serra, produzindo umha grave perda da sua fisonomia primitiva. Tal é o caso das barragens de Garandoes, Cárdena, Ponte Porto, Veiga de Conde e Veiga de Tera. Esta última rebentou o 9 de janeiro de 1.959, matando 8 quilómetros abaixo a mais de 145 pessoas de Ribadelago (a maioria desapareciedas) e mais de 1000 cabeças de gado. Esta presa nunca volveria a funcionar e ainda hoje é visível a rotura. Todas estas lagoas-barragens serám visitadas. Actualmente este complexo hidroeléctrico é explorado por ENDESA (presa de Valdesirgas, presa de Ponte-Porto, presa de Pias e S. Sebastiám, presa da Praia, presa de Cárdens e presa de Garandoes). Este complexo tém o seu centro neurálgico na Central Eléctrica de Moncabril, de onde se exporta a electricidade para Espanha.
A proliferaçom de pistas florestais támbém supoe umha séria ameaça para este frágil sistema lacustre. Nom deveria dar-se via livre à realizaçom de novas infraestruturas para a melhora da comunicaçom interna entre sectores da comarca afastados por importantes barreiras orográficas, pois isto conlevaria umha perda da qualidade paisagística da zona. As pistas florestais devem cumprir unicamente a sua funçom na economia tradicional do lugar, evitando-se o passo a estas do cada vez mais importnte turismo todo-terreno.
RESENHA ECOLÓGICA
Na parte sul do maciço de Pena Trevinca instalárom-se durante os períodos frios do quaternário vários aparatos glaciares que acadavam o seu máximo desenvolvimento sobre os vales do Tera e, em menor medida, sobre os do Bibei e Jarés. Actualmente as pegadas da passada actividade glaciar persistem no terreno em forma de numerosas lagoas. Em total som algo mais de trinta lagoas permanentes, ademais de muitas outras charcas e formaçoes lacustres menos estáveis. A maioria estám ubicadas dentro dos actuais limites do Parque Natural do Lago de seabra. O Lago de Seabra, alimentado polo Tera, é o maior da Península de origem glaciar.
As turfeiras: Muitas das cubetas formadas polos depósitos glaciares (que som as menos profundas) e algumhas das originadas por sobreexcavaçom da rocha (mais profundas) fôrom-se recheando polo aporte de sedimentos e a colmataçom causada polo crescimento da vegetaçom e dos musgos formadores de turfeiras (musgo chamado Sphagnum). Na actualidade este lento processo continua e algumhas das lagoas que conhecemos poderám, com o transcurso dos anos, chegar a converter-se em em turfeiras. Estas formaçoes vegetais, verdadeiras relíquias, testigos do nosso passado biológico, tenhem a peculiaridade de acumular grande quantidade de auga que, no árido ambiente serrano, proporcionam humidade ambiental e surtem de caudal aos pequenos arroios que doutro jeito secariam por completo durante os meses de verao. As turfeiras devem ser consideradas no nosso País como verdadeiras formaçoes relitas e em perigo de desapariçom e como tal protegidas, já que, ademais, proporcionam um hábitat exclusivo a numerosas espécies de animais e de plantas que ficárom ilhadas nelas durante a retirada dos gelos. Os parques industriais eólicos já tenhem destruído turfeiras importantes como as da Serra do Gistral (Lugo).
Em Seabra convivem mais de 1.500 espécies vegetais (655 espécies catalogadas nos limites do Parque Natural), e um elevado número de endemismos, o que representa umha notável riqueza florística. Esta grande diversidade botánica é, em boa parte, conseqüência da sua situaçom geográfica. As montanhas de Seabra (que formam parte do Maciço ourensano-seabrense-cabreirense) constituem, junto com as de Valdeorras, o limite ou a transiçom dos domínios climáticos mediterráneo e eurosiberiano.
Em Seabra, o clima, caracterizado fundamentalmente por umha elevada pluviosidade, rigorosidade invernal com geladas tardias e certa xericidade estival, determina que a vegetaçom dominante seja a caracterizadas polos bosques caducifólios de óptimo eurosiberiano que penetram na regiom mediterránea naquelas zonas de temperatura e humidade favoráveis. Tais formaçoes arvóreas estám representadas basicamente polas carvalheiras (reboleiras), ainda que também as bidueiras e ameneiros adquirem certa relevância. O bosque dominante é, portanto, a reboleira formada por pés relativamente jovens de Quercus pyrenaica, espécie que melhor se adpta às características bioclimáticas do piso supramediterráneo, bem adaptado aos frios do inverno e à prolongada estiagem. Porém, quando a rigorosidade térmica alcança áreas de elevada altitude (por acima de 1.500 m) estas agrupaçoes serám substituídas por queirugais (Erica australis, Erica tetralix, Erica umbellata), gesteiras (Genista sanabrensis, endémica da zona; Genista anglica, Genista obtusirramea), genebreiros rastreiros (Juniperus communis subsp. alpina) e pastizais de montanha (pastizais de cervum e de festuca).
Também a fauna se aproveita da grande variedade de ambientes para diversificar-se. Existem dentro do Parque Natural mais de 190 espécies de vertebrados. Delas, 7 espécies de peixes encontram o seu hábitat no lago, as lagoas e as augas cristaínhas dos rios e arroios. Sobrevoam estas montanhas 17 espécies de rapazes diurnas, algumhas tam escasas na Galiza como a águia real, o minhato abelheiro e o falcom peregrino. Nos lugares apartados da serra pode ver-se também ao bufo real. Os reptis contam em Seabra com 10 espécies, entre elas duas espécies de víbora, a nortenha (Vipera seoanei) e a fuzinhuda (Vipera latasti), clara mostra da coexistência de espécies alpinas e mediterráneas; a lagartixa de turfeira, de muito escasa distribuiçom peninsular e o lagarto arnal (lacerta lepida). Nas zonas húmidas, nas lagoas, as fontes e perto das correntes de auga encontram o seu hábitat 10 espécies de anfíbios entre rás, tritoes e píntigas.
Entre as 41 espécies de mamíferos presentes na comarca, encontra-se o Desmám dos pirinéus (Galemys pyrenaicus), escorregadiço mamífero aquático de costumes noturnos e bom indicador da pureza destes cursos fluviais pois só sobrevive em augas cristaínhas, vários mustélidos (londra, marta, arminho, gardunha, tourom e porco teixo), o corço, a lebre, o coelho, o javali, o gato montês, a geneta, o raposo, o leirom careto e o lobo.
A LUITA GUERRILHEIRA
A luita guerrilheira ántifranquista tivo em muita maior medida como cenário as estribaçoes de trvinca Norte e serra do Eixo. Na zona sul do Maciço (comarca de Seabra), a sua incidência foi muitíssimo menor. À Seabra chegárom, se bem debilmente, as actividades da primeira e segunda agrupaçoes da Federaçom, actuantes no Berzo-A Cabreira e o oriente ourensano respectivamente e as actividades da segunda agrupaçom do Exército Guerrilheiro, a partir de 1.947, coincidindo com as actividades da guerrilha do Girom polas terras da Cabreira. Duas fôrom as acçoes que mais transcendêrom polas suas conseqüências na perda de vidas humanas. O 8 de Setembro de 1.939, em Barjacova (Pias) umha guerrilha constituída por 6 combatentes leva a cabo umha acçom económica, com o resultado de duas execuçoes e duas pessoas detidas. A noite do 19 ao 20 de Abril de 1.940 um grupo de guerrilheiros toma a vila de A Ponte (município de Galende) e executa ao párroco e vários conhecidos simpatizantes do regime franquista. No lugar conhecido como Penas Brancas (As corbaceiras), perto do encoro de Valdesirgas e a 4 quilómetros de Porto morreu em combate o guerrilheiro galego José Veiga Seoane, O Ânimas, de Jares (Concelho de A Veiga). Em 1.945 um encontro armado entre a Guarda Civil e guerrilheiros da I e II Agrupaçoes da Federaçom deixou um balanço de quatro guardas civis mortos. O Ânimas perderia a vida neste choque ao explodir-lhe a granada que se dispunha a lançar sobre a patrulha.

9 de abril de 2006


NOM CONSUMIMOS PAISAGEM


As saídas ao monte som mais que um entretimento ou um exercício físico. Também som algo mais que um consumo compulsivo de beleza e de paisagem. Nom nos interessam os reptos, as marcas ou os desafios desportivos. Botar-nos ao monte significa saúde, convivência, conhecimento e luita. Por isso nas nossas mochilas nunca vai faltar umha bandeira, um sprai que nos dé voz ou um acto-manifesto reivindicativo. Queremos demoler a dissociaçom que o capitalismo espanhol faz das nossas vidas, enlatando-nos em tempos mortos para o lezer-consumo, para o trabalho, para a política. O novo tempo de vida vai ser simultaneamente um tempo de convivência, de desfrute, de esforço e luita. Queremos romper com qualquer tempo produtivo-responsável, valorizado e rotinário, para abraçar a vida e estabelecer umhas novas relaçoes sociais. O conhecimento só tém lugar no mundo da vida.


Combatemos a tecnocultura mercantil-promocional espanhola, que só produz espaços de lixo. Nom queremos olhar à nossa Terra convertida em 35.691,9 Qm2 de merda. Nom queremos que a nova ordenaçom tecnológica-metafísica do mundo medie os lugares nos que nascimos e vivemos. Esta terra na que jogamos, esta terra na que nos rebalgamos, esta terra na que bebemos e da que tiramos os alimentos é nossa.


Esta terra, este lugar, este espaço, esta paisagem som nossos porque neles estám inscritas as nossas vidas e a nossa memória colectiva e só nós temos direito a mediar novas interacçoes e articulaçoes específias das relaçoes sociais (sócioculturais) nom mercatilizadas. Ou defendemos os nosso espaços-de-vida ou sucumbimos na tumba do espaço-lixo espanhol, que faz incerto o lugar no que estamos, obstaculiza o caminho polo que imos e desmonta o sítio de onde vimos.


Combatemos implacavelmente a nova engenharia mercantilista da tam socorrida “posta em valor” dos recursos naturais, a face contável do espaço-lixo de marca. “A exteriorizaçom do espaço-lixo permitiu a profissionalizaçom da desnaturalizaçom, um ecofascismo benigno que situa um tigre siberiano em perigo de extinçom num bosque de tragaperras. O ar, a auga, a madeira: todo se realça para produzir umha hiperecologia santurronamente invocada para lograr o máximo rendimento”. O sistema produtor de mercadorias transforma o nosso espaço e o nosso tempo em mercadorias. A economia trabalha com eficiência para transformar toda a nossa terra num fedorento depósito de lixo à vez que nos extingue como povo. Os fundamentos naturais som destruídos pola lógica abstracta do dinheiro; mas a reparaçom dos fundamentos naturais, por sua vez, custa dinheiro, que primeiro tem de ser “ganho”. Para poder reparar as destruiçoes causadas polo dinheiro, a sociedade, portanto, tem de “ganhar” mais dinheiro e provocar mais destruiçoes. É fácil calular que tal círculo se torna cada vez mais vicioso, para prejuízo da natureza e dos fundamentos da vida. Assim é impossível solucionar o problema ecológico a partir da lógica estrutural do sistema.


Devemos impedir a vitória da economia sobre a vida. O dia que a primavera só seja umha campanha promocional do Corte Inglês esse dia teremos perdido para sempre o direito à dignidade.


Sabemos ademais que o lezer contemporáneo acabou configurando-se como um conjunto de actividades do tempo social decisivas em quanto aos mecanismos de consenso, reproduçom e estabilizaçom social. A indústria cultural-desportiva-de tempo livre converte em saneados negócios as actividades de lezer dos seus clientes e transforma os lugares que antes tinham umha complexa funcionalidade social e que suportavam as múltiplas manifestaçoes da sociabilidade em espaços-lixo mercantilizados para a roda da autovalorizaçom do dinheiro.


Se os galegos e galegas perdemos o controlo dos nossos espaços (e hoje, por diversas razoes, já é um facto imparável para quase a metade do nosso País) as novas categorias sociais da engenharia do espaço-lixo farám-se irreversíveis. Hoje já podemos comprovar como a guerra é total e implacável. Já nom há espaços de paz e de vida. Todo o nosso território é já um território de conflito, desde os centros urbanos, às periférias das cidades, passando polos cumes das nossas montanhas. É um conflito de dimensoes ambientais e sociais relacionado com o processo de mercantilizaçom total, de depressom comunitária, desposesom e desarticulaçom territorial, que está provocando profundas e irreversíveis transformaçoes funcionais dos nossos espaços.


As intervençoes do sistema capitalista espanhol sobre a nossa Terra som intervençoes planificadas e desestruturadoras, tratam-se de actos de violência sistemática. Esta violência exercita-se sobre o nosso espaço e a nossa sociedade fundamentalmente em forma de projectos de infraestruturas de diverso tipo. Infraestruturas relacionadas com a rapidez e capacidade dos fluxos de informaçom e a mobilidade pessoal como som as infraestruturas de transporte: estradas, autovias, auto-estradas e comboios de alta velocidade; infraestruturas energéticas: centrais hidroeléctricas, térmicas e incineradoras, parques eólicos, espólio de matérias primas; infraestruturas da turistificaçom e do tempo morto do lezer-consumo: passeios marítimos, portos desportivos-vip, áreas recriativas, parques e redes naturais; parques residenciais; concentraçoes parcelárias; controlo e depredaçom florestal: monocultivos, celuloses, incêncidos...etc.


Esta guerra total conta, aliás, com toda umha panóplia de novos conceitos, de novas sugerências, que som, dalgum jeito, o aduvo necessário para os novos consensos idelógicos sociais: desenvolvimento sustentável, horizontalidade das políticas ambientais, internalizaçom dos custos ecológicos, progresso... Estas novas figuras de reflexom teórico-filosófica e positivadoras da relaçom de valor devem pôr em consonância dinheiro e natureza sobre o pano de fundo de um mercado global pautado pola “eficiência económica” e polo “desafio ecológico”.


Nom somos turistas na nossa própria Terra. Nom consumimos paisagem. Porque nunca se consume o que forma parte da identidade própria. Só se consumem as “cousas”, o que está fora e é exterior. O chao que pisamos nom se compra nem se vende. Nom tém valor de câmbio. As nossas montanhas, a nossa paisagem nom som “cousas”, nom som “mercadoria”; som Terra, som Pátria, som País. País e paisagem tenhem a mesma raiz etimológica (do latim “pagus”: baliza ou marco metido na terra). De “pagus”, um rincom rural limitado por esteios, derivou “pagensis”, a ideia de um recorte ou espaço de território que se abrange num lance de vista. “Pagensis” evoluiu para “país” e daí “paisagem”. “O processo de construçom nacional é um processo de territorializaçom da história e de historicidade do território que se plasma visual -e simbolicamente- na paisagem”.


Paisagem som percepçoes, vivências sensíveis, emoçoes, sensaçoes e experiências, é realidade ecológica e social, é memória histórica reflectida ao longo dos tempos. Economia moderna (dinheiro) é, pola contra, abstracçom social (abstracçom geralizada e “real” da forma do valor) porque abstrai e destrui a referência ao mundo sensível e viola a existência de qualquer referência de conteúdos ou qualidade própria. Fazer valer as abstracçoes no mundo real signifia destruir a realidade, a negaçom brutal de todo o mundo somatossensorial e social. Nengumha propriedade jurídica pode separar aos galegos e galegas da sua terra, dos seus recursos naturais, já seja a propriedade de um Estado, de umha instituiçom pública ou a propriedade de um particular. O poder histórico dos galegos e galegas sobre a terra nom é nengum poder abstracto jurídico-polítio, é um poder de posessom, de controlo, de auto-administraçom comunal. Este poder é inegociável e irrenunciável.


Os cruçados do iluminismo (de toda cor e pelagem) , abraçados à roda de umha metafísica secularizada sinalam o patíbulo para os fundamentalistas: os “Senhores da Terra” (aristócratas das essências, devotos dos ícones telúricos). Que legitimidade tenhem os eunucos do chapapote para condenar a nossa relaçom sensível e identitária com a Terra? Eles, que se autoflagelam nos ícones e ídolos mais abstractos do iluminismo, que veneram santos laicos, que levantam teogonias, iconografias e hagiografias, que se escravizam a milheiros de vinculaçoes simbólicas exteriorizadas substraídas à reflexom, a universalidades abstractas (como a economia e o dinheiro) e ao fetichismo da democracia polítia de massas , que se aferram a cláusulas meta-lingüísticas, que construírom sujeitos históricos colectivo-metafísicos, que ontologizárom as formas próprias de socializaçom (capitalista) e os seus conceitos básicos, que convertêrom o tempo e a história numha paisagem lunar de monocoltivo intensivo, que “naturalizárom” as construçoes históricas da modernidade e as categorias ideológicas de legitimiaçom... Eles, que se arrastam por umha nova pseudo-natureza esterilizada e automatizada de desing-cyborg?


A geografia, a paisagem, a Terra, pode ser, sem dúvida, um ideologema nacionalitário, mas, se se quer, exactamente ao mesmo nível que operam outros ideologemas específicos ou elementos nacionalitários como a História ou a língua. Todos eles, formulados e convertidos em elementos nacionalitários por parte da intelectualidade nacionalista, permitírom fundamentar a existência da Naçom, explicitar o processo de construçom nacional, assim como o complexo simbólico que define umha identidade diferenciada. Que pode haver de espúrio no valor simbólico-identitário da Terra e da paisagem ou, se se quer, na sua “sobredeterminaçom” ideológica ligada ao projecto nacionalista? Exactamente a mesma “adulteraçom” da utilizaçom da História como valor ideológio fundamental, submetida, sempre, a um processo selectivo-configurador, mais ou menos ideológio, por parte dos historiadores. Há um nacionalismo “geográfico” (como necessidade de descoberta e reapropriaçom do espaço) na mesma medida que há um nacionalismo “lingüístico” ou um nacionalismo “histórico”, nem mais nem menos.


O tratamento da paisagem como referente identitário reproduziu-se em todas as Naçoes emergentes. Autores de muito diversas latitudes, imersos num processo político-cultural de construçom nacional tenhem feito do tema da paisagem um factor de criaçom de consciência nacional. Agora mesmo é um fenómeno recorrente nas literaturas produzidas em África.


A paisagem, concebida como bem colectivo da Naçom e elemento importantíssimo dentro do património identitário, também tivo na Galiza grande importância em toda a produçom do ressurgimento nacional e foi relevante para os momentos fundacionais da literatura nacional galega, onde a paisagem é a forma mais visível de dizer a naçom, a pátria, o país. Rosalia de Castro, máximo exponhente do ressurgimento cultural galego, escreve no prólogo de “Cantares Gallegos” (1863):


“(...) falsidade com que fóra de aqui pintam aos filhos de Galiza como a Galiza mesma, a quem geralmente julgam o mais despreciável e feio de Espanha, quando acaso seja o mais fermoso e digno de gavança.
(...) Eu que atravessei repetidas vezes aquelas soidades de Castela que dam ideia do deserto; eu que percorrim a feraz Estremadura e a extensa Mancha, onde o sol cai a promo alomeando monótonos campos onde a cor da palha seca empresta um tom cansado à paisagem que rende e entreistece o espírito, sem umha ervinha que distraia a mirada que vai perder-se num céu sem nuvens, tam igual e tam cansado como a terra que cobre; eu que visitei os celebrados arredores de Alicante, onde os olivos com o seu verde escuro, sementados em fila e de raro em raro, parecem chorar de ver-se tam solitários, e vim aquela famosa horta de Múrcia, tam nomeada e tam alabada, e que, cansada e monótona como o resto daquel país, amostra a sua vegetaçom tal como paisagens pintados num cartom com árvores postas simetricamente e em carreirinhos para deversom dos nenos, eu nom podo menos de indignar-me quando os filhos dessas províncias que Dios favoreceu em fartura, mas nom na beleza dos campos, burlam-se desta Galiza competidora em clima e galanura com os países encantadores da terra, esta Galiza, onde todo é espontáneo na natureza e onde a mao do home cede o seu posto à mao de Deus.



(...) A terra coberta em todas as estaçoes de ervinhas e de flores, os montes cheios de pinheiros, de carvalhos e salgueiros, os ligeiros ventos que passam, as fontes e os torrentes derramando-se fervedores e cristaínhos, verao e inverno já polos risonhos campos já em profundas e sombrisas ondanadas... Galiza é sempre um jardim onde se respiram aromas puros, frescura e poesia... e a pesar disto chega a fatuidade dos ignorantes, a tanto a indigna preocupaçom que contra a nossa terra existe, que ainda os mesmos que puidêrom contemplar tanta fermosura (já nom falamos dos que se burlam de nós sem que jamais nos tenham visto nem ainda de longe, que som os mais), ainda os que penetrárom na Galiza e goçárom das delícias que oferece atrevêrom-se a dizer que Galiza era... Um cortelho imundo!! E estes eram quiçá filhos daquelas terras abrasadas de onde até os passarinhos fogem! Que diremos a isto? Nada mais senom que tais fatuidades a respeito do nosso País tenhem algumha comparanza com a dos franceses ao falarem das suas eternas vitórias ganhadas aos espanhóis.
(...) Moito sinto as injustiças com que nos favorecem os franceses, mas neste momento quase lhes estou agradecida, pois que me proporcionam um meio de fazer-lhe mais palpável a Espanha a injustiça que ela à sua vez connosco comete (...)”.


Rosalia, Murguia, Pondal, Viqueira, Risco, Castelao, Otero Pedraio, Ugio Novoneira ..., todos eles alodem, em maior ou menor medida, à paisagem cultural galega como elemento de identidade nacional. Foi Castelao quem dijo aquela célebre e definitória frase: “Para nós a Pátria é um sentimento natural, inspira-se em realidades sensíveis aos cinco sentidos. A Pátria é a Terra”. O nacionalismo geográfico, a paisagem concebida como bem colectiva da Naçom e como elemento importantíssimo dentro do património identitário tivo em Otero Pedraio, nacionalista e geógrafo, o seu precursor e máximo exponhente (a obra de Carme Fernández Pérez-Sanjuliám, “A construçom nacional no discurso de Ramom Otero Pedraio”, aporta reflexoes muito interessantes) . Otero foi o primeiro intérprete da forma física da Galiza, concebindo-a e explicando-a através dos seus estudos geográficos, como umha unidade independente, com pessoalidade própria dentro da geografia peninsular. Interpretando, pois, a geografia e a história da Galiza, Otero Pedraio tem alçado um modelo da Galiza que fijo antiquado o velho modelo decimonónico, entre folcórico e mítico, construído polos precursores.


Otero mantém esta postura de reivindicaçom activa do estudo e descoberta física do País, ainda, depois da guerra. Ricardo Gurriarám lembra-nos o apoio de Otero à criaçom do clube de montanhismo Pena Trevinca Montanheiros de Galiza, actividade que cumpre pôr em relaçom nom só com os movimentos excursionistas, senom, e moi especialmente, com a singular funçom que nestes primeiros anos da posguerra exerciam este tipo de movimentos associativos. Ricardo Gurriarám explica-o assim: “Fora umha actividade solidária de dom Ramom com o societarismo montanheiro para-oficial na que confluíam: amor à natureza e a paisagem galega, divulgaçom das riquezas ocultas, potenciamento do associacionismo “resistente” com o fim de aglutinar adessoes, revitalizaçom das actividades desportivas montanheiras, em definitiva, ajudar ao desenvolvimento de foros, até certo ponto críticos, que giravam em torno a centros de interesse “modernos”, neste caso: o fomento do associacionismo montanheiro fora do marco ideologizado que imperava na época”. Gurriarám engade que logo da intervençom de Otero Pedraio no ano 1.949, entre outras, o clube de montanha chegaria a sobrepassar a cifra dos 2.000 associados, “umha quantidade significativa no associacionismo desportivo de âmbito galego que, agás nos clubes de futebol, nom atopamos outra com semelhante impacto afiliativo”.


No caso de Otero Pedraio concita-se a mesma imagem reduzionista, confusa e cheia de preconceitos que já acontecera com Castelao, Rosalia e outros escritores, políticos e intelectuais nacionalistas, numha sistemática deturpaçom da sua significaçom ideológica. O Castelao humorista ou a Rosalia Chorona estám à mesma altura que o Otero lírico-romântico, esteticista, irracionalista e idealista-simbólico. A maior parte dos estudos sobre Otero Pedraio som interpretaçoes ilhadas e iludem a relaçom entre paisagem e a ideia de Naçom. Tem-se feito, como se tém feito com outros e outras escritores e escritoras nacionalistas, umha leitura reduzionista da sua obra ao centrar a interpretaçom no aspecto histórico da sua narrativa ou nos elementos culturais, deixando de lado os contidos mais essencialmente ideológicos.


Os nacionalistas galegos do Seminário de Estudos Galegos, dos Ultreias, da COGARRO ou da AMAL botamo-nos a andar polo País adiante para sentir, conhecer e defender a nossa Terra. Porque, como diria Otero Pedraio “para conhecer um País há que andá-lo a pé”. “O facto de que alguns galegos percorram a sua terra a pé e andando é merecente de ter um posto entre os feitos denotativos da nossa renascença” (Vicente Risco). Estas palavras de Vicente Risco cobram hoje um significado muito especial. Botar-se hoje a andar, desafiando aos eunucos do chapapote, ao progresso do capitalismo automobilístico e aos depredadores da Nossa Terra, volve a ser, mais que nunca, um acto de resistênia e de renascença nacional.

14 de janeiro de 2006




2ª MARCHA
( 14 E 15 DE Janeiro de 2006 )
Início da marcha
Explicaçom da situaçom geográfica
Início da ascensom à Cabrita
Alcançando a Cabrita

Foto artística. Sombra de um montanheiro na neve




Em frente a Serra do Eixo

Panorámica da Serra do Eixo. Abaixo, no val, está o Teixadal

No Couto, caminho de Pena Súrbia

Em frente, o nosso objectivo: Pena Súrbia (2.112 m)

Ao pé de Pena Súrbia. O tramo mais complicado, numha zona de umbria com placas de gelo

Ascensom a Pena Súrbia

Os quatro montanheiros que chegárom ao cume de Pena Súrbia (Pena Trevinca Norte)

Mar de nuvens no val do Teixadal

Descansando no refúgio da Fonte da Cova

Refúgio da Fonte da Cova

Escapada à Serra da Enzinha da Lastra (Parque Natural)

Aspecto invernal de Pena Trevinca Norte e o Teixadal

Bosque do Teixadal

Destruçom das exploraçons pizarreiras no Concelho de Carvalheda

Pizarreiras: expólio e grave impacto ambiental

VISOM DE CONJUNTO





A zona que imos visitar tém várias linhas educativas de interesse clara:


-Interessante morfologia glaciar.

-As peculiaridades desta zona dentro da Província de Ourense e as áreas montanhosas de Galiza: vegetaçom mediterránea e eurosiberiana.

-Albergar nas suas entranhas um magnífico bosque de Teixos, único em Europa: O Teixadal de Casaio, o bosque mais meridional de Europa de espécies de domínio eurosiberiano.

-O facto de contar com algumhas das maiores alturas do nosso País.

-Por tratar-se de um espaço enormemente conflitivo. Nesta zona confluem de jeito paradigmático: Um espaço de singular importança natural a proteger enfrentado ao município mais industrial de Galiza e num espaço de grande interesse económico. A indústria da pizarra, que ocupa os primeiros postos nas exportaçoes da Galiza.

-Os aspectos da memória histórica: As minas de Valborraz, cidade dos alemaes ou cidade da mina (cuja infraestrutura ainda se conserva bastante bem), onde os alemaes tinham a concesom da exploraçom do wolfram; a “cidade da selva” nos montes de Casaio, o quartel geral da Federaçom de Guerrilhas de Galiza entre os anos 1944-1946.

O Maciço de Pena Trevinca situa-se na Galiza Sul-oriental.

Convém deixar claro que o Maciço de Pena Trevinca abrange na sua totalidade territorio galego. Umha cousa é a Galiza “oficial” e/ou administrativa e outra bem distinta a Galiza real.
Atendo-nos à Galiza administrativa este maciço situaria-se na confluencia das províncias de Leom , Samora e Ourense.
Porém, a Cabreira e Seabra som histórica, étnica e geográficamente Galiza.

Factores como o chao, o clima, o hábitat, a economia, o idioma, a cultura em definitiva, incluem espaços que nom pertencem à actual Galiza administrativa.
A existencia de limites administrativos determina que a maioria dos autores reduçam os seus estudos ao espaço intrafronteiriço, algo que nom é factor chave para a geografia.
Neste caso, como em muitos outros, nom há umha correspondencia entre os limites administrativos e os geográficos.
Criterios topográficos utilizados no estabelecimento da linha divisional, seccionárom imaginariamente rios e cordilheiras com criterios chapuceiros como o de dividir os vales polo rio, quando este é o eixo da comarca constituída polas duas ribeiras do mesmo, ou no caso das montanhas, dividindo, com um incongruente albedrio fronteiriço, unidades geográficas indivisíveis.

No cume da Galiza, Pena Trevinca, junguem-se as comarcas da Cabreira e a Seabra, do Bolo e de Valdeorras numha irmandade natural e histórica de relaçoes sociais e económicas.
Várias serras de delimitaçom confusa (serra do Eixo, serra da Mina, serra Calva, serra da Cabreira e serra Segundeira) componhem este maciço que se ergue a mais de 1900 metros sobre as bisbarras galegas de Cabreira, Seabra e Valdeorras.
Na zona atopam-se algumhas das montanhas mais elevadas da Galiza: Pena Trevinca (2127 m), Pena Negra (2123 m) e Pena Súrvia ou Pena Trevinca Norte (2112 m).

Em quanto às altitudes é freqüente presençar um baile de números segundo que guia ou que carta geográfica se utilizar.
As indicadas aquí procedem da cartografia mais recente: mapas do I.G.N 1:25.000.

Na vertente norte de Pena Súrvia ou Pena Trevinca Norte, trepando polas peadas abas da margem esquerda do regato Penedo, está o magnífico bosque de Teixos, o Teixedal de Casaio.

O maciço de Pena Trevinca é umha grave asignatura pendente na política proteccionista dos nossos espaços naturais.
Organizaçoes e grupos ecologistas exigem a sua conversom em Parque Natural (30.000 hectares), e que ademais nom seja umha protecçom esvaziada de conteúdo. Na actualidade só o lago de Seabra e os seus arredores goçam deste reconhecimento (declarado parque natural já desde finais dos anos setenta).

Pena Trevinca (só umha pequena parte do Maciço situado em território administrativo galego) está incluída na proposta galega da Rede Natura 2000, como Lugar de importância Comunitária.
Quando finalmente for aprovado será umha “zona de especial protecçom dos valores naturais” e formará parte, portanto, da “Rede galega de Espaços Protegidos”.

Todo este desplegamento de palavras proteccionistas nom é mais que umha fermosa mentira que oculta umha desfeita imparável e permanente por parte, fundamentalmente, dos depredadores pizarreiros.

O atractivo biológico da zona reside fundamentalmente no grande desnível existente entre o nível de base, centrado na desembocadura do rio Casaio no Sil (350 m s.n.m) e as mais altas cotas altitudinais do Maciço de Pena Trevinca, com a conseguinte diversidade bioclimática que isto conleva.

Por outra parte a sua posiçom geográfica na Regiom Mediterránea, a escasa distância do limite meridional da Eurosiberiana, cujas influências chegam maioritariamente através da Cordilheira Cantábrica, permite a coabitaçom aquí de comunidades de ambas as duas procedências –ainda que som maioritárias as mediterráneas- o qual supoe umha diversidade e complexidade fitocenótica adicional.

Dacordo com as últimas propostas de divisom corológica da Península a área está situada na Regiom Mediterránea, sector Ourensano-Seabrense e subsectores ourensano e seabrense.
O subsector ourensano foi circunscrito ao piso mesomediterráneo ourensano.
Seguindo a indicaçom dalgum autor haveria que ampliar o subsector ourensano actual até o piso oromediterráneo.
Este subsector poderia ter o seu limite com o seabrense nos montes de Trevinca, cuja vertente noroeste amossa importantes diferências com o seabrense, devidas fundamentalmente à sua maior influência eurosiberiana.

Analisando a corologia das comunidades presentes nesta área pode-se concluir que: Um 40% tem umha distribuiçom maioritariamente mediterránea frente a um 23% de área fundamentalmente eurosiberiano, mentres que o 37% restante tem um comportamento indiferente.
Destacar ademais que as de area mediterráneo ocupam a maior parte parte da superfície deste território.
Por último sinalar que segundo alguns autores existe umha fronteira aberta entre as montanhas do sector laciano-ancarense e o ourensano-seabrense.

O manto rochoso do território é fundamentalmente de tipo silício, ácido, correspondendo maioritariamente a pizarras e quarcita.
Os solos, em geral pouco desenvolvidos.

A vegetaçom botánica do espaço natural é muito importante, com a presença de numerosos taxoes com um maior ou menor grau de endemicidade.
Os cúmios som de piso silicícola de Juniperus nana ou genebreiro rasteiro, com umha vegetaçom tipo na que nom há bosque nem espécie arbórea dominante.
O Juniperus é a única espécie da família cupressaceae que medra de forma natural (é autóctone) no nosso País. Os genebreiros, som muito sensíveis ao lume, vendo-ser mermados tras as queimas sistemáticas de todos os veraos.
O verao de 2005 foi especialmente duro, ardendo boa parte destes espaços montanhosos.

Árvores que podemos olhar som: azinheiras (Quercus ilex subsp. Rotundifolia), por debaixo de 800 metros; rebolos ou cerquinhos; bidueiros, faias, teixos, pradairos, ameneiros, capudres, avelairas…

Como resultado de estudos fitosociológicos identificárom-se mais de 100 comunidades vegetais no terrritório.
Em quanto à fauna contabilizárom-se 162 espécies de vertebrados: Um peixe (a troita), 12 anfíbios, 13 reptis, 100 aves e 36 mamíferos.
Entre estes últimos está presente o lobo (moi abundante), o raposo, o arminho, a donicela, o tourom, a marta, a gardunha, o porco teixo, a londra, a algalia, o gato bravo, o javali e o corço.


O TEIXADAL DE CASAIO





Na actualidade o teixadal de Casaio é um bosque de 6 hectares formado por azivros, avelairas, cerquinhos, capudres, cerdeiras…etc e 300 teixos (Taxus baccata) que se concentram na margem esquerda do regato Penedo, a uns 1.350 m. de altura.
Ali há um exemplar de 800 anos de idade e vinte metros de alto.


O teixo é umha árvore que se distribui por toda Europa e Macaronésia (Canárias), Ásia Menor e Noroeste de África. Habita altitudes baixas em latitudes elevadas; pola contra na Regiom mediterránea e macaronésia aparece nas altas montanhas, como no caso que nos ocupa.

Trata-se de um taxom de origem antigo (já no jurássico há fósseis de Taxus com caracteres próximos ao actual teixo), que deveu estar muito mais representado no passado. A pesar de poder renovar, o teixo foi-se fazendo cada vez mais raro, através dos séculos, em Europa.

Hoje em dia, a sua presença tanto em Europa como na Península é reduzida.
A isto contribuírom a lentitude com que se desenvolve, a competência progressiva doutras espécies mais modernas ao longo da história geológica e fundamentalmente a intensa acçom antrópica em tempos mais recentes, pondo em perigo a existência da espécie que hoje se refúgia nas montanhas menos acessíveis como é este caso.

O seu uso histórico por parte do homem centrou-se no emprego da vistosa e duradeira madeira (compacta e dura e que nom apodrece) para mobiliário e para a fabricaçom de barcos, ou na clássica utilizaçom para a fabricaçom de arcos de frecha na idade meia (só se cortavam as polas para esta funçom).

Também as folhas, a pesar do seu conhecido carácter tóxico pola presença do alcaloide taxina (de umha espécie próxima, nos EUA, extrai-se o Taxol, um importante fármaco anticancerígeno) podem ser consumidas por alguns animais. Nesta árvore só a coberta encarnada e carnosa da semente carece dessa substância tóxica.

Sabe-se que as folhas som particularmente nocivas para o gado equino, causa também de que fosse eliminado sistematicamente quando o cavalo era o único meio de locomoçom, cárrega…, mas também que formam parte da dieta habitual de muitos animais nom domésticos.
Nalguns pontos do Norte peninsular ainda som ocasionalmente utilizadas como ramom para o gado vacum.

Um indício da sua maior expansom em tempos passados é a grande quantidade de topónimos alusivos: teixedal, teixo, teixeiro/a, teixido…etc.

Ainda que se fale de teixedais é raro encontrar rodais ou massas puras de certa extensom dominadas pola espécie que nos ocupa. É o caso do Teixedal de Casaio.

Para alguns autores em realidade nom se pode falar de “teixedal de casaio”, senom que se trata de um bosque mixto de frondosas que aproveita as condiçoes favoráveis de vaguada orientada ao norte e noroeste, ficando com carácter estável num marco geral tipicamente submediterráneo.
Segundo estes autores, o que sucede é que neste caso há um certo número de teixos, muito grandes, que destacam muito na paisagem, particularmente em inverno (o teixo é umha árvore de folha perene de cor escura que a delata desde loge).
As suas copas piramidais surgem do conjunto de planifólios caducifólios e os seus troncos às vezes adquirem na base dimensoes consideráveis.
Porém a sua densidade nom alcança a doutras espécies, em particular os bidueiros. Para estes autores esta formaçom de Casaio deveria ser definida em funçom das árvores dominantes, tendo que defini-la como um bosque mixto com predomínio de bidueiros, no que também outras árvores, ademais do teixo, tenhem presença significativa: Acer pseudoplatanus, Sorbus aucuparia, Quercus pyrenaica, Prunus avium, etcétc.

Os melhores rodais de teixo (como é o de Casaio) apresentam umha densidade elevada no estrato arvóreo e o umbroso sotobosque está bastante limpo.
Nas zonas onde o teixedal é menos puro intercalam-se érvedo, avelaira, espinho alvar…

A CIDADA DOS ALEMANS


Ao pé de Pena Súrvia, nas abruptas terras de Casaio, no município de Carvalheda de Valdeorras, ainda fica em pé umha boa parte da infraestrutura do que no seu dia foi umha importante exploraçom mineira de wolfram a cargo do régimem názi. A começos da 2ª guerra mundial

Franco deu-lhes aos alemans a concesom da exploraçom do wolfram das montanhas de Casaio. Os alemáns soubêrom da sua existência alguns anos antes de estalar a guerra. Entre 1942 e 1944 abrírom-se galerias e poços ciscados por toda a aba de Trevinca, numha zona, ademais, que era cenário de um importante reagrupamento de forças armadas antifranquistas.

O wolfram (assim chamado polos alemáns) ou tungsténio (assim o chamavam os ingleses) era moi importante para os alemáns a efeitos militares. A chave da sua importância para a indústria bélica germana residiu em que os alemáns desenvolveram umha técnica de aleaçom da que resultavam metais muito mais resistentes que os empregados polas tropas aliadas. Os aliados nom eram capazes de desenvolver o wolfram ou tungsténio além de filamentos para lâmpadas.

Porém a indústria bélica názi aproveitou ao máximo as possibilidades que lhes brindava este mineral, o metal com o ponto de fusom mais alto que naquela época se conhecia. Os projectis germanos eram de umha trajectória “mais limpa”, as blindagens de carros, camioes e automóveis mais seguros e sobre todo os canhoes alemaes requentavam-se muito menos que os das tropas aliadas. Só por isso, o Estado espanhol produziu no ano 1943 mais de quatro mil toneladas de wolfram. De 1938 data já a criaçom de “Montes de Galicia”, que operou em Casaio até finais da segunda guerra mundial, com um coronel názi como director. Foi entregada aos aliados em 1945. O momento de maior esplendor ou febre do wolfram seriam os anos 1942 e 1943.

“A cidade” som essencialmente dous grupos de cumpridos barracons brancos a um e outro lado da ainda incipiente canle do rio Valborrás. O rio dá nome à mina, “a mina de Valborrás” e a mina baptiça ao povoado, “a cidade da mina” ou a “cidade dos alemáns”. Um barracom acolhia aproximadamente 200 prisioneiros da guerra civil (socialistas, comunistas e anarquistas), generosa contribuiçom de Franco à alemanha hitleriana. Os prisioneiros (procedentes de todas partes: galegos, asturianos, andaluzes, espanhóis...) eram vigiados polos soldados alemáns. Entre a populaçom reclusa só uns poucos eram destinados ao lavadeiro do wolfram, onde já se conseguia o mineral num estado de pureza suficiente como para ser enviado à Alemanha. O resto dos presos abriam as galerias e poços ciscados por toda a aba de Trevinca num número indeterminado, a golpe de maça e barrena.

A excessiva confiança que o régimem franquista depositou no destacamento alemám da cidade, propriciou umha colaboraçom importante dos presos com o movimento guerrilheiro assentado nessas montanhas. O régimem espanhol cedeu a custódia dos prisioneiros aos alemáns alheio a três factores:

-O movimento guerrilheiro que se articulava nos vales de casaio.

-As probabilidades de mútua colaboraçom que brindava a coincidência em tempo e espaço.

-O escaso zelo que na custódia dos prisioneiros punham os alemaes.

Aos oficiais da “cidade” interessava-lhes muito mais a produçom total diária de wolfram que a custódia dos aproximadamente 200 prisioneiros conferidos às minas. O facto de que a cidade estivesse vigiada por um modesto posto de guarda evidenciava que nom era em seguridade no que mais se gastava. Para colmo, os presos começavam adquirindo carta de liberdade para pulular pola cidade e acabavam por se fazer com a regência do armazém da mina. Entre outras cousas no armazém havia sobre todo explosivos. Assim, os prisioneiros políticos chegárom a prover de dinamita aos guerrilheiros.

Junto aos mineiros presos havia aproximadamente 200 chamados “operários livres”. Por último umhas 300 mulheres empregadas na sua maior parte nos lavadeiros de wolfram. Portanto, em conjunto, nos seus momentos mais álgidos, a cidade puido estar habitada por umhas 700 pessoas.

Quiçá mereça ser destacada a fugida da mina, em 1944, do preso político Francisco Elvira Cuadrado (natural de Guadalajara), que se converteria mais tarde no líder da facçom comunista da Federaçom de Guerrilhas de Galiza e formaria parte do seu Estado Maior. A cidade dos alemaes seria também objecto de ataques guerrilheiros e até de momentáneas ocupaçoes por parte destes.


TREVINCA E OS GUERRILHEIROS


Os acidentes orográficos da Galiza oriental fôrom, desde o primeiro momento, um dos refúgios favoritos como lugares de concentraçom dos resistentes antifranquistas. Mas se as condiçoes orográficas eram óptimas para os fugidos, nom o seriam tanto as climatológicas, que dificultavam a vida nos montes, ao ar livre. Por isso, contra as versoes mais divulgadas e ainda desmentindo o rigor de umha das expressoes polas que eram conhecidos: “Os do monte”, os guerrilheiros e guerrilheiras viviam a maior parte do tempo nos povos e aldeias, em casas de toda confiança, sobre todo durante o inverno, repartidos individualmente ou por parelhas nas distintas vivendas e cambiando –por precauçom- cada semana de casa.

Manuel Álvarez Árias, “O Bailarim”, junto com o “Ánimas”, e “O Aguirre” (Alfredo Yáñez Domínguez) converteram-se no Outono de 1936 no primeiro grupo de resistentes desta zona. Deste grupo de Casaio, ainda que nom com os seus integrantes iniciais, ía surgir o grupo que remataria aglutinando a luita guerrilheira antifranquista e possibilitando a primeira organizaçom armada de pós-guerra de todo o Estado: A Federaçom de Guerrilhas de Galiza.

Casáio era um refúgio seguro. Ademais a Serra do Eixo supujo um salto qualitativo importante ao alonjarem-se os fugidos e perseguidos dos seus povos respectivos, o que supunha tranquilidade para os familiares e a necessidade de dotar-se de umha mínima infraestrutura organizativa. As montanhas de Casaio (estribaçoes de Trevinca Norte e Serra do Eixo) é o cenário onde se organiza a primeira resistência armada galega, entre os anos 1939 e 1941, mas este papel de “quartel general” ou centro de concentraçom e mando seria traspassado, entre 1942 e 1943, a Penas de Ferradilho-Montes Aquilianos (Concelho de Priarança, comarca do Berzo). Casaio volve a desprazar a Ferradilho como santuário organizador da guerrilha em Outubro de 1944, com motivo do IV Congresso Congresso da Federaçom. Este Congresso, assim como o quinto e o sexto (que seria o último) vam-se realizar na “cidade da selva”, nome que recebiam o conjunto de campamentos guerrilheiros estabelecidos nos montes de Casaio, sobre todo nos vales de A Morteira e de A Brunha, em plena serra do eixo ourensana. Ficavam perto do Pico Maluro (1.934 m), na cordal da serra do eixo, e as populaçoes mais próximas eram as penquenas aldeias de Ricosende e Soutadeiro.

O sexto e último congresso realiza-se em Julho de 1946. Na serra do eixo reunírom-se o Estado Maior, as chefaturas de Agrupaçom, delegados das diferentes correntes políticas e guerrilheiros dos destacamentos que operavam na zona. Reunírom-se em total uns 20 homes distribuídos em 6 chousas, 3 na parte superior do vale e as restantes, um quilómetro mais abaixo. Todas elas bem dissimuladas pola vegetaçom. O congresso foi assaltado pola guarda civil e por contra-partidas, morrendo em combate dous guerrilheiros da Federaçom. Este seria o começo da desintegraçom desta organizaçom armada, que se consuma já definitivamente em 1947.


PIZARREIRAS E ESPÓLIO



É sabido que desde a época pré-romana a comarca de Valdeorras tivo no seu grao umha grande fonte de riqueza, a minaria é algo inseparável da história da comarca. Os beneficiários da exploraçom dos recursos mineiros de Valdeorras fôrom na sua maioria gentes foráneas que se aproveitárom de umha populaçom que explorárom e escravizárom. Um chao especialmente rico foi esquilmado desde fora, desintegrando às populaçoes galegas deste território e impedindo o desfrute e proveito da sua própria terra. Como afirma Ricardo Gurriarám no seu livro “Da pré-romanizaçom ao wolfram: apontamentos históricos das exploraçoes mineriais em Valdeorras”:

“Na maioria dos casos, o mineral extraído sempre viajou lá das nossas fronteiras, e o dinheiro resultante da comercializaçom sempre se investiu fora. A mao de obra precisada, quando nom escravizada ou forçada, escasamente influiu na geraçom de postos de trabalho valdeorreses, nom precários, quer dizer, na ajuda do desenvolvimento económico da nossa bisbarra”.

Depois do ouro do wolfram chegou, nos anos sessenta, o ouro preto da pizarra. Novos saquadores ocupárom este território para enriquezer-se de forma continuada até hoje, substraindo à populaçom do desfrute das suas terras e do seu monte, impossibilitanto outros usos, outro desenvolvimento económico e hipotecando o futuro da zona para anos e anos. Também agora os benefícios da pizarra invistem-se maiormente fora. Os novos saqueadores abrírom montanhas, destroçárom caminhos, formárom montanhas de escombreiras, eliminárom regatos...etc. Já nom estám as legioes romanas nem os soldados alemans, agora o espólio e a ruína som democráticos, legais e até consentidos e aplaudidos por umha populaçom que perdeu o sentido da colectividade, individualizada, sem perspectiva de futuro e desarmada, vendo no arrendamento dos seus montes comunais às pizarreiras como um factor de postos de trabalho, enriquecimento pessoal e “progresso”.

Na Galiza existem polo menos 27 tipos de lousa, ocupando umha extensom aproximada de 1/3 da superfície total galega e localizando-se predominantemente na sua metade oriental. Em Trevinca localizam-se as maiores reservas de pizarra do mundo. Galiza é o primeiro núcleo produtor e exportador mundial de pizarra elaborada. A pizarra representa, em termos económicos convencionais, aproximadamente o 3,3% do PIB galego. Pizarras e granitos (subsectores mineiros) constituem hoje os verdadeiros perpianhos da minaria galega. Devemos recordar que Galiza representa o 13% da minaria do Estado, ocupando o terceiro posto em importância no panorama mineiro (minaria energética, minaria metálica e minaria ornamental).

Se nos centramos nas rochas ornamentais (caso da pizarra e granito) representa um 22% da produçom total estatal e é a primeira exportadora por valor económico. Em quanto à produçom de pizarra, a galega representa o 73% da produçom estatal.

Ademais das comarcas de Valdeorras e da Cabreira, que vivem praticamente em exclusiva da indústria pizarreira e que concentram mais do 75% do tecido industrial deste subsector na Galiza, outras zonas pizarreiras na Galiza som Ortigueira, Mondonhedo, Fonsagrada, e Quiroga (O Courel). Arredor de 100 som as empresas que se adicam no País à extracçom e elaboraçom pizarreira, a maioria ubicadas em Valdeorras e A Cabreira. Entre estas, Ampealsa-Emeritasa, do pai de Pérez Vidal (do PP) e o monstro Cupire Padesa, S.A, com perto de 600 trabalhadores. O emprego neste sector caracteriza-se polo alto nível de eventualidade, pola juventude dos seus trabalhadores e a incorporaçom das mulheres da zona, adicadas a tarefas como o empacotado.

Aproximadamente o 80% da produçom de pizarra galega exporta-se, sendo a Uniom Europeia a receitora do 95% das mesmas (França, Alemanha e Reino Unido). Do total de pizarra exportada no Estado espanhol, o 75% era lousa galega.







X Acampamento de Verao

Como todos os últimos fins de semana do verao, reunimo-nos num par de jornadas de convívio, caminhadas, lezer e conversa, que servirá...